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Opinião
86 por cento dos portugueses têm problemas nos pés
segunda-feira, 18 março 2013 11:51
Por: Manuel Azevedo Portela, presidente da Associação Portuguesa de Podologia
86 por cento dos portugueses têm problemas nos pés

artigo Manuel Azevedo Portela presidente da APP  1A percentagem foi avançada por Manuel Azevedo Portela, presidente da Associação Portuguesa de Podologia, num artigo que preparou para o Vital Health. Enumera as patologias mais frequentes, assim como os cuidados especiais a ter com os pés.

 

De acordo com um estudo realizado pela Associação Portuguesa de Podologia, 86 por cento dos portugueses sofrem de problemas nos pés. As doenças mais frequentes são as mecanopatias – alterações biomecânicas que têm como grandes complicações, pelo menos no início, as calosidades; as artroses (nomeadamente a nível no tornozelo, no médio pé, no ante pé e nos dedos) e as infecções fúngicas – ou micoses, não só na pele (pé-de-atleta), como também nas unhas (onicomicoses).


A incidência das micoses aumenta bastante no Verão, pois as temperaturas altas, em conjunto com a humidade do pé, são condições propícias para que os fungos proliferem.


As unhas encravadas (onicocriptose) não são apenas um problema estético, representam uma patologia que pode mesmo incapacitar o desempenho das tarefas diárias. Esta patologia pode apresentar-se com os cantos encarnados nos tecidos periungueais, provocando dor, inflamação e, em alguns casos com infeção, pode evoluir para um granuloma, desenvolvimento de tecido esponjoso sobreposto às unhas.


O calçado é considerado por muitos o responsável por todas as doenças nos pés, mas tal não é verdade. O calçado pode representar apenas um fator etiológico das unhas encravadas das calosidades ou de outra patologia. Alterações do caminhar, problemas de mau apoio do pé, desvios rotacionais dos dedos, dedos em garra ou em martelo e joanetes são alterações biomecânicas importantíssimas que estão na génese desta patologia.


O procedimento mais eficaz é estudar a etiologia da doença. Percebermos qual é a causa desencadeante de uma lesão é fundamental para que o tratamento seja um sucesso.

 

Os joanetes, termo usado vulgarmente pela população, podem ter causas intrínsecas ou extrínsecas, estando estas últimas associadas principalmente ao tipo de calçado alto e estreito. Os factores intrínsecos, muito relevantes, estão associados ao tipo de pé e ao tipo de marcha, verificando-se alterações como pés valgos, pronados, planos, desvios dos joelhos e modificações da marcha, tipo "out toeing" (caminhar com os pés para fora). Conhecer as principais causas e detectá-las precocemente é fundamental para prevenir, tratar e evitar recidivas.

 

Os calos ou calosidades (queratopatias) são provavelmente a patologia que mais incomoda os pés dos portugueses. Estas queratopatias traduzem-se por um espessamento anormal da pele. A pele tem uma substância denominada queratina, responsável pela resistência e elasticidade da pele. Quando existe um excesso de pressão num determinado ponto da pele, é estimulada a produção de queratina pelos queratinócitos, provocando um espessamento exagerado da pele conhecido como calosidade. Na verdade, a calosidade aparece como mecanismo de defesa da própria pele. Simplesmente retirar os calos ou as calosidades não é o melhor procedimento. Deverá ser investigada a causa destas queratopatias e direccionar o tratamento em função da causa. Se estivermos perante um pé cavo, deveremos em primeiro lugar compensar este pé, redistribuindo os pontos de pressão plantar, e posteriormente retirar as calos ou calosidades. Assim se coloca este mesmo método para os calos associados às artroses dos dedos, para os dedos em martelo, para a compressão interdigital. O tratamento deverá ser sempre orientado em função da causa. A realização de um estudo podológico pormenorizado permite realizar e aplicar tratamentos correctivos ou compensativos do tipo conservador, capazes de tratar definitivamente esta patologia.


O calçado deve ser adequado em função do tipo de pé, respeitando as diferentes fases do caminhar, e estudado em função da idade, do tipo de atividade profissional ou desporto que cada utilizador exerce, contribuindo para uma absorção de impactos no pé e em todo sistema esquelético.


Um calçado adequado ao pé permite proteção, estabilidade e conforto, contribuindo para um crescimento correto do pé, orientação, equilíbrio e postura do organismo humano, assim como é extremamente importante no controlo da transpiração e protecção de possíveis infecções fúngicas e bacterianas.


Num tempo em que a Podologia se afirma na sociedade e na saúde portuguesa como área dinâmica no seu desenvolvimento científico e na prestação de serviços de saúde, esta nova ciência e os seus profissionais, dotados de conhecimentos científicos e de tecnologias de diagnóstico e tratamento altamente específicos e distintos, contribuem para melhorar a saúde dos pés dos portugueses.

 

Cuidados especiais com os nossos pés

  • Higiene diária: lavar os pés todos os dias com sabonete e ph neutro.
  • Secar muito bem os pés, especialmente nos espaços interdigitais.
  • Observar os pés diariamente, diretamente ou através de um espelho.
  • Hidratar com um creme específico para pés.
  • Cortar a unhas de forma recta com instrumento desinfectado e de uso pessoal.
  • Usar meias de fibras naturais (lã, algodão, seda).
  • Usar calcado de material natural (pele, couro).
  • O calçado deve ser adquirido ao final do dia (quando o pé já apresenta algum edema).
  • Usar chinelos em espaços públicos (balneários, saunas, piscinas, acessos às praias).

 

Manuel Azevedo Portela, presidente da Associação Portuguesa de Podologia


Fonte: Vital Heath

 

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