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Opinião
Consequências da menopausa na saúde oral da mulher
sexta-feira, 21 junho 2019 11:35
Por: Fernando Silva, médico dentista e diretor clínico das clínicas INFACE
Consequências da menopausa na saúde oral da mulher

A menopausa é o fim da reprodução na mulher, com o fim da menstruação devido à perda de atividade folicular nos ovários e a interrupção da produção de estrogénios.

Este processo biológico caracteriza-se pelo aumento do peso devido a alterações metabólicas, o envelhecimento da pele, instabilidade de temperamento e comportamento com irritabilidade e ansiedade, distúrbios do sono e de temperatura com rubores e ainda osteoporose, devido à alteração do metabolismo ósseo.
 
Esta situação terá consequências graves na saúde oral das mulheres, nomeadamente: boca seca devido a alterações da quantidade e qualidade da saliva com diminuição acentuada do ph salivar, desconforto e paladar alterado.
 
A toma de fármacos denominados bifosfonatos para a prevenção ou tratamento da osteoporose vai aumentar o risco de desenvolvimento de osteonecrose óssea ou osteonecrose dos maxilares. Estes medicamentos estão indicados para prevenir a diminuição da densidade óssea e o consequente risco de fraturas.
 
A osteonecrose óssea caracteriza-se por um conjunto de sinais e sintomas, entre os quais edema, dor, eritema, exsudado da mucosa, ulcerações de tecidos moles, supuração, presença de fístulas e perda de peças dentárias. Esta doença pode ser assintomática numa fase inicial e na sua evolução apresenta um conjunto diverso de sinais e sintomas.
 
Tratamentos dentários com procedimentos cirúrgicos, exodontias ou implantes potenciam o risco da osteonecrose.
 
Devido à alta afinidade dos bifosfonatos ao osso, as concentrações elevadas deste fármaco irão inibir ou atrasar a remodelação óssea provocando necrose, a morte do tecido ósseo.
 
A importância de uma boa higiene oral e visitas regulares ao médico dentista são indispensáveis para que a osteonecrose seja detetada numa fase inicial e, assim, atrasar a evolução da doença com as suas complicações associadas.
 
Mulheres que já tenham chegado à menopausa e que ainda não tenham iniciado uma terapia com bifosfonatos devem ser observadas previamente para que os tratamentos dentários necessários sejam realizados antes disso.
 
Dentes que não apresentem viabilidade de recuperação devem ser extraídos, o tártaro, especialmente o subgengival, deve ser removido, as próteses mal-adaptadas devem ser substituídas para evitar trauma nos tecidos moles.
 
A utilização de antimicrobianos orais em elixires e géis e a toma de antibióticos são fundamentais e os fármacos mais usados no tratamento da doença. A alternativa são intervenções cirúrgicas específicas e o menos invasivas possível para a remoção de tecido ósseo necrótico, sendo, no entanto, questionáveis e a última opção.
 
A comunicação entre o médico dentista e a paciente é fundamental através da recolha de informação e da elaboração de uma história clínica completa. O acompanhamento regular vai permitir a monitorização e o controle da doença, prevenindo a sua evolução.
 
As condições atuais são propícias ao aparecimento desta doença e são descritos cada vez mais casos com um aumento significativo de consequências graves. A prevenção é sem dúvida alguma o fator mais importante para evitar a osteonecrose óssea associada à toma de bifosfonatos.
 
A importância da Medicina Dentária preventiva aumenta com o envelhecimento da mulher, principalmente na idade pós-menopausa.
 
É fundamental a elaboração de programas de saúde pública apropriados para as mulheres na menopausa e na pós-menopausa, a fim de garantir-lhes uma vida pós-reprodutiva saudável.

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