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Opinião
“A enxaqueca é muito mais do que uma dor de cabeça”
quinta-feira, 23 julho 2020 10:03
Por: Isabel Luzeiro, presidente da Sociedade Portuguesa de Neurologia
“A enxaqueca é muito mais do que uma dor de cabeça”
A enxaqueca é uma patologia classificada pela Organização Mundial de Saúde como uma das doenças mais incapacitantes do mundo, comparável à demência, quadriplegia e psicose ativa. Esta patologia afeta cerca de 1,5 milhões de portugueses, sobretudo pessoas em idade ativa, e resulta em incapacidade temporária para os doentes aquando das crises, que podem durar até vários dias.
 
A enxaqueca é muito mais do que uma dor de cabeça. Há no migranoso um limiar baixo aos diversos estímulos: cerebral, gastro intestinal, hormonal… A dor é uma dor pulsátil ou latejante e que se agrava, quer com os movimentos da cabeça, quer com o esforço físico.
 
Enquanto doença crónica, faz com que, quem sofre desta patologia, esteja predisposto a apresentar crises, mediante os mais variados estímulos. Podemos afirmar que qualquer saída da rotina pode desencadear crise de enxaqueca, até mesmo saídas da rotina saudáveis, como iniciar um programa de exercício físico, ou aumento da carga e intensidade do treino de quem já pratica podem desencadear crise de enxaqueca em quem sofre dessa doença.
 
O confinamento social e o teletrabalho potenciaram o aumento da intensidade e frequência das crises devido (de um modo resumido) à alteração completa das suas rotinas e à ansiedade face a essas alterações e ambiguidade de comportamentos no futuro.
 
Após alguns meses com desconfinamento podemos voltar a restabelecer alguma “normalidade”; contudo isso implica novas alterações na vida dos migranosos e possível incremento do número de crises. É importante tentar controlar o stress, reajustar as tarefas diárias, quer profissionais, quer pessoais e familiares.
 
Durante e após o teletrabalho, as alterações do ritmo de sono, seja deitar ou levantar mais cedo ou mais tarde, dormir fragmentado ou mais ou menos horas que o habitual pode desencadear crises.
 
A regularização do horário das refeições e ter uma alimentação saudável são também outros aspetos a ter em consideração para evitar as crises.
 
O café em excesso ou a ausência do café pode potenciar o aparecimento de dores de cabeça, pelo que a redução no número de cafés que bebemos deve ser muito gradual. A ingestão de água ou infusões sem estimulantes e sem açúcar também é muito importante para manter uma boa hidratação, visto que começou o verão.
 
Devemos manter o tratamento prescrito pelo médico, tanto a medicação profilática como a medicação usada em situação aguda – SOS. Sempre que se tem uma crise devemos tomar a medicação SOS o mais cedo possível para não agravar a situação, que depois será mais difícil de debelar.
 
O nosso cérebro demora cerca de 66 dias a restabelecer uma nova rotina; por isso, as crises cujo fator desencadeante seja o desconfinamento serão transitórias até à adaptação.

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