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Opinião
Asma, uma doença subdiagnosticada e subtratada
quinta-feira, 26 abril 2018 16:43
Por: Rui Costa, coordenador do Grupo de Trabalho de Problemas Respiratórios (GRESP) da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF)
Asma, uma doença subdiagnosticada e subtratada

A asma em Portugal tem uma prevalência de 6.8%, com um custo por pessoa com asma de 762€, o que corresponde a um gasto global de 550M€, representando 3% dos gastos em saúde em Portugal no ano de 2010.  Na infância, a prevalência de asma em Portugal é de 10.7%. O custo anual específico em Portugal por criança com asma é de 929€ e de 708€ por adulto, aumentando para mais do dobro este valor por pessoa com asma não controlada. 

 

Sabemos que globalmente a asma é uma doença subdiagnosticada e subtratada, que atinge perto de 700 mil pessoas em Portugal. Quase metade dos asmáticos portugueses não tem a doença controlada, representando 43% da população geral e 51% da população pediátrica. Cada 9 em 10 doentes com asma não controlada tem uma perceção inadequada do estado de controlo da sua doença, pois apesar de não estarem controlados acham que têm a sua asma controlada, o que pode dificultar a procura de melhor tratamento e controlo.

Uma das consequências da não adesão ao tratamento e do mau controlo da asma são as agudizações graves com necessidade de internamento. O maior desafio para as pessoas com asma é conseguirem o adequado e sustentado controlo da asma. Sabemos que as principais dificuldades no controlo das pessoas com asma são a sua inadequada adesão ao tratamento regular e contínuo e a utilização incorreta dos dispositivos inalatórios.

Por isso, a aposta continua na capacitação dos asmáticos de modo a que tenham um papel ativo e determinante na melhor e mais adequada gestão da sua doença é vital para o sucesso do controlo da asma e para a obtenção dos melhores resultados de saúde.

Revela-se de extrema importância alertar as pessoas com asma que existe uma solução para o seu problema respiratório crónico, que não necessitam de viver em esforço e com falta de ar, que podem controlar e vencer a sua asma e que podem e devem conquistar a sua saúde e o seu bem-estar.

 

O GRESP e a Asma

O GRESP, na área da asma, tem ministrado inúmeras ações de formação e elaborado documentos formativos para os profissionais de saúde na área dos cuidados de saúde primários. Tem colaborado com a Direção-Geral de Saúde na elaboração de normas de orientação clínica, colaborado com outras organizações científicas nacionais e internacionais, em especial com o IPCRG (International Primary Care Respiratory Group), dado apoio e patrocínio a campanhas de sensibilização pública, como é o caso das campanhas “Que a asma não te pare” e “Vencer a asma”.

Presentemente está a lançar em Portugal o movimento CAPA (Cuidados Adequados à Pessoa com Asma), o qual é a componente portuguesa do projeto internacional designado Asthma Right Care, iniciado em quatro países membros do IPCRG (International Primary Care Respiratory Group), nos quais se inclui Portugal, através do GRESP - APMGF.

Trata-se de um movimento social que tem como objetivo principal consciencializar todos os profissionais, doentes e associações para a melhoria dos cuidados na asma e, consequentemente para um melhor controlo da doença. Pretende-se criar oportunidades e capacidade para o diálogo entre os diferentes profissionais de saúde, e entre estes com os seus doentes, sobre o que são os cuidados adequados para a pessoa com asma, os obstáculos à sua obtenção e as atitudes e comportamentos que podem ajudar as pessoas com asma a melhorar a sua qualidade de vida.

Nesta importante iniciativa nacional contamos com profissionais que estão envolvidos nas diversas áreas de prestação de cuidados de saúde às pessoas com asma, desde médicos de família e pneumologistas, enfermeiros dos cuidados de saúde primários e secundários, farmacêuticos, técnicos de cardiopneumologia e representantes de várias sociedades científicas e associações, tais como, a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, o Programa Nacional de Doenças Respiratórias, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia, a Fundação Portuguesa do Pulmão, a Associação Nacional de Farmácias, a Associação de Farmácias de Portugal, o Grupo de Farmácias Holon, a USF-AN, a Associação Portuguesa de Asmáticos, a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica e a Sociedade Portuguesa de Pediatria e a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna.

 

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