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Opinião
Desde quem tem hepatite C até quem decide, no combate à doença #TodosContam
quinta-feira, 30 julho 2020 09:52
Por: Rui Tato Marinho, presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia
Desde quem tem hepatite C até quem decide, no combate à doença #TodosContam

A Hepatite C é uma inflamação do fígado, provocada por um vírus, chamado de “C”, o Vírus da Hepatite C (VHC). Esta é uma doença assintomática e silenciosa, que se diagnostica fundamentalmente através de análises.

A grande maioria dos infetados apresenta poucos ou nenhuns sintomas, o que faz com que muitos que estão contaminados desconheçam que têm a doença. Podem mesmo passar 10, 20 ou mais anos até serem diagnosticados. Por este motivo, a Hepatite C é considerada uma epidemia silenciosa que mata, anualmente e a nível mundial, cerca de 400.000 pessoas. Em Portugal, estima-se que o número de infetados ronde os 40.000

Cerca de 20 a 30% dos indivíduos infetados pelo VHC recupera espontaneamente após a infeção aguda pelo mesmo. Os restantes 70 a 80% evoluem para hepatite crónica, ou seja, permanecem infetados com o vírus, se não se intervir do ponto de vista médico, para toda a Vida, que pode ser encurtada pelas consequências do vírus “C”,

Com o passar do tempo, habitualmente anos, pode conduzir à cirrose, insuficiência hepática e cancro do fígado. Neste sentido, tendo em consideração a evolução da doença, o diagnóstico precoce é fundamental e traz grandes benefícios para as pessoas infetadas, pois permite o tratamento antes que se instalem as lesões hepáticas. Além disto, o diagnóstico precoce contribui também para a proteção da comunidade, uma vez que ao eliminar o foco da infeção se evita a sua propagação. Um infetado é um reservatório ambulante de milhões de vírus vivos.

A este nível, é igualmente importante ter em atenção as formas de transmissão da hepatite C, desfazendo o mito de que o vírus se transmite através de beijos e abraços, espirros ou tosse, partilha de copos, talheres e outros utensílios de uso comum. Na realidade, a principal via de infeção é o sangue, pelo que a grande maioria foi infetada através da partilha de agulhas, seringas ou outros materiais cortantes, transfusões de sangue anteriores a 1992, quando o sangue ainda não era testado para este vírus, relações sexuais com uma pessoa infetada, ou se a mãe na altura da gravidez e do parto estava infetada.

Pelo seu modo de transmissão, os principais grupos de risco são as classes mais vulneráveis, como os consumidores regulares de drogas, alguns reclusos, os trabalhadores do sexo, os sem-abrigo e alguns imigrantes provenientes de países de maior risco. Em Portugal, o grupo de maior prevalência da doença são os consumidores regulares de drogas, ainda que tenham sido no passado longínquo, onde se atingem percentagens de 60-70%. Apesar de estarem mais expostos ao risco, estes grupos, em grande medida devido às suas condições de vida, não procuram fazer as análises indicadas e, já em fases mais avançadas da doença, chegam mesmo a não recorrer aos serviços de saúde. O tratamento é gratuito no SNS, apresentando taxas de cura de cerca de 97%.  

Por esta razão, é premente ir ao encontro destas pessoas. É premente dar-lhes a importância devida e lutar para as proteger, uma vez que, e reforço, além de estarmos a contribuir para a sua saúde estamos igualmente a contribuir para a proteção da restante comunidade. Eliminar o foco da infeção evita a sua propagação. Este trabalho no terreno é já realizado por muitas associações e profissionais. No entanto, é preciso mais. É preciso contar com todos para todos proteger.

Neste contexto de Saúde Pública, com esta ideia em mente, e para celebrar o dia 28 de julho, que marca o Dia Mundial das Hepatites, a SPG lança a campanha #TodosContam. Através deste mote e em colaboração com a SOS Hepatites, o GAT e o Ares do Pinhal Harm Reduction Program, pretendemos alertar os portugueses, desde os profissionais de saúde e entidades decisoras, até aos doentes e seus familiares, para o impacto que este vírus tem no nosso país. É de extrema relevância estarmos todos em sintonia e lutarmos em conjunto para eliminarmos a Hepatite C enquanto problema de saúde pública, cumprindo, assim, a meta estabelecida pela Organização Mundial da Saúde.

Como se costuma dizer, todos juntos fazemos a diferença. Por isso, para a eliminação definitiva da Hepatite C #TodosContam.

Rui Tato Marinho,

Presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia

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