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Opinião
Dia Mundial da População: Porquê falar de AVC?

Dia Mundial da População: Porquê falar de AVC?

Por: Ana Paiva Nunes

terça-feira, 13 julho 2021 10:39

No âmbito do Dia Mundial da População celebrado no passado domingo, dia 11 de julho, Ana Paiva Nunes, especialista de Medicina Interna e membro da Comissão Científica da Sociedade Portuguesa do AVC, deixou o seu parecer sobre a importância de falar sobre a patologia.

Neste Dia Mundial da População faz todo o sentido falarmos de Acidente Vascular Cerebral (AVC), porque nada é mais sustentável do que a promoção da saúde em vez do tratamento da doença, sabendo nós que o AVC é a principal causa de mortalidade e incapacidade no nosso país. Para a promoção da saúde o mais importante é o conhecimento por parte da população do que são estilos de vida saudáveis e sustentáveis.
Relativamente ao Acidente Vascular Cerebral sabemos que o mais difícil é mudar comportamentos e a promoção da saúde é exatamente favorecer os comportamentos saudáveis em vez dos prejudiciais. Para isto acontecer é importante também saber-se o porquê das medidas sugeridas para promoção da saúde individual de cada um de nós:
  • Devemos não fumar porque o tabaco, além de aumentar o risco de doenças pulmonares e de cancros vários, é um acelerador da aterosclerose, que vai dificultar que as nossas artérias transportem bem o sangue para todos os nossos órgãos, onde se inclui o cérebro;
  • Devemos ter uma alimentação saudável e sustentável, porque as nossas escolhas alimentares têm um impacto direto em todo o nosso organismo e também no nosso planeta;
  • Devemos moderar o consumo de álcool e evitar o sal, que têm repercussão direta nos valores de pressão arterial a que sujeitamos todo o nosso sistema circulatório, que vai transportar os nutrientes para todos os nossos órgãos;
  • As nossas escolhas devem ser também sustentáveis preferindo produtos frescos, locais, da época, reduzindo o consumo de carne e de alimentos pré-confecionados, que têm um impacto deletério tanto na nossa saúde como em todo o planeta;
  • Devemos fazer exercício físico moderado de forma regular e incluir esta prática nas atividades normais da vida quotidiana, como fazendo parte dos nossos hábitos de higiene;
  • Se tivermos alguma doença ou fator de risco já identificado, como a hipertensão arterial, a diabetes ou a fibrilhação auricular, devemos ser exigentes com o cumprimento da medicação recomendada pelos médicos e garantir que essa medicação está a ter o efeito pretendido, nomeadamente que a pressão arterial e a diabetes estão efetivamente controladas para os valores alvo pretendidos e que não nos esquecemos de tomar o anticoagulante no caso de termos uma fibrilhação auricular. Todas estas atitudes contribuem para diminuir o risco de se sofrer um AVC, mas o conhecimento não pode acabar aqui.
Todos nós temos que saber quais são os sinais de alerta para um AVC – boca ao lado, dificuldade em falar, falta de força num braço - e é fundamental saber-se que, ao contrário daquilo que acontecia há duas década atrás, hoje o AVC é tratável, mas é uma EMERGÊNCIA.
A probabilidade de uma pessoa ficar sem sequelas após um AVC depende da rapidez do tratamento, portanto, perante uma pessoa que desenvolve um AVC, a atitude correta é SEMPRE LIGAR O 112, como se faz para todas as Emergências Médicas. Desta forma, o doente é encaminhado para o Hospital mais próximo com capacidade para fazer o tratamento do AVC. Ir pelos próprios meios para o Hospital é uma atitude errada, porque o Hospital pode não estar preparado para receber um doente com AVC e perde-se tempo crucial.
Numa altura de tanta indefinição como a que vivemos atualmente, existem, contudo, coisas que estão muito bem definidas e estão nas mãos de cada um de nós. Escolher um estilo de vida saudável e sustentável é a medida mais eficaz que individualmente podemos tomar.

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