FacebookTwitterYoutubeInstagramWhatsapp

Plataforma de Atualização Diária

Entrevista
Hipotiroidismo pode ser "um fator de risco para a depressão"
quinta, 22 novembro 2018 09:55
Por: Isabel Manita, endocrinologista
Hipotiroidismo pode ser "um fator de risco para a depressão"

De acordo com a endocrinologista Isabel Manita, "não existe nada que a maioria das pessoas possa fazer para impedir o aparecimento" de hipotiroidismo, pelo que "é importante apostar no tratamento". Em entrevista ao Vital Health, a especialista explica que esta é uma doença causada pela falta de hormonas produzidas na glândula tiroideia, "responsável pela produção das hormonas T4 (tiroxina) e T3 (triiodotironina) que têm efeitos em todos os processos metabólicos do nosso corpo". Adianta, ainda, que este pode constituir um fator de risco para o desenvolvimento de depressões. 

 

Vital Health (VH) | Cansaço, ansiedade, dificuldade em dormir e sonolência, falta de memória, desânimo e apatia geral são alguns dos sintomas da depressão. No entanto, o que grande parte da população portuguesa desconhece é que estes sintomas podem ser associados ao hipotiroidismo. Em que consiste o hipotiroidismo?

Isabel Manita (IM) | O hipotiroidismo é uma doença resultante da falta das hormonas produzidas na glândula tiroideia. Esta glândula localiza-se na base do pescoço e é responsável pela produção das hormonas T4 (tiroxina) e T3 (triiodotironina) que têm efeitos em todos os processos metabólicos do nosso corpo. A falta destas hormonas vai ter consequências no crescimento e desenvolvimento, quando ocorre na idade pediátrica, e na regulação do metabolismo em qualquer idade.

A tiroide é uma glândula localizada na parte anterior do pescoço debaixo da laringe que produz hormonas que regulam a temperatura corporal, ajudam o organismo a usar eficientemente a energia e contribuem para o normal funcionamento de importantes órgãos, como o coração, o cérebro, o fígado e o intestino.

 

VH | De que forma esta doença apresenta um forte impacto psicológico no doente?

IM | O hipotiroidismo altera inúmeras reações indispensáveis ao normal funcionamento do organismo. Nas fases iniciais, os sintomas são ligeiros e a fadiga e o aumento de peso são desvalorizados e atribuídos ao envelhecimento ou ao “stress” do dia-a-dia, o que pode provocar graves consequências nas emoções do doente e é fulcral estabilizar a doença.

Por norma, o engordar ou então a queda de cabelo são sintomas físicos que afetam a aparência de uma pessoa e que podem prejudicar e muito a sua autoestima, o que leva a determinadas inseguranças e possível depressão.

 

VH | O hipotiroidismo, a doença da tiroide mais frequente, afeta dez vezes mais mulheres do que homens, existindo fases em que estão mais suscetíveis a esta doença. Quais as alturas em que as mulheres devem estar especialmente atentas?

IM | Apesar de qualquer pessoa poder desenvolver hipotiroidismo, o risco é maior para as pessoas que já têm uma doença autoimune conhecida, que estão grávidas ou tiveram um parto nos últimos seis meses, que têm história familiar de doenças da tiroide, que foram tratadas no passado com iodo radioativo, medicamentos antitiroideus ou cirurgia à tiroide, ou que foram submetidos a radioterapia da cabeça, do pescoço ou da região superior do tórax. As mulheres, principalmente após os 50 anos de idade, têm maior probabilidade de ter hipotiroidismo.

 

VH | Perante as possíveis consequências da doença a nível psicológico, quão importante é estabilizar o hipotiroidismo?

IM | O hipotiroidismo pode ser um fator de risco para a depressão, pois quem sofre distúrbios da glândula tiroideia, além de apresentar uma grande variedade de sintomas físicos, tem de lidar com os sintomas psicológicos das disfunções da tiroide, o que nem sempre é fácil.

É importante estabilizar o hipotiroidismo, referindo que na maioria dos casos os sintomas psicológicos melhoram à medida que a disfunção da tiroide é controlada pelo tratamento, pois em casos mais graves com doença arrastada não tratada e doentes mais idosos podem surgir alterações cognitivas, tonturas e mesmo coma em casos mais extremos.

 

VH | A escolha do tratamento depende da gravidade da doença, da idade do doente e da existência de outras condições clínicas. Qual o panorama da terapêutica em Portugal? Quais os principais avanços no tratamento da doença no país?

IM | Não existe nada que a maioria das pessoas possa fazer para impedir o aparecimento da doença. Existem países com grave deficiência em iodo, mas, nos países desenvolvidos, a maioria das dietas contém iodo em quantidade suficiente para evitar o aparecimento do hipotiroidismo.

Desta forma, é importante apostar no tratamento. Em Portugal, o tratamento standard é a levotiroxina em monoterapia. O tratamento é feito através da toma diária oral de hormona tiroideia sintética. A levotiroxina não causa efeitos secundários se tomada na dose correta. Alguns medicamentos e mesmo alguns alimentos podem alterar a absorção da levotiroxina e o médico deverá informar sobre esta situação. Quatro a seis meses após o início da medicação, os sintomas começarão a desaparecer e os níveis de TSH e T4 começarão a normalizar. Inicialmente o médico pedirá doseamentos de TSH cada dois a três meses, até determinar a dose correta de levotiroxina. Depois, uma vez que a dose pode variar, os níveis de TSH deverão ser avaliados pelo menos uma vez por ano.

 

PUBLICIDADE

Por vezes mais é menos

Por vezes mais é menos

© 2018 Vital Health | Todos os direitos reservados | Designed by IPSPOT_ and Developed by Webview