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Opinião
Evolução no tratamento da esclerose múltipla permite novas formas de controlar a doença
Por: Marisa Brum, neurologista no Centro Hospitalar de Lisboa Central
Evolução no tratamento da esclerose múltipla permite novas formas de controlar a doença
A Esclerose Múltipla (EM) afeta cerca de 2,5 milhões de pessoas em todo o mundo e é uma doença crónica, inflamatória e progressivamente degenerativa do Sistema Nervoso Central (SNC).

 

A doença por vezes não é fácil de diagnosticar, uma vez que se manifesta com diferentes sintomas, facilmente confundidos com outras patologias neurológicas. Desta forma, apesar de se saber a importância do diagnóstico e tratamento atempado, o diagnóstico inicial pode ser demorado.

 

Estima-se que em todo o mundo existam cerca de 2.500.000 pessoas com EM (dados da Organização Mundial da Saúde) e em Portugal mais de oito mil. A EM é uma doença que surge habitualmente no adulto jovem, entre os 20 e os 40 anos de idade e afeta maioritariamente as mulheres.

 

Os sintomas podem ser muito variados e manifestar-se com maior ou menor frequência de pessoa para pessoa:

 

• A fadiga é um sintoma muito frequente e manifesta-se por diferentes períodos. É descrita como um cansaço extremo após um pequeno esforço;

 

• A nevrite ótica, corresponde a queixas de visão turva, “enevoada” ou baixa de visão;

 

• Perda da força muscular nos braços e pernas;

 

• As alterações da sensibilidade podem ser como uma sensação de encortiçamento dos membros, parece que se está a «caminhar sobre algodão». Outro tipo de alterações da sensibilidade são os formigueiros ou picadas;

 

• Equilíbrio/coordenação – por exemplo dificuldade em agarrar pequenos objetos, escrever de forma clara ou sensação de caminhar como se tivesse embriagado;

 

• Alterações urinárias e intestinais, que se podem manifestar como dificuldade em urinar ou esvaziar completamente a bexiga («retenção» urinária), ou como uma «urgência urinária», ou seja vontade de urinar frequente, súbita e difícil de adiar;

 

• Problemas sexuais - homens que tenham EM podem ter dificuldade em obter ou manter a ereção. Na mulher, a EM causa muitas vezes perda de sensibilidade nos órgãos sexuais, dores durante a relação e incapacidade de atingir um orgasmo;

 

• Alterações cognitivas – numa fase avançada da doença problemas de memória recente;

 

• Alteração de humor e depressão.

 

Sendo uma doença neurológica incapacitante, a EM está associada a um elevado impacto económico, dado que condiciona a vida profissional bem como a vida social do doente, cuidadores, amigos e familiares. Uma das realidades que a pessoa com EM por vezes enfrenta é a dificuldade no emprego, ou mesmo desemprego, uma vez que alguns sintomas da doença ou algumas terapêuticas podem afetar negativamente o desempenho do dia a dia. Os sintomas acima descritos estão muitas vezes por detrás de razões que levam ao desemprego.

 

Nas últimas duas décadas tem-se assistido ao desenvolvimento de diversos tratamentos com impacto na evolução da doença. Em 1993 foi aprovado o primeiro tratamento para a EM. Apesar de não haver cura, os tratamentos têm como objetivo, reduzir o número de surtos (episódios de alterações neurológicos) ao diminuírem a atividade inflamatória cerebral que ocorre na doença.

 

Os primeiros tratamentos aprovados para a EM são ainda muito utilizados pois apesar da forma de administração mais invasiva, são medicamentos com um perfil de segurança bem caracterizado, e com relativamente poucos efeitos adversos. Em 2003 e em 2009 foram aprovadas pela agência reguladora norte-americana Food and Drug Administration (FDA) novas terapêuticas não injetáveis, algumas com dados de eficácia superiores aos das terapêuticas existentes mas que podem causar, em alguns casos, efeitos secundários mais consideráveis, e como tal são reservados pra os doentes que tenham uma forma mais agressiva da doença.

 

No final do ano passado foi aprovado pela Agência Europeia do Medicamento (EMA) um novo tratamento para os doentes com forma muito ativa, inovador devido ao seu mecanismo de atuação. Este medicamento reduz seletivamente as células que causam a doença, e como tal permite um tratamento com efeitos adversos expectáveis e controláveis e igualmente eficaz. Esta medicação oral permite conseguir, na maioria dos doentes, uma eficácia clínica durante um período de até quatro anos com um máximo de 20 dias de tratamento nos primeiros dois anos. Os doentes, para os quais há indicação para o novo tratamento poderão ter um dia-a-dia com menos condicionantes devido à EM.
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Para além disso, ainda este ano outro tratamento foi aprovado para as formas de doença primária progressivas. Este facto irá permitir abrandar a evolução da doença neste subgrupo de doentes, algo que ainda não era possível até à data.

 

Em suma, a EM é uma doença inflamatória do SNC que pode ser incapacitante. Muito tem sido o esforço para o desenvolvimento de novas terapêuticas que permitirão ao doente descobrir uma vida mais próxima de uma vida sem EM.

 

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