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Opinião
Tenho imensa queda de cabelo! Será que vou ficar careca?
quarta, 04 novembro 2015 10:22
Por: Marisa Carpinteiro, Dermatologista
Tenho imensa queda de cabelo! Será que vou ficar careca?

A queda de cabelo pode ser difusa ou localizada e é classificada consoante há envolvimento do folículo piloso ou não, representando uma queda de cabelo irreversível ou reversível, respetivamente.

A nomenclatura médica para a queda difusa de cabelo é deflúvio (ou eflúvio). Esta é uma doença que está associada a uma alteração numa das fases do ciclo de crescimento do cabelo. O tipo de deflúvio varia de acordo com a fase do ciclo de crescimento do cabelo afetada. Cada folículo piloso é submetido a um turnover constante através de uma série de ciclos de crescimento (distintos para cada um dos folículos) e degenescência perpétuos; cada um destes ciclos compreende três fases distintas: uma fase de proliferação do cabelo - a anagénese, uma fase de involução - a catagénese, e uma fase de repouso - a telogénese.

A maioria dos doentes que procura ajuda médica por queda de cabelo tem um deflúvio telógeno (DT). Classicamente, esta é uma definição que se atribuía a uma queda de cabelo aguda e difusa provocada por vários fatores. Todavia, atualmente observam-se vários doentes com DT crónico, definido como uma queda de cabelo cuja duração é superior a seis meses.

O DT agudo é uma perda de cabelo difusa que ocorre cerca de três meses após um evento desencadeante, sendo habitualmente autolimitado (6 meses).

Há uma panóplia de fatores desencadeantes que têm sido associados a esta patologia, como sejam, período pós-febril, pós-parto, trauma major, cirurgias major, stress psicológico major. A perda de cabelo habitualmente não excede 50% da totalidade de cabelo. Pode haver uma diminuição generalizada da espessura do cabelo, mas é mais frequente esta ocorrer na região lateral do couro cabeludo (região bitemporal).

É perentório tranquilizar estes doentes e assegurar-lhes que não vão ficar carecas e que se trata de uma situação reversível, temporária e limitada. Se não existir uma causa aparente da queda de cabelo, poderão ser efetuadas algumas análises para rastreio de eventual doença subjacente.

Quando a queda de cabelo persiste mais de 6 meses, trata-se de um DT crónico e poderá não ter uma causa apurável (designando-se de primário), ou ser secundário a uma alteração sistémica: deficiência de ferro, má nutrição, doenças da tiroide, doença renal ou hepática crónica, lúpus, entre outras.

A maioria dos DT agudos são autolimitados e resolvem-se espontaneamente.

As causas de uma DT crónico podem ser multifatoriais e difíceis de estabelecer. As doenças subjacentes deverão ser tratadas e as carências nutritivas e/ou metabólicas reparadas.

Toda a medicação que poderá contribuir para queda de cabelo e que possa ser suspensa, deverá ser descontinuada. Nas mulheres jovens, é importante excluir dietas intensas que poderão estar na génese do problema.

No tratamento dos deflúvios poderá ser considerada a ingestão de suplementos dietéticos, bem como a aplicação tópica de alguns produtos/medicamentos para ajudar no crescimento dos novos cabelos.

Nalguns doentes, poderá ser importante o apoio psicológico para controlo da ansiedade associada ao receio de ficar sem cabelo.

Marisa Carpinteiro
Dermatologista no Centro de Dermatologia do Hospital Cuf Descobertas, em Lisboa, e coordenadora da Unidade de Dermatologia do Hospital Cuf Torres Vedras, em Torres Vedras.

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