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Opinião
Tratar a gripe

Tratar a gripe

Por: Jaime Pina, pneumologista e vice-presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão

terça-feira, 04 fevereiro 2014 14:15

Sendo a gripe uma importante doença infeciosa invernal, conhecer aspetos ligados à sua prevenção e tratamento são relevantes em termos de literacia em Saúde. Duas perguntas impõem-se: o que fazer para evitar a gripe? E como tratar a gripe?


Em princípio, um organismo em boa condição física resiste mais às doenças. Daí ser importante cultivarmos estilos de vida saudáveis, que passam por uma alimentação de qualidade, por atividade física regular e adaptada às condições físicas e à idade de cada pessoa, e pelo controlo adequado das doenças que vamos tendo ao longo da vida.

Igualmente importante, sobretudo nos períodos em que se verificam picos de atividade gripal, é evitar, tanto quanto possível, frequentar lugares com grande concentração de pessoas.

Uma medida simples e muito eficaz, que é utilizada de forma rotineira pelos profissionais da saúde e já utilizada pelas populações em casos de epidemia gripal, é a utilização de máscara. De facto, a máscara diminui o risco de se inalar partículas infecciosas quando se está junto de um doente com gripe. Deverá ser utilizada, de forma sistemática, sempre que houver casos de gripe no seio da família.

Outra medida que não deve ser esquecida é a da lavagem das mãos sempre que se manusear objectos que estiveram em contacto com pessoas doentes; estes objectos podem conter gotículas infetadas, facilmente transmissíveis.

Porém, a medida considerada mais eficaz é a vacinação. A vacinação é eficaz em 75% das situações, evitando o aparecimento de gripe. A vacina, que deve ser administrada anualmente, no Outono, destina-se, sobretudo, à proteção das pessoas que pertencem aos chamados grupos de risco, que incluem idosos, pessoas com doenças crónicas, pessoas com fragilidade do sistema imunitário, profissionais da saúde e todos aqueles que têm de frequentar instituições em que se verifica uma grande concentração de pessoas: hospitais, lares, escolas, prisões, etc.

Ao contrário da crença de muitas pessoas, a vacina antigripal, por não ser feita com vírus vivos, não pode provocar gripe. Por outro lado, como é elaborada a partir dos ovos de aves, as pessoas alérgicas a este alimento não devem ser vacinadas, pois podem verificar-se reações alérgicas desagradáveis. Igualmente, não devem ser vacinadas as crianças com menos de 6 meses de idade, as grávidas no primeiro trimestre de gravidez, pessoas com infeções agudas e as pessoas que tenham alergia a qualquer dos constituintes da vacina.

As reações que habitualmente estão associadas à vacina antigripal são as reações locais, traduzidas por um pequeno inchaço no local onde a vacina foi administrada (geralmente na parte superior e posterior do braço), inchaço que desaparece ao fim de 48-72 horas. Muito mais raramente podem acontecer as chamadas reações sistémicas, por vezes apresentando gravidade significativa.

Em caso de gripe deve recolher-se a casa, repousar, ingerir muitos líquidos, não fumar nem ingerir álcool, e tomar medicamentos que façam baixar a febre e diminuam as dores (nas crianças, devem evitar-se medicamentos à base de ácido acetil-salicílico, a conhecida Aspirina®). Nos últimos anos desenvolveram-se dois medicamentos para tratar a gripe – oseltamivir e zanamivir – que apresentam algum grau de eficácia se administrados imediatamente após o contágio. Porém, são medicamentos que devem ser administrados exclusivamente sob conselho médico.

Por ser uma doença viral os antibióticos não tratam a gripe. Apenas devem ser utilizados nos casos em que se verificam complicações infeciosas por bactérias, como por exemplo, a pneumonia bacteriana.

Com exceção dos casos graves, complicados, ou que afetam pessoas muito debilitadas, nos quais a passagem pelo hospital está indicada, a gripe trata-se no domicílio.

Vale a pena encarar a gripe com a devida atenção, não só pelas repercussões médicas, mas também pelas repercussões pessoais e sociais: a gripe é todos os anos responsável por um significativo absentismo escolar e laboral e por elevados custos em recursos de Saúde.

No nosso país, de acordo com estimativas elaboradas pela Organização Mundial de Saúde, num ano em que se verifique um surto significativo de gripe, poderão ser atingidos quinhentos mil a um milhão de pessoas, o que originará 900 a 1.800 óbitos.

Vale a pena estar atento a esta infeção e ter os comportamentos possíveis para a evitar, com um particular destaque para a vacinação, sobretudo nos grupos de risco.

Por Jaime Pina, pneumologista e vice-presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão

Texto original publicado na Farmácia Saúde janeiro 2014

 

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