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Opinião
Não gostar do seu corpo pode ser um sinal de saúde mental
terça-feira, 16 abril 2013 11:47
Por: Maria João Brito, psicóloga clínica
Não gostar do seu corpo pode ser um sinal de saúde mental

artigo Brito Dra. Maria Joao  Psic HSM b775aNo meu trabalho como psicóloga, tenho conhecido muitos doentes com obesidade, tenho-os visto nos seus momentos de maior vulnerabilidade, desespero, arrogância e falta de esperança. Os próprios doentes já perderam a paciência consigo mesmo, voltaram a engordar os quilos que tinham conseguido perder, vivem no meio de erros alimentares e da autocomiseração.


A verdade é que sabem os planos alimentares de cor e até pesquisaram na net acerca da cirurgia bariátrica. Precisam de uma ajuda psicológica, não só para a resolução dos conflitos, mas sobretudo para um livre viajar interno, com a destruição de velhos e a reconstrução de novos canais de expressão.


É a oportunidade de uma nova relação mais saudável que os ajuda a pensar: por que é que uma pessoa quer ser atraente para o sexo oposto, mas depois arranja um corpo que não é atraente?; será uma defesa?; será que tem medo das relações amorosas?; como é o desejo de vir a ser desejado?, que parte destrutiva há dentro destas pessoas que mina a sua relação com o outro sexo, que mina a sua própria vontade de comprar roupa, arranjar-se e sair com os amigos?


Mas mais, o olhar dos outros funciona como um espelho e até o nosso próprio olhar também espelha, no caso do obeso, uma insuportável imagem deformada, uma dor inconfessável e um ódio ao próprio corpo. É, pois, elevado o preço psicológico e fisiológico que se paga por não estar em forma.


São também doentes muito sensíveis e fragilizados emocionalmente em relação a qualquer alusão ao seu peso ou àquilo que ingerem, pois, como já foram muito humilhados, agora até os conselhos lhes parecem insultos.


A beleza, a elegância, o estilo e o charme variam consoante as ilusões com que as sociedades constroem os seus códigos comunicativos. E os estereótipos de hoje são radicais e incontornáveis: o feminino é magro e o masculino é atlético, portanto, a mulher obesa percebe que não é "a mulher que se quer" e o homem obeso não é "o homem que se deseja". Desta forma, o obeso entra em conflito com a sua própria representação do feminino ou do masculino.


Se não nos resignarmos aos percalços da vida, há um percurso psicológico para que a motivação chegue a resultados e estes não se percam num yo-yo. Este, como todos os percursos na vida, é mais agradável quando partilhado. No acompanhamento psicoterapêutico destes doentes tento ajudar as pessoas a encontrar o seu caminho em corresponsabilidade.

 

Maria João Brito, psicóloga clínica


Texto publicado no Jornal das VII Jornadas de Endocrinologia para o Clínico Geral
Foto: Ricardo Gaudêncio

 

 

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