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Opinião
Asma e pobreza
quinta-feira, 06 junho 2013 09:51
Por: Cláudia Pedrosa, assistente hospitalar de Pediatria, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho EPE
Asma e pobreza

artigo claudia pedrosa 84964As crianças e os adolescentes constituem um grupo vulnerável da população, em virtude da sua imaturidade e consequente ausência de voz política. Os que vivem em risco de pobreza são os mais vulneráveis de entre os vulneráveis.

 

 


A asma, sendo a doença crónica mais prevalente na idade pediátrica, acarreta custos significativos para as famílias e para a sociedade. Estes são ainda mais elevados quando a asma se associa a um baixo nível socioeconómico, devido a uma maior morbilidade da asma. Os fatores sociais há muito que têm sido sugeridos como contribuintes para a patogénese da asma na criança, mas só recentemente é que os estudos científicos têm fornecido alguma evidência sobre esta associação. Contudo, os processos biológicos implicados ainda são pouco conhecidos.


A pobreza acarreta consigo a chamada injustiça ambiental, ou seja, a exposição a um ambiente físico e social mais desfavorável, muito em consequência de regulamentações e da aplicação de políticas ambientais com caráter discriminatório.


Múltiplos fatores ambientais ligados à sociedade, à vizinhança, à família e ao indivíduo têm um efeito combinado entre si, originando um ambiente tóxico, que contribui para o desenvolvimento da asma na criança, bem como para a sua maior gravidade. São disso exemplo o menor acesso a cuidados médicos especializados, os elevados níveis de violência e crime nas áreas de residência, a disfunção familiar e outras ocorrências de stress agudo e crónico.


Identificar uma criança ou adolescente com asma de elevado risco de morbilidade por viver num baixo nível socioeconómico não ajuda, por si só, essa criança ou adolescente. A abordagem médica, nestes casos, não pode ser a convencionalmente usada, por risco de insucesso.


É necessário abordar tópicos que parecem pouco pertinentes para a asma, como problemas com a habitação, dívidas aos bancos, contendas familiares, violência local e perturbações emocionais. A linguagem utilizada deve ser culturalmente adaptada e os programas educacionais devem ser especificamente desenhados e idealmente apresentados na comunidade onde residem essas famílias.


Em conclusão, a pobreza é um fator de risco de asma. Só compreendendo os entraves à saúde que as famílias enfrentam é possível centrar os esforços na direção certa, em prol do bem-estar daquela criança ou adolescente com asma, da sua família e, deste modo, melhorar a eficiência do sistema de saúde no controlo desta patologia.

 

Cláudia Pedrosa, assistente hospitalar de Pediatria, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho EPE

 

Texto publicado na Edição Extra da revista Children's Medicine, junho 2013

 

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