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Opinião
Enxaqueca, alimentação e exercício físico
quarta-feira, 08 abril 2020 10:42
Por: Isabel Pireza Nunes, membro da MiGRA Portugal
Enxaqueca, alimentação e exercício físico
Todas as pessoas que sofrem de enxaqueca já pesquisaram e leram muito sobre dicas, truques ou conselhos, mais ou menos fidedignos, em fontes mais científicas ou mais “livres”, sobre a melhor forma de conseguir viver uma vida normal.
 
Uma alimentação equilibrada com pouca gordura, pouco açúcar, pouco sal, muitas verduras e frutas e qb de proteínas e hidratos de carbono é bastante importante para uma vida saudável e ajuda também no controlo das enxaquecas. Várias pessoas referem alimentos como gatilhos da enxaqueca: citrinos, produtos lácteos em geral, queijo, chocolate, frutos secos, bebidas alcoólicas, glúten… Cada pessoa é única e tem as suas sensibilidades e o que resulta para uns, não resulta para todos.
 
O que é importante é que cada um identifique os seus alimentos gatilho de enxaqueca e faça a sua evicção, de modo a que se sinta melhor e consiga controlar as suas crises. No caso da evicção de alguns alimentos, será necessário ter orientações nutricionais para substituição ou suplementação, para prevenir eventuais carências. Há também que ter atenção na substituição, pois se formos atender ao caso do glúten, evitar o glúten e substituí-lo por alimentos sem glúten industrializados, não significa necessariamente uma escolha mais saudável, uma vez que as bolachas, pães e bolos sem glúten têm muitas vezes muito mais gordura e açúcar do que os alimentos com glúten.
 
Outro dos mandamentos da vida saudável é a prática do exercício físico, mas se conseguimos melhoras das crises de enxaqueca quando adotamos uma alimentação mais saudável, com refeições mais leves (até porque nos convém comer a horas regulares e não passar muito tempo sem comer), com a prática do exercício físico pode já não ser bem assim…
 
A prática do exercício físico muitas vezes despoleta crises de enxaqueca e apanha-nos desprevenidos. Pensamos que estamos a fazer o mais adequado e repentinamente começamos a ter mais crises de enxaqueca ou mais violentas.
 
Isto foi o que aconteceu comigo. Quando comecei a fazer exercício físico, comecei a sentir-me mal e muitas vezes terminava as aulas com enxaqueca ou tinha uma crise passadas poucas horas. Percebi que, no meu caso, não podia fazer exercício cardiovascular muito intenso, não podia fazer exercício com impacto na coluna e não podia fazer exercício físico em locais quentes, ou ao ar livre, debaixo do sol, ou com muito calor. Até mesmo alguns exercícios de relaxamento me provocavam enxaqueca.
 
Tive de ir experimentando vários tipos de exercício e começar sempre com baixa intensidade e no caso de exercício com pesos, usar pouco peso. Fui fazendo um registo diário do exercício, tipo de exercício e intensidade. Concluí que (no meu caso) não podia fazer:
 
Exercícios de pilates ou relaxamento que implicassem mexer muito o pescoço ou aplicassem carga sobre o pescoço e ombros;
 
Corrida, mesmo que leve. No entanto, sinto-me bem a fazer caminhada;
 
Exercícios com saltos (burpees, polichinelo, saltar à corda, etc.);
 
Exercícios de braços que obriguem a ter braços esticados acima da cabeça, ou com pesos nos braços.
 
Foi importante também ter o acompanhamento de um treinador para me orientar e corrigir a postura, bem como ensinar a fazer alguns exercícios com a mesma eficácia, mas com menor impacto para o pescoço, braços e ombros.
 
Tendo percebido quais os exercícios que não podia fazer, comecei a sentir os benefícios do exercício físico: melhor controlo das crises, porque o exercício também me ajudava a gerir o stress e a tensão acumulada. Simultaneamente, senti também um aumento de energia e boa disposição.
 
Juntem-se à MiGRA Portugal – Associação de doentes com enxaqueca e cefaleias. Juntos, pretendemos dar voz a esta doença neurológica, incapacitante.
 

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