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Opinião
O futuro: erradicar o cancro como causa de morte
terça, 20 novembro 2018 10:26
Por: Gabriela Sousa, presidente do Conselho Científico da Sociedade Portuguesa de Oncologia
O futuro: erradicar o cancro como causa de morte
A Oncologia tem registado nos últimos anos significativos avanços ténicos e científicos que se traduzem ao nível do diagnóstico, com a possibilidade de identificação de uma neoplasia cada vez mais precocemente.

 

Ao nível molecular, com uma melhor caracterização biológica da doença, mas também ao nível ao nível do tratamento, com melhoria das técnicas cirúrgicas e de radioterapia que permitem tratamentos cada vez mais dirigidos, poupando os doentes a sequelas com significativo impacto na qualidade de vida.

 

A intensa investigação na área do tratamento do cancro tem permitido que novos fármacos sejam desenvolvidos no sentido de aumentar a eficácia do tratamento com impacto na sobrevivência dos doentes, mas sobretudo com significativa melhoria na qualidade de vida.

 

Segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico ou Econômico (OCDE) constatou-se um aumento da esperança média de vida entre 2000 e 2009 de 1.74 anos, e estima-se que a inovação terapêutica contribuiu em cerca de 73% neste aumento, a par com outros fatores como a melhoria do rendimento, da educação, da vacinação ou mesmo a redução de fatores de risco.

 

Em Portugal, o cancro representa a segunda causa de morte, sendo a principal causa de morte prematura (abaixo dos 65 anos). Contudo, temos assistido a pequenos grandes passos no conhecimento desta doença. Hoje assistimos a um aumento progressivo dos sobreviventes de cancro, estimando-se que sejam cerca de 500 mil só em Portugal.

 

Mas será que podemos erradicar o cancro como causa de morte?

 

São dados conhecidos que cerca de 80% dos casos de cancro se devem a causas evitáveis, como o tabaco, alcool, obesidade, sedentarismo, erros alimentares, entre outras. Torna-se fundamental promover uma forte campanha de educação para a saúde. Só prevenindo podemos fazer diminuir a incidência e a mortalidade por cancro.

 

Por outro lado, a investigação tem gerado muito conhecimento sobre a forma como esta doença se inicia: pequenos erros genéticos, que fazem com que os tecidos se multipliquem exageradamente, não respeitando o limite dos tecidos vizinhos, invadindo-os e mesmo, originando em tecidos mais distantes metástases.

 

É cada vez maior o conhecimento das várias estratégias de tratamento que ajudam a controlar esta doença. Contudo, como estas células vão conseguindo adaptar-se e criar formas de “escapar” ou “resistir” aos tratamentos, a doença vai progredindo. Após um conhecimento profundo dos mecanismos que fazem a doença evoluir, assistimos agora, a uma investigação intensa em como voltar a fornecer ao organismo afetado pela doença, ferramentas que o ajudem a lutar contra ela, e uma das àreas mais promissoras é a Imunoterapia. De facto, o cancro desenvolve-se num determinado hospedeiro, porque os mecanismos de defesa desse hospedeiro, reduziram a sua capacidade de lutar, muitas vezes perdem a sua imunocompetencia de atacar estas células que crescem sem controle.

 

A imunoterapia abre de novo a esperança, de poder contribuir para a cura em algumas situações.

 

A outra grande esperança está na terapia génica. Um dia se formos capazes de corrigir o erro genético que ajudou a gerar e a fazer crescer um cancro, conseguiremos perspetivar a cura.

 

Para já resta-nos em situações muito pontuais e especifícas (nomeadamente, nos casos de tumores hereditários) tentar chegar antes do desenvolvimento da doença, através de algumas estratégias preventivas (nomeadamente, cirurgias redutoras de risco).

 

Mas o futuro deve ser encarado com esperança e todos nós devemos fazer o nosso papel para que cuidando da nossa saúde possamos ajudar a irradicar esta doença! Como? Prevenindo! Estando atento aos sintomas que se prolongam no tempo e consultando regulamente o Médico de Família!

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