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Doença alérgica: tratamento com abordagem holística
terça-feira, 30 abril 2013 12:38

artigo mgf iStock 000000180760 L2 4c024O tratamento da doença alérgica requer uma abordagem holística do doente. Essa visão global da pessoa une, de forma especial, imunoalergologistas e médicos de família.


"A população pode confiar nos seus médicos de família, cada vez mais preparados para fazer a gestão dos problemas de saúde, coordenando as avaliações e intervenções de outras especialidades, como é o caso da imunoalergologia", disse ao Jornal Médico Mário Morais de Almeida, presidente da SPAIC (Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica).


"Desde sempre considerámos que o imunoalergologista é o MF dos doentes alérgicos. E os médicos de família sabem que podem contar com esta especialidade e que o diálogo é muito fácil", acrescentou.


A ligação entre ambas as especialidades é óbvia: "Abordamos todos os grupos etários de uma maneira holística." Esse é um fator determinante na correta abordagem das doenças alérgicas, "situações maioritariamente crónicas, frequentemente com manifestações múltiplas e complexas". Isso implica que sejam "bem caracterizadas clinicamente, permitindo que sejam bem diagnosticadas, classificadas e avaliadas em termos de gravidade e controlo".


Tal como noutras patologias muito frequentes na população, "é essencial o papel dos médicos de família, pois, são estes os profissionais que, na linha da frente, devem identificar, acompanhar e orientar também imensos casos de doença alérgica, tendo cada vez maior capacidade para diagnosticar e instituir bons programas de controlo. Em casos particulares, por exemplo, quando a gravidade se manifesta, quando a qualidade de vida se encontra comprometida, quando as complicações estão presentes ou quando é desejável uma abordagem mais especializada, então os critérios de referenciação devem estar bem presentes e o trabalho de equipa, médico de família/imunoalergologista, permite significativos ganhos em saúde, sendo estes conseguidos com enorme redução de custos, diretos e indiretos".

 

Doenças alérgicas afetam milhões de portugueses
As reações alérgicas são respostas exageradas do organismo humano após o contacto com o ambiente que o rodeia. Mais frequentes quando existe uma tendência familiar, "são um excesso de defesas", que afetam perto de um terço da população e incidem sobre todos os grupos etários.


De acordo com o presidente da SPAIC, "mais de 20% da população tem queixas atuais de rinite; cerca de 10% tem asma; mais de 10% eczema atópico; 20% dos adultos tiveram pelo menos um episódio de urticária; mais de 5% têm alergia alimentar; até 5% estão sensibilizados a venenos de insetos - vespas ou abelhas; um número considerável sofre de alergias medicamentosas; a patologia alérgica ocupacional é frequente. A anafilaxia está muito presente e pode ser fatal".


A par de várias variáveis ambientais, alguns fatores de risco relacionados com o estilo de vida têm um peso significativo no "aumento da expressão quase explosiva das doenças alérgicas nas últimas décadas".

 

Doente alérgico: uma abordagem complexa
A avaliação do doente alérgico é frequentemente complexa. Num correto programa de abordagem que visa alcançar o controlo, o presidente da SPAIC refere que, "para além da instituição da terapêutica farmacológica, face às manifestações clínicas, é importante identificar e evitar a(s) causa(s) das queixas". Nomeadamente, "os alergénios do ambiente exterior ou interior dos edifícios, alimentos ou medicamentos, produtos químicos relacionados, por exemplo, com atividades profissionais ou de lazer".


Além disso, "para o doente alérgico, existem outras razões para os sintomas se manifestarem, agravando a problemática destas afeções, ou seja, existem sempre respostas específicas e outras razoavelmente inespecíficas, como é o caso dos poluentes, não esquecendo o tabaco, a atividade física, desejável, mas por vezes difícil, se a patologia não estiver controlada, ou as infeções respiratórias, entre muito outros fatores".

 


Tratamento: rentabilizar recursos e evitar o desperdício
De acordo com Mário Morais de Almeida, "temos atualmente acesso aos métodos de diagnóstico e de tratamento necessários e suficientes para controlar a quase totalidade dos casos de doença alérgica, em todos os grupos etários, da criança ao adulto".


Da avaliação diagnóstica às medicações para tratamento das agudizações ou aos fármacos que permitem atingir uma adequada qualidade de vida, "os meios estão disponíveis, embora exista ainda espaço para inovação, a qual deverá ser sempre criteriosamente enquadrada nos ganhos que permita alcançar".


Mas, simultaneamente, "devemos garantir e zelar pela aplicação das melhores práticas clínicas, podendo-se obter o mesmo grau de controlo a custos muito diferentes. E se a saúde não tem preço, gastos tem de certeza e, no momento atual, importa rentabilizar os recursos disponíveis, minimizando todo e qualquer desperdício".


Exemplificando com o caso da asma, o nosso interlocutor sublinha que, se aqui importa aumentar a disponibilidade da avaliação inicial e a monitorização da doença com recurso a provas funcionais respiratórias, "noutras áreas a contenção deverá ser a regra, como acontece com os pedidos indiscriminados de exames laboratoriais, com pouca ou nenhuma influência na decisão clínica".

 

Contactos úteis
Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica
Rua Manuel Rodrigues da Silva, 7C – Escritório 1
Telef: 21 715 24 26/7
Fax: 21 715 24 28
Email: spaic@sapo.pt

 

Texto original publicado no Jornal Médico, N.º 3, maio 2013

 

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