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Entrevista
Dia Mundial da Contraceção: a importância dos métodos contracetivos
terça-feira, 29 setembro 2020 13:34
Por: Diana Martins, ginecologista no Hospital Beatriz Ângelo
Dia Mundial da Contraceção: a importância dos métodos contracetivos
Para assinalar o Dia Mundial da Contraceção que se celebrou no passado dia 26 de setembro, a Vital Health conversou com Diana Martins, ginecologista no Hospital Beatriz Ângelo, sobre a evolução da contraceção, os métodos naturais e os prejuízos e benefícios da pílula.
 

A pílula celebra também, este ano, 60 anos desde o seu desenvolvimento. Diana Martins desvenda que “em 1960, o desenvolvimento da pílula foi feito em segredo, porque os contracetivos estavam oficialmente proibidos dos Estados Unidos”. Ao longo dos anos, a facilidade de acesso e a normalização do uso de contraceção foi uma das grandes vitórias, nesta área. “Atualmente, a informação é facilmente acessível e o acesso aos métodos é gratuito e tendencialmente universal”, acrescenta.

Com o evoluir da técnica, começaram a surgir novas opções de contraceção e as doses hormonais diminuíram, facilitando o processo de personalização do melhor método para cada mulher, o que a expõe a menores riscos.

No entanto, ainda atualmente existem riscos no uso da pílula. “O tromboembolismo venoso é um dos mais graves, depende da dose hormonal e é mais elevado no primeiro ano de utilização. Quando a mulher tem mais de 35 anos, é obesa, fumadora, entre outras caraterísticas, este risco torna-se demasiado elevado e torna-se imperativo escolher outro método de contraceção”, explica a ginecologista.

Por outro lado, a pílula também traz benefícios para a mulher tais como “o controlo do ciclo menstrual, diminuição do fluxo e com isso prevenção da anemia, a diminuição da dor menstrual, controlo de algumas formas ligeiras de acne ou ainda a longo prazo a diminuição do risco de cancro do ovário, endométrio ou colorectal, por exemplo” e realçando o facto de ter um efeito contracetivo eficaz.

Ao longo dos anos, a contraceção veio a ganhar novas opções para se adequar melhor às necessidades de cada pessoa, tendo em conta a idade, o planeamento familiar e os problemas de saúde.

Para a contraceção da mulher, existem métodos de curta duração, de longa duração e métodos definitivos. As pílulas, o adesivo e o anel vaginal são métodos de curta duração, funcionando através de uma administração regular e mantida de uma dose de hormonas similares às da própria mulher e que por serem contantes não permitem o pico ovulatório. Nos métodos de longa duração, existem o dispositivo de cobre (DIU), o sistema intrauterino (SIU) e o implante subcutâneo. Estes últimos libertam forma contínua uma hormona que mantém a capacidade ovulatória também adormecida, durando entre três a cinco anos e o seu efeito é completamente reversível após a remoção. Por último, a laqueação de trompas corresponde a um método cirúrgico e irreversível de contraceção.

A verdade é que para a contraceção masculina, “as opções são mais limitadas, variando apenas entre o preservativo e a vasectomia, método cirúrgico e definitivo”, sublinha Diana Martins.

Se por outro lado se optar por recorrer a métodos naturais, deve ter-se em conta que “as grandes limitações destes métodos são a sua baixa eficácia uma vez que por muito regular que seja o ciclo menstrual da mulher, há sempre variações que podem levar a alterações do período fértil. Para fugir ao uso de métodos hormonais apenas dispomos do preservativo ou do DIU de cobre.”

Apesar da utilização de contraceção e de qual método se optar, o planeamento familiar traz benefícios para todas as mulheres. “Do ponto de vista médico, a contraceção eficaz é essencial em mulheres com patologias graves descompensadas, nas quais uma gravidez poderia colocar a vida em risco. Permite que o intervalo entre gestações seja maior e permite à mulher, caso assim o deseje, evitar gravidezes nos extremos da vida reprodutiva que têm complicações associadas.

Do ponto de vista sociodemográfico, a contraceção permitiu felizmente diminuir a gravidez na adolescência, abandono escolar e limitações profissionais das mulheres em função da vida reprodutiva”, pelo que deve ser tido em conta.

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