FacebookTwitterYoutubeInstagramWhatsapp

Plataforma de Atualização Diária

Opinião
Hiperatividade na vida adulta pode explicar comportamentos “viciantes”
sexta-feira, 28 abril 2017 09:36
Por: Joaquim Cerejeira, psiquiatra e presidente da Associação Cérebro & Mente
Hiperatividade na vida adulta pode explicar comportamentos “viciantes”
A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é uma doença neuropsiquiátrica crónica que se carateriza pelo excesso de atividade motora, impulsividade e/ou desatenção, em maior frequência e gravidade do que habitual, perturbando negativamente a capacidade para estudar, trabalhar ou ter relacionamentos familiares e sociais. Estima-se que afete entre cinco a sete por cento das crianças em idade escolar e cerca de quatro por cento dos adultos.

 

Usualmente a doença é identificada e tratada na infância. Contudo, existem casos em que a doença persiste na idade adulta e casos em que o diagnóstico só surge nessa altura. O diagnóstico precoce ou reconhecimento da doença na vida adulta é fundamental para evitar consequências mais graves.

 

As pessoas com PHDA habitualmente demonstram, na vida adulta, uma atividade mental incessante, sensação de inquietação, por exemplo têm as mãos e pés inquietos quando estão sentados, dificuldade em manter a atenção na leitura ou na televisão, fraca concentração e incapacidade para se envolver em atividades calmas ou sedentárias.

 

Os adultos hiperativos são irrequietos, falam excessivamente, sentem-se oprimidos, têm baixa tolerância à frustração, rápidas variações de humor, desorganização (de tempo, dinheiro, no lar e no trabalho) e procuram sensações fortes e de gratificação imediata, o que pode resultar em comportamentos “viciantes”, como abuso de drogas, álcool, jogos e internet.

 

De acordo com um estudo realizado em Portugal, em 2013, cerca de 75% dos adultos com PHDA apresenta pelo menos uma outra perturbação psiquiátrica como depressão, ansiedade, dificuldades específicas de aprendizagem, abuso/dependência de substâncias ou perturbações do sono.

 

O diagnóstico, tratamento e acompanhamento adequado pode ajudar os adultos a gerir a PHDA, reduzindo o impacto negativo nas suas vidas. Infelizmente, em Portugal, a resposta do Sistema Nacional de Saúde (SNS) para os adultos com PHDA é ainda muito escassa, quer pelo reconhecimento relativamente recente desta doença, quer pela própria negação da mesma por muitos psiquiatras de adultos.

 

Esse tema estará em debate no 7.º Simpósio PHDA que irá decorrer em Coimbra, entre os dias 3 e 5 de maio. No dia 4 de maio estará em Portugal a médica Sandra Kooij que irá abordar, na iniciativa, a avaliação do adulto com PHDA. Mais informações em: simposio-phda.pt.

 

A Associação Cérebro & Mente tem como principal objetivo promover a Saúde mental na população. Para mais informações consulte o site da Associação. 

 

PUBLICIDADE

© 2019 Vital Health | Todos os direitos reservados | Designed by IPSPOT_ and Developed by Webview