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Opinião
Como melhorar a vida sexual na menopausa?
quarta-feira, 30 outubro 2013 12:53
Por: Teresa Paula, ginecologista, assistente hospitalar graduada da Maternidade Dr. Alfredo da Costa
Como melhorar a vida sexual na menopausa?

Teresa Paula, ginecologista, assistente hospitalar graduada da Maternidade Dr. Alfredo da CostaComo melhorar a vida sexual na menopausa? O que muda então com a idade e com a menopausa? Cada mulher envelhece de uma maneira particular, não há velhice e sim velhices. Sexualidade, segundo a OMS, é uma Energia que nos motiva a procurar... 

E se é fácil para todos fazer a ligação entre corpo e sexo na juventude, se estes corpos constituem, por si só, um estímulo sexual, e lidar com esta diferença numa era em que os mitos e novos estereótipos reclamam por juventude, ação e rapidez.

A perceção de que a vida sexual termina com o fim da vida reprodutora foi substituída pelo conhecimento de que uma atividade sexual satisfatória continua com o passar dos anos. Esta mudança de atitude advém do maior conhecimento científico da resposta sexual feminina e das características de uma nova geração de mulheres que procura cuidados neste campo.

Olhemos então para estas questões na menopausa – atividade sexual, problemas sexuais e disfunções sexuais. Dados demonstram que uma grande proporção da população feminina é sexualmente ativa na idade da menopausa.

Com a idade, há uma diminuição do desejo, do interesse sexual e da frequência de orgasmo. Alterações físicas, psicossociais e no relacionamento intercorrelacionam-se, afetando a qualidade da vida sexual na mulher.

Alterações físicas: embora não completamente estabelecida a relação entre estrogéneos e desejo sexual feminino, é de todos conhecida a sua ação na génese dos sintomas vasomotores e o no impacto que têm na qualidade de vida da mulher.

Os estrogéneos são responsáveis por manter o colagénio, as fibras elásticas e a vascularização do trato urogenital fundamentais para a sua integridade estrutural e funcional. A diminuição dos níveis de estrogénio, característica da menopausa, leva a atrofia, fibrose e diminuição da vascularização do trato urogenital, causando secura vaginal e dispareunia.

Para além da atrofia e da dispareunia, diversos estudos demonstraram a relação entre incontinência urinária e queixas sexuais. As alterações do sono e do humor têm também impacto na qualidade de vida.

As doenças crónicas podem interferir diretamente no desejo, excitação e orgasmo e indiretamente, ao causarem fadiga, dor, dependência e alterando a autoimagem. Os medicamentos que afetam o SNC afetam também a função sexual.

Aspetos do relacionamento: a meia-idade é um tempo de potenciais alterações nas relações do casal, a perda do parceiro, o ganho de um parceiro, uma mudança de sentimentos em relação a ele são fatores que diversos estudos têm demonstrado que influenciam a libido e a resposta sexual.

E agora, como podemos melhorar a vida sexual da mulher na menopausa? Diversos autores estão de acordo que os principais fatores que influenciam a vida sexual da mulher na menopausa são: a vida sexual anterior, perder ou ganhar um parceiro, os sentimentos em relação ao parceiro e só em 4.º lugar os níveis hormonais de estrogénios.

Várias modalidades de intervenção podem ser utilizadas simultaneamente. E, assim, se nada podemos fazer em relação à vida sexual anterior, podemos intervir nos níveis de estrogénios, oferecendo terapêutica hormonal, com estrogénios sistémicos.

De realçar que quanto mais precoce o tratamento melhor e que a terapêutica local com estrogénios deve ser sempre aconselhada. Estudos mostram que a tibolona, indicada no alívio dos sintomas da menopausa, aumenta as fantasias sexuais e a excitabilidade.

Sabe-se que a mulher não deprime por causa da menopausa, mas a depressão pode ser um fator precipitante de problemas sexuais.

E, finalmente, uma intervenção psicoterapêutica. De casal, direcionada a questões como conflitos, falta de comunicação, expectativas diferentes;
cognitivo-comportamental, direcionada à mudança de comportamentos, expandindo os conceitos de sexualidade, aceitando as limitações e as perdas; psicodrama e as terapias psicocorporais, que se orientam para o corpo.

O corpo conta uma história de vida. 

Teresa Paula, ginecologista, assistente hospitalar graduada da Maternidade Dr. Alfredo da Costa

 Texto original publicado na Women's Medicine, N.º 3, outubro 2013

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