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Opinião
Psoríase não é só o que se vê, é muito mais o que se sente
quinta-feira, 26 outubro 2017 12:15
Por: Jaime Melancia, presidente da Associação Portuguesa de Psoríase
Psoríase não é só o que se vê, é muito mais o que se sente
Assinala-se novamente, a 29 de outubro, o Dia Mundial da Psoríase. Ano após ano, esta data pretende alertar para a realidade das cerca de 125 milhões de pessoas em todo o mundo que vivem diariamente com a doença. Em Portugal, os números apontam para aproximadamente de 250 mil, cerca de 2 a 3% da população. “Psoríase não é só o que se vê, é muito mais o que se sente” é o mote que assinala o dia e pretende alertar para todos os aspetos da doença, os visíveis e os invisíveis, na tentativa de dar um rosto a cada caso, apelando à ação e à necessidade de melhorar o acesso ao tratamento, aumentar o acompanhamento e garantir a união entre as pessoas que vivem com psoríase.

 

À PSOPortugal chegam, frequentemente, histórias de discriminação sem qualquer fundamento e que revelam um profundo desconhecimento da doença e das suas comorbilidades. Num mundo onde a imagem assume uma importância cada vez maior, e sendo a psoríase uma doença que se manifesta na pele, este problema parece tornar-se progressivamente mais evidente. Este tem sido também um trabalho da PSOPortugal, desmistificar a doença e contribuir para a cada vez maior literacia da sociedade civil é fundamental para acabar com o preconceito e permitir a estes doentes uma vida digna.

 

Neste Dia Mundial da Psoríase voltamos, por isso, a dar voz ao doente e a lembrar o impacto negativo que a doença provoca. Esta discriminação e a dificuldade de acesso ao tratamento adequado, resulta, muitas vezes, na diminuição da autoestima dos indivíduos e no surgimento e desenvolvimento de outras patologias graves – além das comorbilidades associadas - como a depressão, por exemplo, com todas as consequências que a mesma acarreta não só para o indivíduo como para a sociedade e para o sistema de saúde.

 

É fundamental que todos os doentes com psoríase em Portugal tenham acesso à consulta de Dermatologia e, para que isto aconteça, também o médico de família - cujo papel é muito importante, quer em termos de diagnóstico e referenciação, quer em acompanhamento do tratamento – tem de ser envolvido. O ideal seria que não existisse esta entropia e que todos os doentes com psoríase estivessem a ser seguidos pelo médico especialista. Dificilmente se consegue prevenir a doença, mas esta pode ser tratada adequadamente, o que se traduz num retorno social sustentável. Um doente acompanhado e em tratamento não sente necessidade de faltar ao trabalho, reduz o número de baixas médicas e é mais produtivo. De forma global, tem uma vida mais feliz. Toda a sociedade beneficia com isso.

 

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