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Opinião
Estenose aórtica - Técnica minimamente invasiva deverá ser opção preferida para os 25 mil “avós” que precisam de tratamento
sexta-feira, 24 julho 2020 10:01
Por: Rui Campante Teles, cardiologista de intervenção
Estenose aórtica - Técnica minimamente invasiva deverá ser opção preferida para os 25 mil “avós” que precisam de tratamento
O Dia dos Avós assinala-se a 26 de julho, dia de lembrar que a estenose aórtica grave (considerada uma doença de “avós”) é tratada através de uma técnica minimamente invasiva que, além de ser a única esperança de vida para os doentes cardíacos inoperáveis, é também a melhor solução médica capaz de lhes garantir uma boa qualidade de vida. Esta técnica de implante percutâneo da válvula aórtica (TAVI) tem uma evolução de uma década e estava restrita para doentes com estenose aórtica grave com risco cirúrgico aumentado, constituindo, em 2020, uma alternativa para todos os doentes devido a novos estudos científicos, proporcionada pelo desenvolvimento médico e tecnológico registado na última década.
 
Até agora, o uso do tratamento era reservado a doentes com estenose aórtica grave com risco cirúrgico aumentado, usualmente com mais de 80 anos, o que corresponde a cerca de cinco mil portugueses. Ensaios recentes disponibilizam o procedimento minimamente invasivo a toda a população de doentes portadora de estenose aórtica grave e sintomática, especialmente nos doentes de menor risco, muitos deles com apenas 70 anos. Calcula-se que as necessidades nacionais cresçam até cinco vezes, pois esta técnica constituirá a opção preferida para os cerca de 25 mil portugueses que necessitam de ser tratados.
 
Isto significa que toda a população de doentes portadora de estenose aórtica grave e sintomática, especialmente nos doentes de menor risco (muitos deles com apenas 70 anos), tem disponível uma técnica que reduz o nível invasivo do tratamento. Um desenvolvimento que permite que os doentes, maioritariamente idosos, não sejam sujeitos a uma cirurgia de peito aberto onde poderiam correr mais riscos e ter um pós operatório mais prolongado que implica a passagem pelos cuidados intensivos. Referindo ainda que a cirurgia a peito aberto, por vezes, nem era considerada opção para os doentes devido ao seu carácter invasivo, complexidade e potenciais complicações.
 
Um estudo com uma válvula autoexpansível avaliou cerca de 1400 doentes com uma idade média de 74 anos e baixo risco para cirurgia, demonstrando resultados sobreponíveis no tratamento minimamente invasivo por cateter comparado com a cirurgia convencional, que tem vindo até agora a ser o método de tratamento recomendado.
 
Os médicos assistentes têm pela sua frente o desafio de dar resposta a esta nova era do tratamento valvular para os seus doentes e podem encaminhar os doentes para cardiologistas que integrem equipas multidisciplinares treinadas, compostas por vários especialistas, como cirurgiões, anestesistas e geriatras.
 
A estenose aórtica afeta cerca de 32 mil portugueses e se não for detetada a tempo, pode ser fatal. Estes são doentes, maioritariamente, acima dos 70 anos (daí ser considerada uma doença de avós) e que ficam com uma qualidade de vida limitada devido ao cansaço, dor no peito e desmaios associados. E é uma doença cada vez mais frequente devido ao aumento da esperança de vida.
 
A aorta é a principal artéria do nosso corpo que transporta sangue para fora do coração. Quando o sangue sai do coração flui da válvula aórtica para a artéria aorta. A válvula aórtica tem como função evitar que o sangue bombeado pelo coração volte para trás. Na presença de estenose, a válvula aórtica não abre completamente, vai ficando cada vez mais estreita e isso impede o fluxo sanguíneo para fora do coração.
 
O diagnóstico da estenose aórtica pode ser confirmado com recurso à auscultação, ecocardiografia com doppler, seguindo-se muitas vezes um cateterismo cardíaco para completar o estudo quando se considera que é necessário efetuar um tratamento invasivo.

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