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Entrevista
Psoríase e a procura de um tratamento eficaz
quinta-feira, 31 outubro 2019 12:42
Por: Paulo Ferreira, dermatologista
Psoríase e a procura de um tratamento eficaz
No âmbito do Dia Mundial da Psoríase assinalado na terça-feira, dia 29 de outubro, o portal Vital Health entrevistou o dermatologista Paulo Ferreira, que explicou a incidência, os sintomas e a evolução dos tratamentos desta doença. Em entrevista, o especialista revela que, sendo uma doença que se manifesta na pele, também afeta a auto-estima dos doentes, que muitas vezes atingem estados profundos de depressão. Leia a entrevista. 
 
Vital Health (VH) | No dia 29 de outubro assinalou-se o Dia Mundial da Psoríase. Qual a importância de alertar e sensibilizar as populações para esta problemática?
Paulo Ferreira (PF) | O Dia Mundial da Psoriase, criado em 2004, é celebrado anualmente a 29 de outubro.Trata-se de um evento global, que se propõe dar voz internacional a mais de 125 milhões de pessoas com a doença psoriática , em todo o mundo, das quais cerca de 250 mil em Portugal. Para informar, educar e consciencializar sobre a doença e suas comorbilidades. Para ajudar a combater o estigma e o preconceito. Partilhar os avanços nas terapêuticas inovadoras, sobre a necessidade do rastreio atempado das comorbilidades. Para o acesso às consultas de especialidade e para a referenciação atempada , num projecto global e virtuoso, onde os doentes sejam proactivos no sentido de procurar ajuda médica logo nas formas moderadas da doença.
 
VH | Estima-se que 250 mil pessoas estão diagnosticadas com esta doença, maioritariamente mulheres. Como descreve esta realidade?
PF | Estima-se que mais de 250 mil pessoas sofram de psoriase, em Portugal. Mas muitas não foram ainda diagnosticadas, outras não estão devidamente informadas e desconhecem ter psoríase, ou pensam tratar-se de "doença da pele, crónica" e não a valorizam, por ignorãncia ou mesmo preconceito. São patentes e preocupantes as assimetrias regionais. Muitos doentes não têm acesso a consultas na Medicina Geral e Familiar, muito menos a consultas de Dermatologia. Há também os casos de doentes subdiagnosticados e subtratados, com dificuldades de aquisição de medicamentos tópicos e sistémicos, sem poder de compra para adquirir hidratantes e emolientes. A maioria dos doentes, cerca de três em quatro. são afectados pela visibilidade das lesões entre as 3.ª e 5.ª décadas da vida, nas fases de maior exigência laboral, social e familiar. Urge informar sobre a doença, as comorbilidades e lutar contra o preconceito.
 
VH | Quais os sintomas mais comuns desta doença?
PF | Os principais sinais e sintomas derivam das placas de psoriase: lesões avermelhadas, com espessura e descamação prateada, aderente. Mais frequente no couro cabeludo, cotovelos, joelhos e região lombo-sagrada ( fundo das costas). Mas pode atingir as mãos e pés, palmas e plantas. As pregas, os genitais, as unhas. Existem formas ligeiras da doença, com atingimento de menos de 5% da superficie corporal. As formas moderadas e as graves( >10% area corporal afetada) , além da maior visibilidade das lesões, causam desconforto e prurido. Nas formas palmo-plantares os doentes reportam dificuldades no manuseamento de objetos e na locomoção.
 
VH | Quais os fatores de risco associados à psoríase?
PF | A psoriase é uma doença imuno-inflamatória crónica, com etiologia multifatorial. Existe predisposição genética, com tendência para a agregação familiar de casos. Nesta base genética , que torna os doentes mais predispostos a desenvolver a doença cutânea, e suas comorbilidades, vão atuar fatores ambientais, e também fatores endógenos. Destacam-se as infeções bacterianas e viroses, fármacos, tabaco, alcool, stress, e os traumatismos locais ou agressões repetidas da pele. Sem esquecer desequilibrios hormonais e metabólicos, a obesidade e excesso de peso são estatisticamente um dado preocupante, com tendência a aumentar, propiciando inflamação sistémica e condicionando a eficácia das estratégias terapêuticas.
 
VH | Que outros problemas podem estar associados à psoríase?
PF | A visibilidade das lesões é o maior problema, com compromisso marcado da auto-imagem e auto-estima, conduzindo , infelizmente, muitas vezes por ignorãncia e falta de educação cientifica e civica,á desvalorização pessoal, estigmatização e isolamento, terreno propicio ao aparecimento das comorbilidades psico-psiquiátricas( Tristeza, depressão, ideacção suicida). A psoriase está associada a diversas comorbilidades como a doença cardiovascular, a síndrome metabólica, o fígado gordo, a obesidade e a mais prevalente artrite psoriásica. De assinalar a existência de correlação entre a prevalência destas comorbilidades e o grau de gravidade da psoriase, uma verdadeira doença sistémica.
 
VH | Que tratamentos estão disponíveis atualmente?
PF | O tratamento envolve abordagem multidisciplinar e personalizada de cada doente, tendo em ponderação a idade, extensão e locais envolvidos, comorbilidades e factores comportamentais, visando a educação, a colaboração e a adesão aos tratamentos actualmente disponiveis.
Nas formas ligeiras a moderadas, localizadas, as terapêuticas tópicas são geralmente eficazes.Existem novos preparados comerciais mais eficazes e convenientes,visanado aumentar a compliance e persistência dos doentes.
Nas formas moderadas a graves, bem como naquelas resistentes aos tópicos, ou em localizações mais dificeis de tratar, ou ainda , com forte impacto na qualidade de vida do doente (face, unhas, genitais, pregas, couro-cabeludo, palmo-plantares,...), optamos pela fototerapia, em ciclos alternados com terapêuticas sistémicas convencionais - metotrexato, ciclosporina e acitretina.
Os biotecnológicos, com niveis de eficácia e efetividade superiores, ou mesmo de excelência, reservam-se para os casos onde as abordagens convencionais não são já alternativa, seja pelo perfil de segurança, tolerabilidade, toxicidade, ou mesmo falência terapêutica primária ou secundária. Permitem o controlo da doença na grande maioria, quase totalidade, dos doentes graves. 

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