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O Coração e a síndrome de apneia do sono
quinta-feira, 14 março 2019 10:54
A síndrome de apneia do sono é uma patologia com elevada prevalência na população e com enormes consequências clínicas, sendo considerada atualmente um problema de Saúde Pública.

 

Vital Health (VH) | Porque é que os doentes com síndrome de apneia do sono têm maior risco de doenças cardiovasculares?
Paula Pinto (PP) | A síndrome de apneia do sono é uma situação caracterizada por paragens respiratórias que se repetem várias vezes ao longo da noite e que originam diminuição dos níveis de oxigénio no sangue e despertares. Estes levam a uma má qualidade do sono, que se pode traduzir em hipersonolência durante o dia, podendo o doente adormecer com facilidade mesmo a conduzir ou no local de trabalho. Por outro lado, a redução dos níveis noturnos de oxigénio no sangue podem levar a um aumento do risco de doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial, enfarte e arritmias, tendo estas sido apontadas como responsáveis pelo aumento da mortalidade observada nestes doentes. Existe um padrão circadiário de morte súbita na síndrome de apneia do sono, tendo os doentes com esta patologia um pico de morte de causa cardíaca durante as horas de sono, entre a meia-noite e as seis da manhã, contrariamente aos indivíduos sem síndrome de apneia do sono, em que o pico de morte de causa cardíaca ocorre entre as seis da manhã e o meio-dia. Num estudo realizado na consulta de Patologia do Sono do Centro Hospitalar Lisboa Norte, verificou-se que em 305 doentes com síndrome de apneia do sono, 60% dos mesmos apresentavam hipertensão arterial, 12% sofriam de enfarte e 11% de arritmias.
 
VH | Qual é a doença cardiovascular mais frequente nos doentes com síndrome de apneia do sono?

PP | A apneia do sono é um fator de risco para hipertensão arterial, sendo esse risco tanto maior quanto maior a gravidade da doença. O padrão de hipertensão arterial destes doentes é totalmente diferente do observado nos indivíduos hipertensos não afetados pela apneia do sono, pois naqueles os valores tensionais não diminuem durante a noite e a hipertensão é muito frequentemente refratária ao tratamento.

VH | Que outras doenças cardiovasculares se associam à síndrome de apneia do sono?

PP | A síndrome de apneia do sono é atualmente considerada também um fator de risco para o desenvolvimento de doença coronária, podendo esta estar presente em cerca de 25% dos doentes com síndrome de apneia do sono. É de salientar que pode existir doença coronária subclínica, (traduzida por calcificações das artérias coronárias que constituem marcadores de aterosclerose) em cerca de 67% de doentes com apneia do sono. Os doentes com apneia do sono apresentam ainda um risco duas a quatro vezes superior de desenvolverem arritmias, sendo a fibrilhação auricular a mais frequente. A presença de arritmias noturnas em doentes com apneia do sono pode explicar o aumento da prevalência de morte súbita descrita recentemente neste grupo de doentes. A presença de síndrome de apneia do sono associa-se também a um risco duplo de desenvolvimento de insuficiência cardíaca. Tendo em conta o impacto negativo da apneia do sono no prognóstico dos doentes com esta patologia associada, tem sido sugerido que todos os doentes com insuficiência cardíaca devam ser investigados com estudos do sono para despiste de síndrome de apneia do sono. A prevalência de síndrome de apneia do sono entre os doentes que já tiveram acidentes vasculares cerebrais é elevada, podendo variar entre 44 a 74%. A presença de apneia do sono nos doentes com acidentes vasculares cerebrais confere um maior risco de mortalidade prematura. É de salientar que a ocorrência de acidentes vasculares cerebrais nos doentes com síndrome de apneia do sono pode ser precedida por doença cerebrovascular subclínica, frequentemente designada como enfarte cerebral silencioso, que pode ser detectável através de ressonância magnética cerebral.

 

VH | O tratamento da síndrome de apneia do sono reduz as complicações cardiovasculares?

PP | O tratamento da síndrome de apneia do sono com CPAP é muito eficaz, reduzindo a hipertensão arterial associada a esta patologia, um efeito que é notável a curto e a longo prazo, tendo sido provado que uma redução da pressão arterial de cerca de 10 mmHg se traduz numa diminuição significativa de eventos coronários (37%) e de acidentes vasculares cerebrais (56%). A terapêutica com CPAP também diminui grandemente o risco de eventos arrítmicos.

 

Desta forma, os doentes hipertensos, com doença coronária, com arritmias e com insuficiência cardíaca com clínica sugestiva de síndrome de apneia do sono deverão ser enviados a um centro especializado em patologia do sono para realização de uma polissonografia para diagnóstico e tratamento correto deste distúrbio do sono.

 

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