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Opinião
“Cheguei à menopausa. E agora?”
quinta-feira, 19 outubro 2017 09:14
Por: Fernanda Geraldes, presidente da Secção da Menopausa da Sociedade Portuguesa de Ginecologia
“Cheguei à menopausa. E agora?”
A menopausa marca a entrada numa nova etapa da vida da mulher. Sabemos que para algumas é uma fase tranquila, para outras, a menopausa está associada a alterações significativas nos seus hábitos e rotinas. Chegada a esta nova etapa, importa esclarecer então algumas questões.

 

A menopausa é definida como o cessar da menstruação, resultante da perda da atividade folicular ovárica que ocorre na mulher por volta dos 51 anos. Atendendo a que a esperança de vida da mulher, em Portugal, é de 82,6 anos, estima-se que um terço da sua vida seja passada na menopausa. O evento anatómico e fisiológico que está na base da menopausa é a falência da função dos ovários, que se traduz num estado hormonal hipergonadotrófico hipogonádico, ou seja, uma situação clínica que cursa com estrogénios baixos e um aumento das gonadotrofinas (FSH e LH).

 

Embora seja um acontecimento fisiológico, traz algumas consequências a curto, médio e longo prazo que poderão ser sentidas (ou não) pela mulher e que exigem por parte do médico uma resposta adequada. As consequências a curto/médio prazo são aquelas que mais preocupam as mulheres e são a principal causa de pedido de consulta e de apoio. Destas fazem parte a sintomatologia vasomotora (calores, afrontamentos, fogachos), mas também as alterações do humor e do sono, dificuldades de concentração, dores osteoarticulares e as perturbações génito-urinárias. 

 

Em relação à sintomatologia vasomotora, que poderemos afirmar ser a “imagem de marca” da menopausa, tem uma prevalência elevada de cerca de 70%. 40% das mulheres referem-na como incapacitante, condicionando o seu desempenho diário, podendo prolongar-se em 50% dos casos durante mais de cinco anos após a menopausa.

 

No que respeita à síndrome génito-urinária, entidade clínica com uma prevalência elevada na menopausa logo a seguir aos sintomas vasomotores, fazem parte sintomas como a secura vaginal por atrofia vulvo-vaginal condicionando dispareunia/ disfunção sexual, urgência miccional e incontinência urinária de urgência.

 

As consequências a longo prazo são a osteoporose e o aumento de risco cardiovascular. Quanto à osteoporose, é de realçar que é uma doença silenciosa tornando-se sintomática numa fase avançada da doença em que já há fraturas, pelo que a atitude correta será evitar que se atinja essa fase. Sabe-se que a perda de massa óssea ocorre de uma forma muito acelerada - cerca de 2% - 4% por ano, nos primeiros anos após a menopausa, e que esta perda acelerada é consequência do hipoestrogenismo marcado, caraterístico desta fase inicial da menopausa. Outros fatores estão implicados no desenvolvimento da osteoporose, como seja o pico de massa óssea, fatores genéticos e ambientais (medicamentos, tabaco, ingestão baixa de cálcio na dieta) mas o hipoestrogenismo é um dos mais determinantes na doença. Quanto ao aumento de risco cardiovascular, é mais difícil dissociar o aumento de risco à idade ou ao quadro de hipoestrogenismo. No entanto, sabe-se que a mulher na pré menopausa tem muito menos eventos cardiovasculares que os homens na mesma faixa etária e que o mesmo não se verifica depois da menopausa, o que nos indica que os estrogénios parecem ter um papel protetor no aparelho cardiovascular.

 

A abordagem terapêutica na menopausa deve ser instituída tão cedo quanto possível. A terapêutica hormonal é o tratamento mais eficaz no alívio dos sintomas vasomotores e na síndrome génito-urinária desde que respeitadas as contraindicações conhecidas. É conhecido e comprovado o papel da terapêutica hormonal na prevenção e até mesmo no tratamento da osteoporose, bem como na prevenção do cancro do colón. Nas mulheres que não podem ou não querem optar por este tratamento, ficará para 2ª linha outras estratégias terapêuticas não hormonais como sejam os extratos de pólen, fitoestrogénios, os antidepressivos para o alívio dos sintomas vasomotores e os inibidores da reabsorção óssea para prevenção e tratamento da osteoporose. O uso de estrogénios tópicos vaginais na forna de creme, gel ou comprimidos estão sempre recomendados, independentemente da terapêutica sistémica pela qual se optou. Embora não haja muitas limitações ao uso dos tópicos vaginais com estrogénios nas mulheres que não podem ou não querem, têm à sua disposição uma grande variedade de hidratantes e lubrificantes não hormonais. Mais recentemente, tem havido investimento por parte da comunidade cientifica em tratamentos da atrofia vulvo-vaginal com métodos que, embora mais invasivos, não exigem aplicações frequentes pelo que são considerados uma opção válida como seja o laser vaginal ou a aplicação local do ácido hialurónico. 

 

A abordagem não farmacológica tem um papel de destaque na menopausa, seguindo o princípio que nunca é tarde de mais para implementar hábitos de vida saudável, como sejam a prática do exercício físico regular, evitar o consumo de álcool e do tabaco, e estimular hábitos alimentares corretos.

 

O paradigma da prevenção em saúde tem nesta área da menopausa a aplicação perfeita. Acreditamos que, se a mulher estiver atenta aos sinais do seu corpo e pedir ajuda ao seu médico, facilmente conseguirá manter a sua qualidade de vida com todos os tratamentos e opções terapêuticas disponíveis.

 

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