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Opinião
A fibrose pulmonar idiopática sob o olhar da Enfermagem

A fibrose pulmonar idiopática sob o olhar da Enfermagem

Por: Luciana Oliveira

terça-feira, 14 setembro 2021 09:51
Leia o artigo de opinião de Luciana Oliveira, enfermeira, no Centro Hospitalar Universitário de São João, no Porto, sobre a fibrose pulmonar idiopática (FPI).

 

Foi diagnosticado com FPI? É importante perceber o que é esta doença

A fibrose pulmonar idiopática (FPI) é uma doença crónica limitada aos pulmões, em que vai ocorrendo substituição do pulmão normal por fibrose (cicatrizes), prejudicando a sua capacidade para realização das trocas gasosas (oxigenação do sangue). A causa é desconhecida, daí ser chamada de idiopática. À medida que a FPI progride – o ritmo de evolução difere de indivíduo para indivíduo – a função pulmonar vai ficando cada vez mais comprometida.

 

O que fazer para melhorar a sua qualidade de vida?

Praticar/manter uma atividade física regular adequada às suas capacidades, preferencialmente ao ar livre. Ter uma alimentação saudável. Ter uma vida social ativa, mantendo o contacto regular com familiares e amigos. Praticar reabilitação respiratória para minimizar os sintomas da doença. Respeitar as horas de descanso. Gerir o stress com técnicas de relaxamento. Estar atento à sua saúde mental, nomeadamente, a sinais de ansiedade e depressão. Deve tentar compreender e partilhar os seus anseios e, quando assim se justificar, poderá ser referenciado para a Psicologia.

 

A adesão à terapêutica é fundamental

É muito importante conseguir que a doença interfira o mínimo possível na sua vida. Antes de iniciar a medicação, os profissionais de saúde que o seguem irão fazer uma avaliação, que lhes permitirá conhecer melhor as suas rotinas, com a finalidade de escolher o tratamento mais adequado. É também relevante criar uma relação de confiança com estes profissionais pois, além do acompanhamento que asseguram, explicar-lhe-ão as diferentes fases da sua doença, a importância da adesão à terapêutica e a gestão dos efeitos adversos inerentes à medicação.

 

Qual a medicação indicada para o tratamento da FPI e como tomar?

Até à data, não existe nenhum tratamento capaz de curar a FPI. No entanto, estão disponíveis medicamentos eficazes na redução do ritmo de progressão da doença. É importante tomar estes medicamentos exatamente como indicado pelo seu médico e/ou enfermeiro.

 

Quais os efeitos adversos mais comuns da medicação para o tratamento da FPI?

  • Cólicas abdominais;
  • Diarreia;
  • Perda de peso;
  • Falta de apetite;
  • Flatulência;
  • Náuseas;
  • Vómitos;
  • Má digestão;
  • Fadiga;

 

Como gerir a possível ocorrência de efeitos adversos dos medicamentos?

A incidência e a gravidade dos efeitos secundários variam de doente para doente e há casos em que podem não se verificar.

 

Caso ocorram efeitos adversos, para minimizar a periodicidade e gravidade destes efeitos, podem ser seguidos estes passos:

  • Evitar bebidas gaseificadas e álcool para não agravar a má digestão e alterações hepáticas, respetivamente;
  • Evitar alimentos ricos em fibras fermentáveis por poderem ter um efeito laxante e provocar flatulência e/ou diarreia;
  • Fazer várias refeições por dia para contrariar a perda de apetite e peso;
  • Evitar deitar-se logo após as refeições;
  • Evitar automedicação;
  • Recorrer, quando necessário, a medidas de suporte (uso de antidiarreico, antiemético e protetor gástrico, prescritos em consulta pelo seu médico);
  • No caso de diarreia persistente, com duração superior a três dias, deve consultar o seu médico ou enfermeiro. Pode haver necessidade de reduzir a dose, suspender temporariamente a medicação ou até mesmo interrompê-la de forma definitiva;
  • Manter uma boa hidratação oral.

 

No caso particular de um dos medicamentos, devido à fotossensibilidade, é importante também:

  • Evitar exposição prolongada ao sol;
  • Usar protetor solar diariamente, aplicando várias vezes ao dia;
  • Usar roupa clara e chapéu;
  • Usar cremes hidratantes.

 

Este artigo foi escrito no âmbito do guia “Gestão da FPI: Dicas úteis para o doente”, que pode ser consultado, aqui.

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