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Opinião
Menopausa, o início de uma nova etapa da mulher
quinta-feira, 25 fevereiro 2016 11:20
Por: Teresa Fraga, ginecologista
Menopausa, o início de uma nova etapa da mulher

Define-se menopausa como o período da vida da mulher que se carateriza por ausência da função ovárica, o que quer dizer ausência ou diminuição acentuada das hormonas femininas. A menopausa pode surgir espontaneamente, quando se esgota o capital funcional dos ovários da mulher. Neste caso acontece habitualmente de uma forma progressiva e considera-se normal se surge entre os 45-55 anos de vida.

 

A menopausa pode ainda acontecer por interferência externa, como resultado de uma intervenção cirúrgica, em que os ovários são removidos; ou como resultado de tratamentos que interfiram com a produção de hormonas ováricas, nomeadamente a medicação indicada em mulheres após tratamento de cancro da mama ou submetidas a radioterapia ou quimioterapia.

Cada mulher manifesta sinais diversos nesta fase. Estas diferenças estão relacionadas com vários fatores – a causa da menopausa – espontânea ou induzida, a idade de instalação, a existência de outras patologias, a atividade física e mental da mulher em causa. Mas a grande maioria das mulheres desenvolve queixas imediatas (afrontamentos, suores noturnos, irritabilidade, diminuição da líbido, variação de peso) e outras, de instalação progressiva.

Destas, a mais frequente e mais significativa é a alteração por hipotrofia/atrofia dos tecidos do aparelho genital inferior, nomeadamente a mucosa vaginal.

A atrofia é consequência da diminuição da produção de estrogénios na menopausa espontânea ou o efeito de algum tratamento prolongado, como a quimioterapia, a hormonoterapia ou a radioterapia. Carateriza-se por uma diminuição progressiva da espessura da mucosa do epitélio genital, que, perdendo as suas camadas habituais, manifesta uma maior sensibilidade e menor resistência aos traumatismos e “agressões” externas.

A atrofia vaginal é uma alteração, cujo diagnóstico é clínico e baseia-se nos seguintes sintomas:
  • Prurido – por escassa hidratação
  • Ardor – por estado inflamatório crónico
  • Dispareunia (dor nas relações sexuais)
  • Redução ou ausência da produção de muco e lubrificação
  • Perda hemática de quantidade variável após a relação sexual (coitorragia) ou estimulação mecânica
  • Aumento do pH vaginal (para além de 5.0)
  • Aumento da incidência de vaginites por redução do teor habitual de lactobacilos de defesa

Vários tratamentos têm sido sugeridos para resolver esta situação, cujas consequências podem ser graves, tanto no que diz respeito à saúde física como psíquica da mulher.

O mais recente e inovador é o tratamento de foto regeneração vaginal Monalisa Touch, que se baseia na aplicação consecutiva de um feixe de laser CO2 pulsado. Este emite impulsos delicados, fracionados com um intervalo de 1000 micro segundos. Os spots de laser iniciam uma ação de reparação do tecido vaginal, aumentando, por um lado, o teor de glicogénio intracelular e conduzindo a uma reestruturação das fibras de colagénio da matriz vaginal. Por outro lado, verifica-se um aumento no teor dos lactobacilos, recuperando-se, então, o normal pH vaginal e melhorando a defesa relativamente às agressões por agentes externos.

As sessões de tratamento não são dolorosas e não requerem nenhuma anestesia. Desencadeiam simplesmente uma leve sensação de calor, durante a aplicação do laser.

A recuperação da textura, a correção da lubrificação e a diminuição da secura vaginal que o tratamento induz são percebidas pela paciente logo após a primeira sessão, com diminuição da sensação de ardor, prurido e dispareunia.

Um ciclo completo de tratamento consiste em pelo menos três aplicações sucessivas com um intervalo de pelo menos 30 dias entre cada uma.

A recuperação do equilíbrio fisiológico do tecido vaginal não constitui uma situação definitiva. A persistência da causa que determinou esta atrofia pode tornar as recidivas frequentes num prazo mais ou menos longo, podendo ser aconselhada uma sessão de manutenção com intervalos de 12 – 18 meses.

Em Portugal e até à presente data, esta técnica é efetuada nos hospitais CUF Descobertas e dos SAMS, em Lisboa.

Teresa Fraga, ginecologista

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