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Entrevista
Osteoporose: 75% dos doentes são do sexo feminino
segunda-feira, 03 junho 2013 10:10
Por: Jaime Branco, reumatologista
Osteoporose: 75% dos doentes são do sexo feminino

artigo 70021 df5b3Cerca de 75% dos portugueses com osteoporose são do sexo feminino. Os sintomas começam a manifestar-se normalmente a partir da menopausa.

 


De acordo com o reumatologista Jaime Branco, a osteoporose pode definir-se de duas maneiras: "Ou o doente já apresenta uma fratura de fragilidade ou o seu diagnóstico é obtido através do método operacional padrão, a densitometria óssea de dupla absorção radiológica. Após o diagnóstico, o doente deverá ser tratado com cálcio, com vitamina D e uma qualquer abordagem terapêutica, entre as que estão demonstradas e disponíveis no mercado português".

 


O seguimento destes doentes deve ser feito de uma forma regular. Como lembra o especialista, "na ausência de doença fraturária – a osteoporose é apenas um fator de risco –, o doente não cumpre muitas vezes a terapêutica, exatamente porque não tem sintomas. Isso significa que o médico deve fazer a procura ativa de fraturas. Embora as periféricas sejam facilmente identificáveis, por vezes, as fraturas vertebrais passam despercebidas".


O FRAX (Frature Risk Assessment Tool) é especialmente útil na medição do risco de fratura major osteoporótica e risco de fratura do fémur proximal, apenas com dados clínicos, antecedentes pessoais e familiares. "Embora já seja uma ferramenta antiga, só desde 14 de setembro de 2012 existem resultados específicos para a população portuguesa, estando disponível no site institucional da Sociedade Portuguesa de Reumatologia". Na opinião do especialista, "pode ser um bom decisor, mesmo na ausência de fraturas, para o início da terapêutica".


Relativamente à prevalência da osteoporose no nosso país, Jaime Branco estima que poderá situar-se no meio milhão de pessoas. Contudo, este é um valor aproximado. A real prevalência das doenças reumáticas (DR), em Portugal, ainda está a ser objeto de estudo, através do projeto EpiReumaPt, iniciado em 2011. Trata-se de um estudo epidemiológico (estudo da população) de âmbito nacional, observacional, transversal, com a duração de quatro anos. Pretende, por isso, "fotografar" a realidade portuguesa no que respeita às doenças reumáticas.


A amostra, representativa da população portuguesa, envolve cerca de 10 mil pessoas, em Portugal Continental e nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, segundo um método aleatório.


O projeto, na opinião do especialista, irá contribuir decisivamente para a execução do Programa Nacional Contra as Doenças Reumáticas. O foco da investigação incide na prevalência das doenças reumáticas -- osteoartrose, lombalgia, osteoporose fraturária, doenças reumáticas periarticulares, artrite reumatoide, fibromialgia, espondilite anquilosante, lúpus eritematoso sistémico, polimialgia reumática e gota --, na obtenção de dados sobre qualidade de vida, capacidade funcional, capacidade laboral e utilização de cuidados de saúde e na comparação entre participantes com e sem doença reumática. A criação, logo em 2011, de várias coortes de doentes permitirá conhecer a evolução das DR em estudo.


"Tendo em conta que as doenças reumáticas, nos países desenvolvidos, são a primeira causa de incapacidade laboral, facilmente se depreenderá a pertinência dos resultados obtidos na contribuição da programação de novas políticas da saúde e o reflexo destas na economia do país", explica Jaime Branco.

 

Texto publicado no Jornal Médico, N.º 4, junho 2013

 

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