FacebookTwitterYoutubeInstagramWhatsapp

Plataforma de Atualização Diária

Opinião
Autismo: sinais de alerta e multidisciplinaridade
quinta-feira, 12 dezembro 2019 10:27
Por: Margarida Sabino, terapeuta ocupacional
Autismo: sinais de alerta e multidisciplinaridade
A perturbação do espectro do autismo (PEA) é uma perturbação do neurodesenvolvimento que se caracteriza por alterações ao nível da interação social e comunicação aliadas a padrões restritos e/ou repetitivos do comportamento, geralmente com início antes dos 3 anos (de acordo com a DSMV).
 
Os primeiros sinais, que aparecem habitualmente antes dos 3 anos, são referidos pelos pais na primeira consulta que indicam habitualmente que a criança terá tido um desenvolvimento normal até ao primeiro ou segundo ano de vida apresentando, posteriormente, uma regressão ao nível das aquisições da linguagem e comportamento:
 
• Apresenta o contacto ocular alterado, comummente os pais referem que a criança deixou de olhar para eles;
• Não aponta;
• Não usa o gesto;
• Não sorri em resposta à interação do outro;
• Não responde ao nome;
• Apresenta ecolália (discurso caracterizado por repetição de sons, palavras);
• Tem pouco interesse pelas outras crianças, isola-se;
• Imita pouco;
• Não brinca ao faz de conta, ou brinca pouco;
• Tem comportamentos/movimentos repetitivos (ex. abanar os braços);
• Tem dificuldades em tolerar as mudanças nas rotinas;
• Gosta de objetos estranhos;
• Tem interesses muitos restritos, específicos;
• Reage excessivamente às novas sensações, dor e temperatura ou demonstra pouca reatividade.
 
 
A sinalização e acompanhamento precoces são importantes para um bom prognóstico, pelo que consideramos essencial que professores/educadores e famílias sejam sensibilizados para o reconhecimento de sinais de alerta e para atuar de imediato para responder às necessidades destas crianças. Perante estes sinais, e para uma correta avaliação, a criança deve ser avaliada por pediatra de desenvolvimento.
 
E perante o diagnóstico, o que fazer?
 
O diagnóstico de perturbação do espetro do autismo não é uma notícia fácil para as famílias que têm que lidar com uma realidade desconhecida e ajustar toda uma dinâmica familiar às necessidades da criança.
 
Quando olhamos para a criança com perturbação do espetro do autismo (ou com outro tipo de alterações no desenvolvimento), precisamos de ver mais além do diagnóstico. Devemos observar aquela criança com as suas competências e dificuldades permitindo assim definir um perfil de funcionalidade global e o encaminhamento para as respostas de intervenção mais adequadas. É essencial o trabalho em equipa multidisciplinar, a definição de prioridades a cada fase do processo de desenvolvimento e objetivos realistas. Equipa médica e equipa terapêutica (psicólogos, terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais, …), a escola e a família, deverão ser aliados, parceiros nesta jornada que é potenciar o desenvolvimento das crianças com PEA. Assim, a intervenção com a criança não poderá ser meramente um trabalho de competências individuais, mas a capacitação da comunidade escolar e o apoio e desenvolvimento das famílias.
 

PUBLICIDADE

© 2020 Vital Health | Todos os direitos reservados | Designed by IPSPOT_ and Developed by Webview