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Opinião
Esclerose múltipla na 1.ª pessoa
terça, 16 abril 2019 10:28
Por: Sandra Carvalho, enfermeira no Hospital de Elvas
Esclerose múltipla na 1.ª pessoa
O meu nome é Sandra Carvalho, tenho 46 anos, sou enfermeira e portadora de esclerose múltipla (EM). Há cerca de 10 anos, mais propriamente em novembro de 2009, fui convidada para fazer parte da Delegação Distrital de Portalegre da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM), como profissional de saúde. Por incrível que pareça, ou obra do destino, passados três meses comecei com alterações de visão e, pouco depois, veio o diagnóstico: também eu era portadora de EM. 

 

Felizmente tive sorte, por trabalhar na área. Fui rapidamente encaminhada para um especialista em Lisboa e o diagnóstico tornou-se mais fácil. Mas esta não é a realidade de maior parte dos portadores alentejanos, conforme me fui apercebendo, bem como do ainda grande desconhecimento da doença, onde até nós, profissionais de saúde, estamos incluídos.

Tenho assim vindo a dedicar-me ao combate deste desconhecimento, tal como a ajudar a minorar as diferenças que deteto na minha região comparativamente com outras zonas do país. Por exemplo, o acesso ao especialista de Neurologia e aos medicamentos. O ter de fazer medicação de urgência, no caso dos surtos, em hospitais fora da área de residência, está associado a uma data de custos. Estes custos são não só monetários como para a própria saúde do portador, uma vez que implicam deslocações de 200 ou 300 quilómetros numa fase de medicação agressiva com grande impacto no organismo. Outras características próprias do nosso Alentejo são responsáveis pelo isolamento e até depressão destas pessoas, e que é realmente preciso mudar.

 

Ao longo destes anos tenho vindo a organizar várias ações de sensibilização para a Esclerose Múltipla, como forma de dar a conhecer a realidade desta doença, não só aos profissionais de saúde, mas também à população em geral. Este ano tive a oportunidade de conhecer a ‘MS Inside Out’, uma experiência especialmente concebida para que todos possam sentir como um portador de EM, e imediatamente lutei para a trazer ao Alentejo. Perante isto, decidi que o ideal mesmo seria incluir a experiência numa Feira da Saúde, evento nunca realizado na cidade de Elvas. A Câmara Municipal de Elvas não só acarinhou a ideia como apoiou a sua realização, e rapidamente surgiu o apoio de associações, empresas e outras instituições.

O problema não é só o portador de EM que tem dificuldades no acompanhamento correto e necessário, mas também o desconhecimento da população em geral sobre uma correta promoção de saúde, a importância da prevenção, dos rastreios, dos estilos de vida saudáveis, de uma boa e correta alimentação, do exercício físico e acima de tudo das respostas que a comunidade local tem para oferecer.

 

Tendo em vista essa necessidade, torna-se cada vez mais prementes iniciativas como a "1.ª Feira da Saúde de Elvas", que ofereceu à população elvense e restante comunidade atividades de sensibilização e desportivas para adultos e crianças, mostras sociais e a possibilidade de rastreios como a avaliação da pressão arterial, glicémia, índice de massa corporal/peso e até cancro da pele. Este último foi feito a cerca de 40 pessoas!

 

Esta primeira edição serve como motivação para continuar a lutar pela mudança de pensamento da população portuguesa, que precisa de mudar mentalidades e apostar mais na prevenção da sua saúde. Como profissional de saúde, todos os dias assisto a situações de doença provocadas pela falta de conhecimento, informação e, claro, pela adoção de estilos de vida pouco saudáveis.

 

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