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Opinião
Falar de contraceção, será ainda necessário?
segunda-feira, 26 setembro 2016 12:22
Por: Henrique Mateus Santos, farmacêutico
Falar de contraceção, será ainda necessário?

Hoje assinala-se o Dia Mundial da Contraceção, data geralmente aproveitada para se refletir um pouco sobre o tema. Mas, será que ainda é necessário falar de contraceção e incentivar a promoção de medidas de informação e formação na sociedade portuguesa quando Portugal é um dos países da Europa com taxas mais elevadas de adesão a métodos contracetivos regulares em idade fértil?

 

Se considerarmos apenas este dado estatístico, a primeira resposta que nos ocorre será “não”. Contudo, quando acrescentamos à equação outras variáveis como, por exemplo, o número de gravidezes não planeadas ou de interrupções voluntárias da gravidez (IVG) realizadas por ano em Portugal, esta resposta invariavelmente altera-se, sendo uma questão de saúde pública falar de contraceção de emergência!


Apesar da elevada utilização de métodos contracetivos regulares, Portugal continua a registar valores elevados de gravidezes não planeadas. E, no que respeita a interrupções voluntárias da gravidez, são feitas cerca de 14 mil todos os anos, das quais, cerca de 30% a 40% se devem à falta de prevenção e/ou até à subutilização da contraceção de emergência ou, como geralmente é conhecida, a pílula do dia seguinte. E é sobre esta particularidade da contraceção que me quero debruçar – a contraceção de emergência.


Comummente designada por pílula do dia seguinte, a contraceção de emergência está disponível em Portugal há quase duas décadas, mas, apesar deste amplo período, continuamos a deparar-nos com muitos mitos e preconceitos sobre este tema. E é, sobretudo, o desconhecimento que leva a que as mulheres não recorram a este método.


O farmacêutico, enquanto interveniente na primeira linha de apoio ao doente no sistema nacional de saúde, tem um papel crucial no apoio à mulher no que respeita à contraceção de emergência.
Os medicamentos mais modernos que são utilizados na contraceção de emergência, sendo medicamentos de indicação farmacêutica (MIP’s) permitem ao farmacêutico intervir selecionando o medicamento mais indicado e informando a mulher em relação aos procedimentos com a sua utilização e quais a medidas contracetivas mais corretas após a contraceção de emergência.


Os farmacêuticos, através das suas competências, estão ao serviço da sociedade, exatamente para promover mais e melhores cuidados de saúde. Especificamente no caso da contraceção de emergência, o farmacêutico, antes de aconselhar a opção mais indicada, necessita avaliar a situação e o estado de saúde da mulher. Após avaliação da situação clínica é indicado um medicamento adequado e efetuada a correspondente informação sobre o seu processo de uso.


Dos medicamentos disponíveis no mercado português o acetato de ulipristal é seguro e eficaz se tomado durante os 5 dias após a relação sexual. Este medicamento, permite realizar um tratamento com uma grande tranquilidade por parte da mulher e consequente reduzir a ansiedade por receio de uma falha do medicamento. Trata-se, pois, de um medicamento de última geração dos contracetivos hormonais de emergência que apresenta elevados níveis de eficácia, fator muito importante neste contexto.


A sociedade usufrui da plena disponibilidade do farmacêutico para prestar aconselhamento diferenciado, 24 horas por dia, 365 dias por ano e deve realmente utilizá-la. No caso da contraceção de emergência, pode significar a diferença entre uma gravidez não planeada e uma gravidez evitada!


Porque uma gravidez não desejada é muito mais do que apenas um “problema” pessoal. Uma gravidez não desejada é uma tragédia social, com implicações a diversos níveis. Por isso, é importante divulgar a informação no que respeita à contraceção, em especial, a contraceção de emergência, de forma a que consigamos contrariar os números e promover uma sexualidade e parentalidade consciente. Mais do que necessário, é urgente falar da contraceção de emergência.

 

Artigo de opinião
Henrique Mateus Santos
Farmacêutico

 

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