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Opinião
Um asmático com a sua asma controlada vive ativa e produtivamente feliz
quinta-feira, 26 abril 2018 17:24
Por: Ana Morête, assistente hospitalar graduada de Imunolaregologia, Centro Hospitalar do Baixo Vouga, EPE, Presidente da Sociedade Luso-Brasileira de Alergologia e Imunologia Clinica (SLBAIC), secretária adjunta da Sociedade Portuguesa de Alergologia e I
Um asmático com a sua asma controlada vive ativa e produtivamente feliz

No nosso país, estima-se que a asma afete 750.000 portugueses. Quase metade dos asmáticos portugueses não tem a doença controlada – 43% da população geral e 51% da população pediátrica. De facto, sabe-se que um terço das crianças asmáticas portuguesas é internado por asma, pelo menos uma vez na vida. Cada 9 em 10 portugueses com asma não controlada tem uma perceção errada do estado de controlo da sua doença, o que dificulta a procura de melhor tratamento e controlo.

 

Uma das consequências do mau controlo são as agudizações de asma com o consequente impacto negativo na qualidade de vida por hospitalizações, consultas em serviços de urgência e elevado absentismo escolar ou no local de trabalho.

Do ponto de vista médico, durante uma consulta com um asmático o foco na qualidade de vida é importantíssimo. Os doentes normalmente não relatam apenas sintomas, referem o efeito dos sintomas no seu dia-a dia, a interferência com a sua perceção de bem-estar. No asmático os sintomas cardinais da doença - tosse, dispneia, pieira e opressão torácica, que característicamente variam ao longo do tempo e em intensidade (sobretudo se não controlados com terapêutica inalada indicada – são extremamente limitativos.

Limitam o exercício físico por fadiga, a qualidade do sono por tosse e falta de ar noturna, a produtividade profissional e escolar por ausências por crise e a vida de relação por todas as limitações inerentes. O impacto na qualidade de vida estende-se, também, ao resto da família.

 

Minimizar os impactos e controlar a doença. Cuidados a ter

De um modo geral, em Portugal os doentes com asma menos controlada caracterizam-se por serem de classes socioeconómicas mais desfavorecidas, terem menor grau de escolaridade, serem de idade pediátrica ou idosos e terem um índice de massa corporal aumentado.

As razões do não controlo são várias, entre as quais destaco:

- do lado do doente falta de perceção das queixas, falta de valorização da doença, má adesão ao tratamento inalatório e a utilização incorreta dos dispositivos;

- do lado dos profissionais de saúde continuar a existir um significativo problema de falta de diagnóstico e ausência de tratamento adequado. Se o diagnóstico não existe, ou chega atrasado, como será possível fazer prevenção e controlar doenças que se ignoram?;

- finalmente, as características socioeconómicas continuam a ser determinantes no tratamento da asma, fazendo com que a acessibilidade a consultas e a medicação não seja igual para toda a população.

Mudar esta situação é possível e implica, sobretudo, um conhecimento dos sintomas da doença e da sua variabilidade que permita o diagnóstico rápido, uma decisão de iniciar o tratamento com terapêutica inalada o mais precocemente possível e, nos doentes não controlados, uma correta referenciação para a especialidade.

Perante um doente com asma sintomática é importante efetuar uma história clínica completa, questionar o doente sobre os sintomas da doença atual, bem como conhecer as circunstâncias temporais do eventual agravamento. Na esmagadora maioria dos casos a não adesão à medicação controladora e a má técnica inalatória estão sempre implicadas.

Além destas duas condições considero também desafios nestes doentes para manter o controlo da asma:

- Evitar factores de risco desencadeantes, incluindo a exposição ao fumo de tabaco;

- Manter e cumprir a medicação, utilizando diferencialmente os medicamentos de controlo e os de alívio;

- Reconhecer sinais de agravamento;

- Na presença de sintomas recorrer de imediato à observação médica.

 

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