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Entrevista
Tiago Torres: Um impacto físico e psicológico com diminuição da qualidade de vida dos doentes
quarta-feira, 28 outubro 2020 09:01
Por: Tiago Torres, Assistente Hospitalar no Serviço de Dermatologia do CHUP
Tiago Torres: Um impacto físico e psicológico com diminuição da qualidade de vida dos doentes

A propósito do Dia Mundial da Psoríase, o Vital Health conversou com Tiago Torres, especialista em Dermatologia e Assistente Hospitalar no Serviço de Dermatologia do Centro Hospitalar Universitário do Porto, que abordou o facto de as comorbilidades associadas à psoríase afetarem a qualidade de vida do doente e deixou conselhos para lidar com a patologia no contexto de COVID-19.

 

Vital Health (VH) | Quais as particularidades da psoríase, que a distinguem de outras doenças de pele? E quais as doenças associadas?
Tiago Torres (TT) | A psoríase é uma doença inflamatória crónica, imuno-mediada que se estima que afete cerca de 250 mil portugueses. Associa-se a um marcado impacto físico e psicológico com consequente diminuição da qualidade de vida dos doentes. Clinicamente, manifesta-se por placas eritemato-descamativas envolvendo preferencialmente os cotovelos, os joelhos, a região lombo-sagrada e o couro cabeludo, associando-se frequentemente a prurido. Cerca de 30% dos doentes desenvolvem uma forma de doença articular, denominada de artrite psoriática. Adicionalmente, hoje em dia a psoríase é considerada uma doença sistémica, que vai para além da pele, associando-se a múltiplas comorbilidades, essencialmente cardiometabólicas (obesidade, diabetes, hipertensão, entre outras), que se traduz num aumento do risco de doença cardiovascular e a uma esperança média de vida diminuída em cerca de 5-6 anos nos doentes com psoríase grave.

VH | Que impacto tem na qualidade de vida do doente?
TT | A psoríase associa-se a um importante impacto físico e psicológico com consequente diminuição da qualidade de vida dos doentes. Não só devido às visibilidade e sintomatologia das lesões, mas também devido às múltiplas comorbilidades associadas, como a doença cardiovascular, artrite psoriática, depressão e ansiedade. Na realidade, está demonstrado, desde há vários anos, que o impacto da psoríase na qualidade de vida é superior ao de muitas outras patologias habitualmente consideradas mais graves, como o cancro, a diabetes ou a doença cardiovascular. Assim, a psoríase não só se associa a uma diminuição da qualidade de vida e a uma maior mortalidade, como também à diminuição da produtividade laboral e aumento da utilização dos sistemas de saúde, com consequente impacto económico e social.

VH |Quais os sinais de alerta que devem ser tidos em conta para que se procure um especialista?
TT | A presença de doença extensa, que que não responde à terapêutica prescrita ou de sintomatologia articular deve levar o doente a procurar ajuda especializada na dermatologia e/ou reumatologia.

VH |Quais os tratamentos recomendados?
TT | Nas formas ligeiras e localizadas, as terapêuticas tópicas são geralmente eficazes. No entanto, um dos maiores desafios no tratamento tópico é a fraca adesão à terapêutica por parte do doente, muitas vezes desagradável e difícil de aplicar. Contudo, têm sido desenvolvidos esforços na tentativa de criar tratamentos tópicos mais fáceis e agradáveis de aplicar (em espuma, por exemplo), com o objetivo de aumentar a adesão ao tratamento e, por conseguinte, a eficácia.
Nos casos mais graves, as terapêuticas sistémicas convencionais (metotrexato, ciclosporina e acitretina) e a fototerapia permitem o controlo da doença na grande maioria dos doentes. No entanto, têm possíveis efeitos secundários que obrigam a uma monitorização clínica e analítica periódica.

VH | Analisando o doente psoriático no contexto de COVID-19, existem riscos acrescidos? E que cuidados especiais devem ser tidos em conta?
TT | Os dados que temos atualmente, mostram que a psoríase, por si só, não aumenta o risco de pior prognóstico da COVID-19. Adicionalmente, também muitos dos tratamentos utilizados na psoríase não parecem aumentar esse risco. No entanto, muitas das comorbilidades associadas à psoríase, como obesidade, diabetes, hipertensão ou doença cardiovascular, são reconhecidos preditores de risco para a COVID-19, aumentado assim o risco dos doentes com psoríase. Portanto, os doentes com psoríase devem manter os cuidados de prevenção de contágio, corrigir dentro das suas possibilidades as comorbilidades associada a pior prognóstico da COVID-19, discutirem com o seu médico dermatologista o seu risco individual e, preferencialmente, não devem suspender a sua terapêutica a não ser por decisão do seu médico, ou em caso de infeção COVID-19.

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