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Opinião
Sono em tempos de pandemia

Sono em tempos de pandemia

Por: Susana Sousa, pneumologista coordenadora da Comissão de Trabalho de Patologia Respiratória do Sono, da SPP

quinta-feira, 18 março 2021 12:04

O período de pandemia condicionou uma alteração forçada das rotinas diárias, levou ao isolamento social, ao confinamento, à diminuição do convívio social, à diminuição da exposição à luz solar substituída pelo aumento de tempo frente a ecrãs, que nos traziam diariamente notícias da realidade difícil que atravessamos.

Estas mudanças do quotidiano impostas pela pandemia COVID-19 provocaram vários efeitos na saúde física e mental. O sono não foi uma exceção e não saiu ileso neste período. Os sintomas de ansiedade e depressão aumentaram em vários países a partir de abril de 2020, existe evidência de aumento do consumo de substâncias ilícitas e os pedidos de consulta de insónia aumentaram. Em tempo de pandemia, o acesso a consultas e exames por doença não COVID foi também afetado como efeito colateral da sobrecarga dos hospitais e vai inevitavelmente demorar a regularizar.

Na semana de sensibilização para o sono, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia pretende alertar para a importância do sono como pilar fundamental para uma vida saudável. O período de teletrabalho e de confinamento pode ser encarado como uma janela de oportunidade para pôr o sono em dia. O aumento do período em casa pode ser útil para recordar a importância de uma alimentação saudável e de exercício físico regular, longe de filas de trânsito ou do recurso a fast food porque não existe tempo para uma refeição adequada.

Para isso sugerimos algumas medidas:

  • Adotar uma rotina regular de sono, com um ritmo próximo do seu ritmo biológico.
  • Aumentar a exposição solar (aliar a uma caminhada diária, por exemplo), de acordo com as regras para a fase de confinamento.
  • Escolher um período diário para falar com amigos e familiares sobre as próprias emoções ajuda a limitar o período dedicado ao stress e a evitar levar estas preocupações para a hora de dormir.
  • Escolher atividades relaxantes antes de se deitar, como ler um livro, praticar yoga ou meditação podem ser aliados a um bom sono.

O período de confinamento pode ser visto como um momento de reflexão e para estar atento ao próprio organismo. É comum a culpa ser atribuída a outros fatores para os sintomas que vão surgindo paulatinamente. O cansaço deve-se ao stress, a sonolência diurna deve-se ao avançar da idade e o ressonar é normal são frases que ouvimos frequentemente. A sonolência diurna em excesso, a fadiga, o ressonar e as pausas na respiração durante o sono não são normais e podem ser os primeiros sintomas de apneia do sono. A dificuldade em adormecer, em manter o sono ou a sensação de sono não reparador também indicam um sono que deve ser investigado. Estar atento aos sintomas é fundamental para diagnosticar uma doença o mais precocemente possível de forma a iniciar o tratamento adequado. No caso de já ter sido diagnosticado previamente com uma perturbação do sono, deve cumprir o tratamento como prescrito.

E dar importância ao sono, sobretudo em tempos de pandemia.

Susana Sousa, pneumologista coordenadora da Comissão de Trabalho de Patologia Respiratória do Sono, da SPP

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