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Opinião
Dia Mundial das Doenças Reumáticas: "Porque é importante (continuar a) trabalhar"
sexta-feira, 11 outubro 2019 10:34
Por: Elsa Mateus, presidente da Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas
Dia Mundial das Doenças Reumáticas: "Porque é importante (continuar a) trabalhar"
O que distingue o Dia Mundial das Doenças Reumáticas dos restantes dias do ano é a possibilidade de mobilizar a atenção da sociedade em geral e dos decisores políticos para os problemas que as pessoas afetadas por estas doenças enfrentam. Este ano o ênfase da campanha internacional recai na importância do apoio dos empregadores e da necessidade de políticas laborais que permitam que as pessoas com doenças reumáticas e músculo-esqueléticas trabalhem.
 
Apesar de ser um direito constitucional e de algumas medidas para os trabalhadores com deficiência ou doenças crónicas estarem contempladas no Código do Trabalho, muitas das pessoas com doenças reumáticas debatem-se diariamente com o dilema entre a determinação em manter a sua produtividade, os apoios disponibilizados para o fazer e a sua condição de saúde.
 
Sabemos que as perturbações músculo-esqueléticas são causas importantes de perda de saúde dos portugueses e que se encontram entre as principais causas de anos vividos com incapacidade (DGS/IHME 2018). Assumir incapacidades não é fácil: seja, em primeira instância, para o sujeito que se vê obrigado a alterar o seu projeto de vida com todas as implicações emocionais e sociais, seja pelo inerente percurso nas entidades responsáveis pela avaliação e decisão, necessário para a procura de apoios que permitam continuar a exercer uma ocupação profissional. Por outro lado, nem sempre é fácil a aplicação da legislação existente, o acesso aos apoios previstos, ou a implementação de políticas que contribuam para uma melhor saúde ocupacional, com melhor prevenção das lesões músculo-esqueléticas relacionadas com o trabalho e com medidas que contemplem a saúde ocupacional dos trabalhadores com doença reumática.
 
Quando todo este complexo falha, as opções possíveis são o desemprego, a incapacidade temporária ou prolongada para o trabalho, com agravamento da situação económica destas pessoas com doença crónica e sobrecarga para a Segurança Social, culminando frequentemente nos pedidos de reforma antecipada por incapacidade, de concessão muitas vezes limitada. Estimam-se que as perdas de produtividade por faltas ao trabalho de doentes reumáticos se aproximem dos 204 milhões de euros, continuando as doenças reumáticas a ser a principal causa de absentismo laboral e de reformas antecipadas, que custam mais de 900 milhões por ano.
 
Reconhecendo a relevância destes problemas, a Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas organiza no dia 12 de outubro o seu 22.º Fórum de Apoio ao Doente Reumático, sob o tema "Viver a (in)capacidade" e no qual pretende partilhar e proporcionar a reflexão sobre medidas de apoio disponíveis para estas situações, incluindo as necessidades educativas das crianças e jovens com doença reumática.
 
Recorde-se que, no caso da artrite reumatoide, o acesso a medicamentos inovadores permitiu aos doentes manterem-se ativos, gerando 240 milhões de euros em rendimento adicional para si e para as suas famílias (APIFARMA 2018). Enquanto esperamos a descoberta e acesso a medicação inovadora noutras doenças reumáticas, há que apostar na capacitação para o exercício de atividade profissional. É, portanto, importantíssimo (continuar a) trabalhar nesta área, para reduzir o impacto e carga global das doenças reumáticas e músculo-esqueléticas na sociedade e, sobretudo, para melhorar a qualidade de vida das pessoas afetadas por estas doenças.
 

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