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Opinião
A gestão da saúde mental no local de trabalho
terça-feira, 26 novembro 2019 11:18
Por: Joana Barros, Senior Marketing Executive, Michael Page
A gestão da saúde mental no local de trabalho
A gestão de problemas de saúde mental, como transtornos de ansiedade e depressão, pode ser muito complexo no local de trabalho, mas é necessária para promover a inclusão e apoiar os colaboradores. O burnout, o stress e o equilíbrio entre vida profissional e pessoal não só estão a tornar-se cada vez mais presentes no vocabulário como representam uma preocupação crescente para as organizações, cientes de que as pessoas felizes e o bem-estar no local de trabalho contribuem para aumentar a produtividade.
 
Deste modo, promover uma boa saúde mental no local de trabalho pode ter um enorme impacto nas empresas. Este é um problema global, dado que a ansiedade, a depressão e outros problemas relacionados com a saúde mental verificam-se cada vez mais em alguns países, nomeadamente europeus, prevendo-se que a maioria de nós acabe por enfrentar problemas desta natureza relacionados com o trabalho. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 4 em cada 15 colaboradores na Europa lidam com questões de saúde mental.
 
Se, para algumas pessoas, estes problemas surgem na forma de depressão, ansiedade ou stress, chega um momento em que mesmo aqueles que parecem estar completamente livres de problemas de saúde mental precisam de uma pequena pausa. Isto porque todas as pessoas têm de lidar com a sua própria saúde mental em determinado momento ou outro, quer estejam plenamente cientes disso ou não. Uma das coisas mais importantes quando se lida com a saúde mental, é a partilha e o conhecimento de experiências semelhantes que colegas de trabalho, chefias e amigos também tiveram e saber que há pessoas no local de trabalho que podem ajudar. Muitos colaboradores sentem que têm muito pouco controlo das suas vidas. A saúde mental tem um estigma associado e o medo de falar sobre o nosso próprio bem-estar pois pode comprometer o nosso estatuto no local de trabalho e o emprego, contribui para que se silencie o problema.
 
Desta forma, é imperativo que os empregadores se tornem mais conscientes da saúde mental, contratem talentos apropriados e criem formações para se abordar este problema crescente na sociedade. Um diagnóstico realizado atempadamente, bem como tratamento e monitorização adequados, contribuirão para uma recuperação mais rápida das pessoas.
 
Na gestão da saúde mental é importante ser resiliente, reflexivo e analítico, especialmente em relação aos colaboradores. As causas da saúde mental já não se prendem tanto com aumentos salariais ou cargos específicos (embora ainda sejam importantes definir como objetivos) mas com outros fatores, tais como capacidade de relacionamento, resolução de problemas, identificação de prioridades, exaustão, ou simplesmente, falta de propósito ou de sentimento de pertença com a organização em que se está inserido.
 
Neste contexto, as empresas têm a oportunidade de influenciar positivamente a saúde dos seus colaboradores, dando-lhes algum apoio de forma a melhorar o seu bem-estar a nível laboral. Aumentar o relacionamento entre as pessoas e o convivio laboral é fundamental. As relações sociais são cruciais para o bem-estar dos colaboradores. Ao acrescentar valor a um projeto (demonstrando a nossa própria visão ou simplesmente integrando colaboradores talentosos na equipa), fazemos com que se gerem contribuições positivas, que nos farão sentir melhor. Optar pela interação face-a-face, por situações presenciais em vez dos emails, permite-nos observar as expressões faciais, ouvir o tom de voz e, assim, compreender melhor a situação em questão. A atenção plena e o convívio com os colegas são bastante importantes para a saúde mental, o que resulta numa contínua aprendizagem e sentimentos mais positivos.
 
Num mundo onde a correria é o normal, por vezes acabamos por nos esquecer de nós mesmos. Refletir e ter autoconsciência ajuda-nos a compreender as emoções e dá-nos tempo para enfrentá-las. Alguns estudos mostram que quando estamos mais conscientes do que está a acontecer e do seu motivo, ganhamos uma melhor perceção das coisas, o que acaba por nos ajudar a reafirmar as nossas escolhas e propósitos.
 
Enquanto a saúde mental se torna cada vez mais presente na sociedade e no local de trabalho, os colaboradores, gestores e diretores concordam com a necessidade de se ter cargos adequados para solucionarem os problemas. Os mais adequados serão os Gestores de Desenvolvimento de Talento, sendo capazes de reconhecer os sinais de extremo stress, ansiedade e depressão dos seus colaboradores.
 
Não obstante, iniciativas como a do PageGroup, um dos primeiros Fornecedores de RH a querer saber mais acerca do estigma da saúde mental, estão a promover a gestão deste problema. “Time to Change”, é uma iniciativa liderada pela Mind and Rethink Illness. Outras 450 empresas seguiram o exemplo e estão empenhadas em acabar com o estigma que envolve a saúde mental, levando à criação da Ability@Page, que visa aumentar a sensibilização, desenvolver a formação, eliminar as barreiras e incentivar a que existam conversas positivas em torno deste tema.
 
No passado, estas questões passaram despercebidas e levaram ao absenteísmo e diminuição da produtividade. À medida que as sociedades vão tendo mais consciência e abertura para aceitar estas questões, especialmente à medida que mais e mais pessoas começam a encontrar o seu caminho, acabam com o sofrimento silencioso, abordando as questões que os afetam. Assim, as empresas passarão por uma transformação verdadeiramente positiva, uma vez que levará, sem dúvida, a uma força de trabalho mental mais saudável, produtiva, feliz e capaz de gerir os níveis de stress, ansiedade e depressão.

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