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Opinião
Tabaco: uma importante ameaça à saúde das mulheres
segunda-feira, 11 março 2019 10:03
Por: Dr.ª Cláudia Matos, pneumologista e representante da Comissão de Trabalho de Tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia
Tabaco: uma importante ameaça à saúde das mulheres
Nesta data em que celebramos o Dia Internacional da Mulher é importante destacar a epidemia do tabaco como uma importante ameaça à saúde feminina, constituindo o principal fator de risco evitável de morte prematura e doença nas mulheres adultas.

 

O número de mulheres a fumar no Mundo está a aumentar, constituindo atualmente 20% de todos os fumadores e sendo responsável por 6% das mortes no sexo feminino a nível mundial. Esta tendência também se verifica em Portugal. Em 2017, de acordo com dados da Direção Geral de Saúde, 24,8% das mulheres entre os 15 e os 64 anos de idade referiram ter consumido tabaco no último mês (em comparação às 17,6% observadas em 2001).

 

São vários os fatores que vão contribuir para o aumento do número de fumadoras nas próximas décadas: o aumento da própria população feminina bem como do seu poder de compra, o desaparecimento progressivo das restrições culturais e sociais, serem raros os programas de educação para a saúde e cessação tabágica específicos para mulheres e a existência de campanhas dirigidas da indústria tabaqueira.

 

O tabaco tem impacto na saúde da mulher nas suas várias vertentes:

 

- saúde reprodutiva: maior risco de infertilidade primária e secundária, dores menstruais e menopausa precoce;

 

- saúde cardiovascular: risco superior de acidente vascular cerebral, hemorragia cerebral e doença coronária. É importante destacar que a combinação de tabagismo e terapêutica com anticoncetivos orais está associada a maior risco de doença coronária.

 

- saúde respiratória: risco aumentado de doença pulmonar obstrutiva crónica e cancro do pulmão;

 

- cancro: risco superior de desenvolver cancro do colo do útero nas mulheres infetadas com vírus do papiloma humano (HPV), leucemia mielóide aguda, cancros da cavidade oral, faringe, laringe, esófago, bexiga, pâncreas e rim, bem como uma possível relação com cancro da mama em mulheres na pré-menopausa;

 

- densidade óssea e risco de fraturas: risco aumentado de osteoporose e fratura do colo do fémur;

 

- gravidez: mulheres fumadoras com maior risco de aborto espontâneo, parto prematuro, mal-formação fetal, filhos com baixo peso à nascença ou com graves problemas de saúde;

 

Existem ainda várias patologias que são mais frequentes nas fumadoras e que podem influenciar a qualidade de vida como a depressão, os cálculos biliares, a úlcera péptica, a doença periodontal e cataratas. Do ponto de vista estético, o envelhecimento precoce da pele, o aparecimento de manchas nos dentes, escurecimento dos dedos e das unhas e enfraquecimento do cabelo são consequências a ter em conta.

 

Além destes aspetos, não podemos esquecer o impacto económico negativo do tabagismo na saúde, ao desviar recursos que deveriam ser utilizados com alimentação ou educação.

 

Por todas estas razões, o controle do tabagismo tornou-se uma questão crítica da saúde feminina, sendo fundamental não só a promoção de medidas preventivas do início do consumo, como também da cessação tabágica nas mulheres com dependência.

 

No processo de parar de fumar tem que ser tido em consideração a dificuldade acrescida das mulheres em relação aos homens por uma metabolização mais rápida da nicotina, apresentarem sintomas de privação mais graves, incidência mais elevada de depressão e pelos seus padrões de tabagismo (fumar na resposta ao stress, depressão, afeto negativo).

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