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Entrevista
Dia da Anemia: “antes dos profissionais de saúde, as próprias pessoas têm de estar sensibilizadas para a doença”
segunda, 26 novembro 2018 10:51
Por: António Robalo Nunes, imunohemoterapeuta e presidente do Anemia Working Group Portugal
Dia da Anemia: “antes dos profissionais de saúde, as próprias pessoas têm de estar sensibilizadas para a doença”

O Dia da Anemia assinala-se hoje, 26 de novembro, numa altura em que se sabe que um em cada cinco portugueses apresenta alguma forma desta doença. Em entrevista ao Vital Health, o imunohemoterapeuta e presidente do Anemia Working Group Portugal (AWGP) António Robalo Nunes reforça a importância de doentes e comunidade médica, “os dois alvos de sensibilização”, trabalharem em conjunto com vista ao combate desta epidemia que é a anemia.

 

Vital Health (VH) | Segundo um estudo realizado pelo Anemia Working Group Portugal (AWGP) à população adulta em Portugal Continental, um em cada cinco portugueses apresenta alguma forma de anemia. Na sua opinião, qual a razão por detrás desta prevalência acentuada no país?

António Robalo Nunes (ARN) | Existem algumas razões para que Portugal tenha uma prevalência elevada de anemia e que, por essa via, se constitua como um problema de Saúde Pública. Uma delas relaciona-se com a existência de uma população demograficamente envelhecida, que, no âmbito da sua fragilidade inerente ao processo de envelhecimento, é uma sub-população que apresenta uma elevada taxa de prevalência, tal como foi verificado no estudo EMPIRE. Por outro lado, existem questões alimentares, o que pode parecer um contrassenso, uma vez que Portugal apresenta um enorme património alimentar relacionado com a dieta mediterrânica. De acordo com a investigação, existe uma menor prevalência da doença no norte e centro do país, comparativamente com a região de Lisboa e Vale do Tejo, por exemplo.

 

VH | Continuam a não ser conhecidos dados da prevalência da anemia nos jovens?

ARN | Ainda não existem dados reais quanto aos jovens e às grávidas. No entanto, antecipamos que a idade mais jovem constitua o “embrião” do problema, tendo em conta que o adulto é um resultado da sua infância e adolescência. Sendo que um dos picos de incidência da doença se associa ao período entre os 18 e os 34 anos, esta fase da vida deverá ser um foco do problema.

 

VH | Quais são os sintomas a que os profissionais de saúde devem estar atentos, de forma a ajudarem a combater este problema de Saúde Pública?

ARN | Antes dos profissionais de saúde, as próprias pessoas têm de estar sensibilizadas para a doença, que pode assumir uma grande diversidade e quantidade de sintomas. É preciso valorizar o cansaço invulgar, perceber a sua origem e de que forma limita a vida diária do indivíduo. Para além disso, podem surgir sintomas tão diversos como dificuldade em respirar, particularmente quando se faz esforços, sentir o coração acelerado e alterações digestivas e do sono. A anemia pode, muitas vezes, manifestar-se também através de sintomatologia do fórum mental e cognitivo. Quanto aos sinais, destaco a palidez, algo muito difícil de valorizar, uma vez que existem pessoas pálidas de forma constitucional, a habitual queda do cabelo, como também as unhas fracas, as erosões no canto da boca e a sensação de queimadura na mucosa bucal. Por ser um conjunto de tal maneira diversificado, os sintomas devem ser valorizados pelos próprios doentes. Depois, surgem os cuidados de saúde.

Dos 20% de pessoas a quem foi detetada anemia no estudo EMPIRE, 84% não sabia que apresentava esta patologia. E, nessa perspetiva, é necessário que os indivíduos estejam atentos, valorizem os próprios sintomas e que os transmitam aos médicos, essencialmente aos especialistas de Medicina Geral e Familiar (MGF). Os médicos de família são habitualmente o primeiro contacto dos doentes e, por isso, podem conduzir o “algoritmo de investigação”, de forma a compreenderem se o utente tem ou não anemia, detetar a causa e trata-la de forma apropriada.

 

VH | A nível mundial prevalece a anemia por deficiência de ferro. Trata-se de uma condição que precede a anemia?

ARN | Hoje em dia pensamos de uma forma um pouco diferente do que pensávamos há alguns anos. Percebemos, por trabalhos desenvolvidos essencialmente sobre mulheres em idade fértil, que a ferropénia, deficiência de ferro mesmo sem anemia, é uma identidade clínica por si própria, ou seja, a ferropénia sem anemia. Já a anemia é definida através dos valores da hemoglobina.

Hoje em dia, este tipo de casos é tratado, tendo em conta que a ferropénia evolui quase inevitavelmente para uma anemia por deficiência de ferro, o extremo de maior gravidade de todo este processo ferropénico. Neste sentido, a deficiência de ferro é, de certa forma, o “hall de entrada” da anemia ferropénica, havendo, por isso, a possibilidade de, em tempo útil, resolver o problema sem deixar que o quadro evolua para a anemia.

Atualmente temos a legitimidade de olhar para a deficiência de ferro de uma forma pró-ativa. Por isso, nos cenários inflamatórios, é necessário que a comunidade médica documente a existência de deficiência de ferro, em prol de um tratamento eficaz, rápido e com baixa toxicidade.

 

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