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Entrevista
Alternativas a fumar cigarros convencionais. Qual o impacto na sociedade?
quarta-feira, 05 junho 2019 12:53
Por: Gizelle Baker, Philip Morris International
Alternativas a fumar cigarros convencionais. Qual o impacto na sociedade?
Atualmente, há mais de mil milhões de fumadores em todo o mundo e esse número irá manter-se num futuro próximo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Em entrevista ao Vital Health, Gizelle Baker, diretora do departamento de Scientific Engagement da Philip Morris International (PMI) explicou o seu percurso profissional, a aposta em investigação e desenvolvimento científico da PMI para reduzir os riscos associados ao consumo de tabaco, como a criação do Sistema de Aquecimento de Tabaco (SAT). Esclareceu ainda as diferenças entre o SAT, os cigarros e outros produtos alternativos aos cigarros.

 

Uma cientista a trabalhar na Philip Morris International (PMI)
 

Vital Health (VH) | Qual foi a sua motivação para ir trabalhar para a Phillip Morris International e como começou o seu percurso profissional?

Gizelle Baker (GB) | Sou epidemiologista e especialista em bioestatística de formação. A maior parte da minha carreira foi passada na área farmacêutica e de dispositivos médicos.

Quando tomei conhecimento que se encontrava aberta uma vaga na PMI, pensei que era uma grande oportunidade de aprendizagem e evolução na minha carreira profissional, porque era a primeira vez que seriam integradas, na mesma posição, as minhas duas áreas de interesse (Bioestatística e Epidemiologia).

Mas, à medida que comecei a perceber melhor o que a PMI estava a fazer, os produtos sem combustão e sem fumo que estavam a desenvolver, e a sua visão de proporcionar aos fumadores adultos, que, de outra forma, continuariam a fumar, produtos alternativos aos cigarros e que são melhores opções para a saúde desses fumadores, fiquei verdadeiramente motivada e percebi que queria fazer parte desta empresa.

 

VH | Qual a sua função actual no departamento de "Scientific Engagement"?
GB | No departamento de Scientific Engagement, estamos empenhados no estudo e na disseminação dos aspetos científicos dos nossos produtos sem combustão e sem fumo, nomeadamente na comunicação sobre a redução dos riscos associados ao consumo de tabaco e no papel que estes novos produtos podem desempenhar na redução dos riscos ao nível da população.
 

Diferenças entre o sistema de aquecimento de tabaco (SAT) e os cigarros convencionais ou outras alternativas

VH | Quais a diferenças entre as unidades de tabaco do SAT e os cigarros?
GB | Quer as unidades de tabaco aquecido, quer os cigarros são feitos de tabaco. A grande diferença é que as unidades de tabaco são aquecidas a temperaturas inferiores a 350ºC, em vez de serem consumidos através de um processo de combustão.
O SAT gera um vapor de tabaco (não se trata de fumo) que contém, em média, níveis de substâncias tóxicas que são inferiores em média 90 a 95% aos níveis do fumo do cigarro, e sem nanopartículas sólidas à base de carbono. As unidades de tabaco aquecido foram concebidos especificamente para funcionarem em conjunto com o dispositivo SAT.
 

VH | Quais as diferenças entre o SAT e os cigarros eletrónicos?

GB | O SAT contém tabaco que é aquecido para produzir um vapor que contém nicotina, ao passo que os cigarros eletrónicos aquecem um líquido que contém nicotina, para gerar um vapor.
Em regra, ambos os produtos recorrem a um sistema eletrónico para gerar um vapor que contém nicotina, mas com níveis de substâncias tóxicas substancialmente reduzidos. Como o SAT contém tabaco, aproxima-se do ritual de fumar cigarros, pelo que é mais fácil para os fumadores abandonarem completamente os cigarros.
 

VH | O que distingue o SAT do snus?

GB | Quer o SAT, quer o snus, são produtos de tabaco, e são uma alternativa melhor ao consumo continuado de cigarros, porque são produtos sem combustão.
O SAT utiliza um dispositivo, equipado com uma lâmina de aquecimento, para aquecer a unidade de tabaco e disponibilizar um vapor de tabaco que contém níveis significativamente mais baixos das substâncias tóxicas, que são a causa principal de doenças relacionadas com o consumo de cigarros.
O snus é uma forma húmida de tabaco sem fumo que é colocado sob o lábio e que fornece nicotina através das mucosas. No entanto, cada um deles proporciona aos fumadores um ritual e uma experiência muito diferentes.
 

Estudos científicos da Philip Morris International (PMI) sobre o impacto na Saúde da mudança de cigarros para Sistema de Aquecimento de Tabaco (SAT)

VH | Quais as conclusões dos estudos dos modelos de impacto do consumo dos cigarros e do sistema de Aquecimento de Tabaco (STA) na saúde das populações, quando a PMI compara os diferentes países? Existe alguma tendência geral?
GB | Temos modelos que avaliam o impacto que a introdução de um produto de risco reduzido poderá eventualmente ter em países tais como os Estados Unidos da América (EUA), Japão, Itália, Singapura, etc.. O modelo é um modelo contrafactual (1990 e 2010) que inclui 20 anos de seguimento e incorpora duas grandes componentes: a componente de prevalência e a componente de risco epidemiológico. Utiliza a prevalência real de consumo de cigarros no país especificado, juntamente com o risco relativo de fumar, específico do país, em comparação com nunca se ter fumado. Estas estimativas são calculadas a partir dos dados epidemiológicos, e incorporam uma estimativa da natureza relativa do risco do Sistema de Aquecimento de Tabaco (SAT), específico do produto, e com base na composição química do aerossol, na avaliação toxicológica, e dados clínicos e não clínicos recolhidos até à data, utilizando o SAT e comparando com o abandono do consumo de cigarros.
A tendência geral que observamos em todos os países, quando modelamos o impacto na saúde da população, resultante da introdução no mercado de um produto de tabaco de risco reduzido, é a redução significativa do número de mortes atribuídas ao consumo de cigarros. Sejamos claros, nenhum modelo é perfeito, pelo que, antes de implementarmos o modelo, executamos muitas simulações e análises de sensibilidade, para garantir que compreendemos todos os potenciais impactos que a introdução de um produto de risco reduzido poderá ter na população, incluindo os potenciais impactos causados pela sua utilização não intencional.
Queremos ter a certeza de que identificamos os tipos de eventos que teriam de ocorrer para que fossem anulados os benefícios para a saúde pública que poderiam decorrer da introdução do SAT. E aquilo que verificamos é que, independentemente do país que estamos a analisar, em todos os cenários, com exceção dos mais extremos, a introdução do SAT traria benefícios para a saúde pública. Aquilo que sabemos, através do modelo e em conjunto com os dados que estão a ser recolhidos pela monitorização pós-comercialização, é a probabilidade da introdução de produtos de risco reduzido, como o SAT, resultar numa redução significativa do número de mortes atribuídas ao tabagismo.

 

VH | Os estudos que avaliam a resposta biológica dos fumadores que mudaram para o SAT têm um máximo de 6 meses de seguimento. Pensam realizar estudos de maior duração?
GB | Divulgámos recentemente os dados do nosso Estudo de Resposta à Exposição, que avalia a resposta biológica dos fumadores que mudaram para o SAT durante seis meses, comparativamente aos fumadores que continuaram a fumar.
O estudo avaliou um conjunto de parâmetros mensuráveis de risco clínico associados a doenças relacionadas com o consumo de cigarros, como doenças cardíacas e pulmonares, abrangendo vários sistemas de órgãos, etiologia de doenças e mecanismos biológicos, como, por exemplo, inflamação e stress oxidativo, para termos uma visão a curto prazo dos efeitos a longo prazo.
O estudo satisfez o seu objetivo principal, demonstrando que, depois de decorridos seis meses, oito parâmetros mensuráveis de resposta biológica (os parâmetros primários mensuráveis de risco clínico) registaram melhorias nos fumadores que mudaram para o SAT, com melhorias estatisticamente significativas na maioria dos parâmetros mensuráveis, comparativamente às pessoas que continuaram a fumar.
Este estudo de seis meses foi concebido em conjunto com um estudo adicional, de seis meses; e teremos esses resultados de 12 meses em breve.
Para além disso, agora que compreendemos as alterações benéficas de curto prazo, que podem ser observadas em fumadores saudáveis que mudaram para o SAT (em comparação com as pessoas que continuaram a fumar), estamos a considerar a realização de estudos de mais longo prazo, onde iremos analisar o impacto destes produtos em situações de doença. Concluímos já a fase clínica de um estudo na área da saúde oral (periodontite), e estamos a trabalhar para desenvolver e implementar estudos que avaliam diretamente outras doenças relacionadas com o consumo de cigarros, tais como doenças cardiovasculares e respiratórias.
 

VH | Nesse estudo de resposta à exposição, os parâmetros como idade, sexo, comorbidades, frequência de tabaco consumido, foram distribuídos equitativamente pelos dois braços do estudo (cigarros convencionais versus SAT)?

GB | Globalmente, no Estudo de Resposta à Exposição (mencionado anteriormente) o consumo diário médio de produtos de tabaco (cigarros convencionais + unidades de tabaco aquecido) foi similar nos dois segmentos (SAT=18,5 versus Cigarro=16,9). Convém referir que os utilizadores de SAT utilizaram as unidades de tabaco aquecido como principal produto de tabaco (70% do consumo de tabaco, no mínimo), e a utilização concomitante de cigarros chegou aos 30%.
O estudo foi conduzido junto de fumadores adultos saudáveis que teriam, de outra forma, continuado a fumar, pelo que, por conceção, as comorbidades foram limitadas neste estudo. O processo de amostra aleatória ajuda a equilibrar os braços do estudo, no que se refere a muitos dos elementos que podem causar confusão no início, e tiveram como resultado um bom equilíbrio entre os dois braços em termos de idade, sexo e raça, bem como em termos dos restantes potenciais elementos causadores de confusão.
 

VH | Um estudo de 3 braços (fumadores que mudaram para o SAT versus fumadores que continuaram a fumar cigarros versus fumadores que deixaram de fumar) permitiria determinar a extensão do impacto do SAT na saúde, comparativamente às pessoas que também deixaram de fumar. Quando irá ser realizado este tipo de estudo?

GB | Os melhores estudos para avaliar o impacto na saúde relacionado com o tabaco são os estudos de pós-comercialização de longo prazo. Na realidade, este tipo de estudos só pode ser realizado quando o produto já está no mercado e podemos inscrever participantes dessas três populações: fumadores que continuam a fumar, fumadores que mudaram para o novo produto e fumadores que deixaram realmente de fumar, porque sabemos que não é exequível utilizar um estudo clínico de amostra aleatória como mecanismo para levar um fumador que não tem intenção de deixar de fumar, a deixar realmente de fumar.
Agora que o SAT é comercializado em 47 países e há uma base de consumidores significativa (aproximadamente 7,3 milhões de fumadores adultos em todo o mundo deixaram de fumar cigarros e mudaram para o SAT), estamos a trabalhar proactivamente no desenvolvimento e implementação de estudos desse tipo, os quais, com o tempo, fornecerão dados que podem responder a essas perguntas.
De facto, conforme mencionado anteriormente, o primeiro desses estudos está já a decorrer, começarão mais em 2019 e estão a ser desenvolvidos mais estudos. Uma vez que se tratam de estudos a mais longo prazo, irá demorar algum tempo até termos os dados, mas estas são perguntas importantes que devem ser respondidas e, enquanto empresa, estamos empenhados na realização de estudos deste tipo.
 

VH | Têm a aprovação do Center for Tobacco Products da Food and Drug Administration (FDA), para poderem afirmar legalmente que o SAT é um produto de tabaco de risco reduzido?

GB | Recentemente, a 30 de abril a FDA confirmou que a comercialização do SAT é apropriada para a proteção da saúde pública e autorizou a sua comercialização nos EUA. A decisão da FDA decorre de uma avaliação científica rigorosa e abrangente do nosso dossier técnico e cientifico submetido conjuntamente com o pedido de autorização para comercialização de novos produtos de tabaco nos EUA. Para além deste processo de pré-comercialização agora aprovado, a PMI apresentou igualmente um conjunto abrangente de evidência científica e um pedido de autorização de comercialização de um produto de tabaco de risco modificado (para fazer alegações acerca da redução de risco, redução de nocividade e redução de exposição do SAT), processo cuja análise prossegue ainda por parte da FDA.

PMI Science

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