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Opinião
Saberes e competências do pai antes, durante e após o parto
sexta-feira, 18 outubro 2013 10:27
Por: Olga Pousa, vice-presidente da Associação Portuguesa de Enfermeiros de Cuidados de Saúde Primários (APECSP)
Saberes e competências do pai antes, durante e após o parto

Saberes e competências do pai antes, durante e após o partoA presença do pai na sala de partos é uma das evoluções mais marcantes em Saúde Materna e Obstetrícia. Já a OMS refere que os cuidados pré-natais e no pós-parto devem ser dirigidos à família e centrados nas necessidades da mulher, filho e companheiro. 

A investigação nesta área é ainda escassa e ao longo da minha atividade profissional, na realização das aulas de preparação para o parto, surgiu uma grande necessidade de saber como é que os pais que realizam sessões educativas de preparação para o parto junto com as suas mulheres/companheiras mobilizam posteriormente os saberes adquiridos para as ajudar durante o trabalho de parto e nascimento.

A presença do pai na sala de partos é muito importante e cabe aos enfermeiros especialistas em saúde materna e obstetrícia proporcionar-lhes uma aprendizagem adequada às suas necessidades e permitir que sintam apoio para conseguir aplicar estes conhecimentos e assim sentirem-se úteis e parte integrante de todo este processo de trabalho de parto e nascimento.

A preparação para o parto surge como uma oportunidade de informar, esclarecer e preparar a grávida e acompanhante, não só para uma participação ativa como também para uma maior colaboração com todos os profissionais da equipa multidisciplinar presentes no momento do trabalho de parto e nascimento, de forma a que este processo seja gratificante para o casal e se torne, num momento importante para o desenvolvimento da relação conjugal e para a aceitação da parentalidade.

Após a análise e discussão dos dados obtidos através das entrevistas realizadas aos pais, no âmbito deste trabalho de investigação, foi possível verificar o que alguns estudos foram revelando sobre esta problemática.

Assim, relativamente às expectativas que tinham sobre as aulas de preparação para o parto, verificou-se que estas representam para os pais uma forma de adquirirem informação fidedigna e apoio profissional, de maneira a conseguirem ter uma participação mais ativa e segura durante o trabalho de parto e parto da mulher.

Embora todos os pais tenham considerado muito importante a participação nestas aulas, a vontade em se envolver nas mesmas difere, podendo assim identificar-se os diferentes estilos paternos de envolvimento na gravidez referidos por May.

Fazendo referência aos sentimentos vivenciados pelo pai durante o trabalho de parto e parto da mulher, verificou-se uma grande variedade de sentimentos.
Através dos depoimentos obtidos, foi possível verificar que os pais adquiriram, de forma consistente, saberes teóricos, conseguiram perceber qual a sua aplicação e em que situações, revelando aqui os saberes processuais.

Foi possível constatar que, na sua maioria, os pais consideraram o local que lhes foi atribuído ideal para poderem prestar apoio e conforto à mulher, não sentindo qualquer necessidade em observar o parto de uma outra perspetiva. O apoio que sentiram por parte dos profissionais foi muito importante e revelou-se essencial para conseguirem aplicar os saberes e competências adquiridos nas aulas. No entanto, este apoio não foi referido pela totalidade dos pais, tendo alguns revelado que a falta de apoio se traduziu num grande momento de tensão, ansiedade e angústia, que condicionou toda a vivência do trabalho de parto e parto por parte do casal.

Foi possível constatar que continuamos a ter pais observadores, mas que na sua maioria já passam de observadores para membros da equipa, ou seja, já temos pais cada vez mais participativos e assumindo vontade em serem úteis e querendo ajudar a mulher neste momento que assumem, também, como deles. Apenas um dos pais revelou características de pai orientador, tentando controlar e ajudar em todas as situações.

Este trabalho permitiu-me perceber as expectativas e necessidades dos pais durante as aulas de preparação para o parto. Este facto fez-me alterar um pouco o meu comportamento nas aulas, dando-lhes mais atenção, dirigindo o meu discurso para os dois e não apenas para a grávida e informando-os de quais as suas funções e o que podem ou não fazer.

Tem sido um trabalho muito gratificante e é muito bom quando os pais reconhecem o valor que as aulas de preparação têm, tanto para a mulher como para eles.

Olga Pousa, vice-presidente da Associação Portuguesa de Enfermeiros de Cuidados de Saúde Primários (APECSP)
Texto original publicado no Jornal Médico, N.º 7, outubro 2013 

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