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Opinião
Como prevenir o AVC? Passos fundamentais para proteger o cérebro
sexta-feira, 29 março 2019 09:42
Por: João Sargento Freitas, neurologista da Unidade de AVC do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e Membro da Comissão Científica da Sociedade Portuguesa do AVC
Como prevenir o AVC? Passos fundamentais para proteger o cérebro

A pergunta “Como prevenir o acidente vascular cerebral (AVC)?” tem tanto de importante como de pertinente! É extremamente importante, pois compreende todas as estratégias que possam em conjunto prevenir a ocorrência da doença que é ainda a principal causa de morte e incapacidade em Portugal! A sua pertinência explica-se bem pelo facto dos estudos epidemiológicos relatarem que até 80% dos AVCs poderiam ter sido prevenidos! Este valor é assustador e deve obrigar-nos a todos enquanto sociedade e como pessoas individuais a refletir e adotar estratégias que permitam esta redução.

 

O principal fator de risco para AVC é, e continuará a ser, a hipertensão arterial. É uma doença muito prevalente e demasiadamente subvalorizada, sendo recorrentes interpretações de uma tensão arterial “mais ou menos”, “razoável” ou até “bem para o meu habitual”. São todas descrições potencialmente perigosas e ouvidas com desregrada frequência. É também importante referir o papel de diversas doenças metabólicas como diabetes mellitus, distúrbios lipídicos (como colesterol) e obesidade, além de hábitos reversíveis como tabagismo e alcoolismo. Todos estes fatores seriam controláveis com a adoção de um estilo de vida e dieta saudáveis, com impacto marcado no número de doentes vasculares cerebrais.

Uma primeira mensagem na prevenção do AVC deve ser clara: um estilo de vida saudável permitirá só por si evitar a maioria dos mecanismos causadores de AVC. Evitar sedentarismo, manter atividade física regular e controlada, além de uma dieta equilibrada são medidas de impacto enorme na saúde individual! E não estaremos “apenas” a prevenir AVCs, mas sim todas as doenças vasculares.

É ainda importante reconhecer que existem alguns fatores de risco próprios de cada indivíduo que apenas serão identificados após uma observação e estudo médico. Daqui se deduz a relevância de manter acompanhamento médico periódico, vigiando e controlando qualquer eventual alteração significativa ao exame físico ou em exames complementares.

Não obstante a essência da prevenção, como membros de comunidade todos devermos ter noção dos sinais de alerta para AVC. A Sociedade Portuguesa do AVC chama a atenção para os “3 F” que deverão levantar a suspeita de AVC: Face (assimetrias na face, “boca ao lado”), Fala (dificuldade na expressão verbal) ou Força (menor mobilização de um braço ou perna). E perante o início súbito de qualquer um dos “3 F” dever-se-á contactar imediatamente o 112. É uma atitude simples que poderá ainda salvar muito cérebro, pois a eficácia dos tratamentos disponíveis é dependente do tempo, devendo ser instituídos o mais cedo possível!

Ao prevenir o AVC, estamos a proteger o cérebro e a fomentar a nossa “saúde cognitiva”! Todas estas medidas são importantes e relevantes, devendo começar com simples atitudes de vida diária que no seu conjunto terão um marcado efeito! A Organização Mundial de Saúde informa ser esperado que uma em seis pessoas terão um AVC durante a vida. É um número assustadoramente alto, que nos impele a olhar para nós, para a nossa família e à nossa volta. Temos de mudar atitudes e com isso ativamente contribuir para reduzir estes números, mas mais importante que melhorar números, é preservar a vida e sobretudo vida com qualidade!

 

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