FacebookTwitterYoutubeInstagramWhatsapp

Plataforma de Atualização Diária

Opinião
Vamos falar de hipotiroidismo? Conheça os sinais de alerta do seu corpo
quarta-feira, 22 agosto 2018 09:49
Por: Filipa Alves Serra, Endocrinologia
Vamos falar de hipotiroidismo? Conheça os sinais de alerta do seu corpo

A tiroide é uma glândula localizada no pescoço, responsável pela produção das hormonas tiroideias. Estas hormonas têm a função de regular o metabolismo, sendo essenciais para o normal funcionamento de todos os órgãos e sistemas. A estimulação da tiroide é feita pela hormona TSH proveniente da glândula hipófise que se localiza no cérebro, para a produção das hormonas tiroideias T4 (tiroxina) e T3 (triiodotironina).

 

O hipotiroidismo consiste numa disfunção da tiroide em que não são produzidas as hormonas em quantidade suficiente. Em termos laboratoriais carateriza-se por uma redução da T4 e da T3 com elevação da TSH. O termo hipotiroidismo subclínico utiliza-se se quando há uma elevação da TSH com níveis normais de T4 e T3. A maioria dos casos de hipotiroidismo são adquiridos ao longo da vida, mas existem situações de hipotiroidismo congénito que são detetadas logo após o nascimento no rastreio em todos os bebés, e que quando tratados impedem o desenvolvimento de sintomas e permitem uma vida normal.

Em relação às causas de hipotiroidismo a mais comum é a etiologia autoimune (tiroidite de Hashimoto) em que, anticorpos circulantes (anti- peroxidase e anti-tiroglobulina) provocam inflamação e consequente destruição das células da tiroide. Tal como acontece com outras doenças autoimunes, a tiroidite de Hashimoto é desencadeada por uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Por exemplo, é frequente durante ou após a gravidez haver o desenvolvimento de hipotiroidismo em mulheres que têm uma predisposição genética. Estas mulheres têm indicação para vigilância endócrina antes e após o parto. Em termos físicos pode acontecer o doente queixar-se de desconforto no pescoço e bócio (aumento do volume da tiroide).

A carência de iodo, a radioterapia cervical ou o tratamento com iodo radioativo são outras causas de hipotiroidismo. Alguns fármacos como a amiodarona ou o lítio podem também provocar disfunção da tiroide, estando indicada a vigilância. Em situações mais raras a origem do hipotiroidismo pode ser a nível da hipófise ou hipotálamo por falta de estímulo para a tiroide produzir as hormonas, o chamado hipotiroidismo central, geralmente associado a tumores da hipófise, cirurgia ou radioterapia cerebral anterior. Nestes casos verifica-se uma redução da TSH, T4 e T3.

O hipotiroidismo tem como manifestações mais frequentes: cansaço, falta de energia, intolerância ao frio, pele seca, cabelo quebradiço e diminuição dos batimentos cardíacos. A doença compromete o corpo de forma global e por isso os sintomas são muito variados, expressando-se diferentemente em cada indivíduo. Alguns doentes são assintomáticos ou valorizam pouco os sintomas, sobretudo os que têm doença menos intensa ou de curta duração. Em casos mais graves com doença arrastada não tratada e em doentes mais idosos podem surgir alterações cognitivas, tonturas e mesmo coma em casos mais extremos.

Uma queixa comum é a redução do apetite. No entanto, cerca de 2/3 dos doentes têm aumento de peso. Este aumento de peso é geralmente ligeiro a moderado, resultante da lentificação do metabolismo e da retenção de líquidos e não se associa a obesidade grave. Em termos metabólicos é frequente a elevação do colesterol, com aumento da LDL e consequente aumento do risco cardiovascular. A nível do sistema digestivo a obstipação e distensão intestinal são queixas comuns nestes doentes. Nas mulheres pode levar a irregularidade menstrual e falta de ovulação, podendo ser uma causa de infertilidade. Importa ainda realçar que o hipotiroidismo pode ser um fator de risco para a depressão e por isso deve ser feito o despiste desta patologia quando surgem sintomas como humor deprimido, alterações do sono ou da memória.

Geralmente a maioria dos sintomas revertem em poucas semanas com o tratamento adequado com levotiroxina em toma única em jejum. É importante um seguimento regular em consulta com ajuste das doses, em especial nas mulheres em idade fértil, crianças e doentes polimedicados.

 

PUBLICIDADE

© 2019 Vital Health | Todos os direitos reservados | Designed by IPSPOT_ and Developed by Webview