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Opinião
Pediculose em Pediatria
quinta-feira, 17 dezembro 2020 12:25
Por: Catarina Schrempp Esteves, Miguel Paiva Pereira e Ana Serrão Neto, pediatras no Centro da Criança e do Adolescente, Hospital CUF Descobertas
Pediculose em Pediatria
A pediculose é uma patologia muito frequente em pediatria, particularmente a pediculose do couro cabeludo. Todavia, importa recordar que a Pediatria cuida de crianças e adolescentes, desde o nascimento até aos 18 anos. Por isso, o pediatra tem de considerar formas menos frequentes de pediculose, em especial nos adolescentes depois de iniciarem vida sexual.
 

Em síntese, existem três tipos de pediculose: pediculose do couro cabeludo (pediculus humanis capitis), pediculose corporal (pediculus humanis corporis) e pediculose púbica (phthirus pubis), que também pode ser responsável pela pediculose ciliar ou das sobrancelhas.

A mais frequente é a pediculose capitis que afeta principalmente crianças entre os três e 11 anos e todas as classes socioeconómicas. Transmite-se por contacto direto entre cabeças, alojando-se preferencialmente na região occipital e retro-auricular. Não voa, não salta nem utiliza os animais como vetores. O papel de objetos na transmissão é controverso.

A pediculose corporis tem maior incidência em aglomerados populacionais e locais com menores condições de higiene e atinge tanto crianças como adultos. O parasita vive nas roupas, colocando os ovos preferencialmente nas costuras, sem utilizar o ser humano como hospedeiro.

A pediculose púbica, além da região púbica e perianal, pode atingir outras áreas corporais, nomeadamente as sobrancelhas - pediculose ciliar. É mais frequente em jovens sexualmente ativos, sendo o contacto sexual o principal modo de transmissão, mas a transmissão através da partilha de objetos também pode ocorrer.

A pediculose ciliar também ocorre na criança e resulta habitualmente do contacto com objetos ou outras áreas corporais afetadas. Não está relacionada com transmissão sexual.

O prurido é a principal manifestação clínica e é transversal a todas os tipos de pediculose. Ocorre por reação alérgica à saliva do parasita, podendo manifestar-se até quatro a seis semanas depois do contacto com o parasita.

O diagnóstico realiza-se mediante observação a olho nu do parasita ou lêndeas, embora a utilização de lupa ou dermatoscópio seja recomendável. É difícil visualizar o parasita porque é transparente, tornando-se acastanhado após ingerir sangue do hospedeiro. A existência de lêndeas sem parasitas adultos, não confirma infestação ativa.

No tratamento da pediculose podem utilizar-se métodos químicos, físico e medidas de controlo ambiental. Os tratamentos químico e físico devem ser repetidos sete dias depois, para garantir que o ciclo de vida do parasita foi completamente interrompido.

Na pediculose capitis a permetrina 1% é o tratamento de 1.ª linha. Aplica-se em cabelo seco, massaja-se e deixa-se atuar durante 10 minutos. De seguida, lava-se e penteia-se o cabelo húmido com pente de dentes finos. Se só existirem lêndeas a mais de 6.5mm do couro cabeludo, sem parasitas adultos, não é necessário tratamento porque estas lêndeas não são viáveis. Mas uma das causas mais frequentes de falência do tratamento é a permanência de lêndeas junto ao couro cabeludo. Este aspeto é muito importante e deve-se prestar muita atenção ao couro cabeludo aquando do tratamento.

Como adjuvante, ou se houver falência de tratamento, é recomendada a utilização de métodos físicos cujo mecanismo de ação é causar morte dos parasitas por asfixia. Os métodos físicos têm particular valor na eliminação de lêndeas, uma vez que não são removidas por agentes químicos. Estes métodos são relevantes na prevenção de recidivas. Podem ser utilizados o dimeticone, a oxyptirina, os derivados de óleo de coco, que se aplicam como a permetrina.

A utilização de champôs preventivos e sprays, está indicada como adjuvante do tratamento, sobretudo em contexto de surtos. Estes agentes criam uma película protetora que dificulta a adesão dos piolhos ao cabelo.

Relativamente às medidas de controlo ambiental, a roupa utilizada pela pessoa afetada nas 48 horas prévias ao início do tratamento, deve ser lavada a altas temperaturas. Em alternativa, devem ser submetidas a limpeza a seco ou colocadas num saco de plástico selado durante duas semanas.

Um dos principais desafios dos pediatras é o esclarecimento de dúvidas e desmistificação de ideias erróneas. Não está indicada a evicção escolar, nem a remoção de pelos ou corte de cabelo radical da área afetada e devemos refletir sobre o seu impacto psicológico.

Para evitar a re-infestação, é essencial verificar o cabelo das crianças e familiares com regularidade quanto à presença de piolhos e lêndeas e cumprir as instruções de tratamento.

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