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Opinião
Abordagem psicológica da fibrose pulmonar idiopática

Abordagem psicológica da fibrose pulmonar idiopática

Por: Paulo Pimentel

terça-feira, 21 setembro 2021 09:59
Leia o artigo de opinião de Paulo Pimentel, diretor do Serviço de Psicologia do Centro Hospitalar de Trás-Os-Montes e Alto Douro, sobre a abordagem psicológica da fibrose pulmonar idiopática (FPI).

 

Como lidar com o diagnóstico e com a progressão da doença
Ouvir o diagnóstico de uma patologia crónica como a FPI supõe a existência de uma reação com grande carga emocional: é possível que sinta medo, angústia, revolta, culpa e tristeza face à evolução da doença.
 
É muito importante:
  • Validar todos os sentimentos e emoções vividos após o diagnóstico, isto é, aceitar como normal e até adaptativo e desejável, do ponto de vista psicológico, experienciar essas emoções ditas “negativas”;
  • Expressar todos os sentimentos e angústias relacionados com a doença e falar com a equipa clínica que o acompanha, envolvendo ao máximo a família ou cuidadores;
  • Estar atento aos sinais de depressão (como a tristeza permanente e as alterações do sono) pois, se não forem tratados, poderão evoluir para formas mais graves;
  • Falar sobre a doença. Apesar de não existir uma forma ideal de reagir ao diagnóstico, uma vez que cada pessoa é única, falar com alguém com FPI ajuda a desmistificar mitos e a perceber e partilhar estratégias que poderão ser úteis para uma melhor adaptação.
 
Algumas dicas que ajudam a manter uma boa saúde mental
  • Trabalhar a capacidade de aceitação, desenvolvendo comportamentos e rotinas adaptadas à patologia; l Fazer exercício físico adaptado e deixar de fumar;
  • Falar sobre os sentimentos e as emoções;
  • Manter a interação social;
  • Fazer coisas de que gosta e que o ajudem a sentir- -se útil;
  • Ter rotinas de vida saudáveis e manter-se ocupado; l Promover momentos de relaxamento (utilizando técnicas de relaxamento ou de meditação como o Mindfulness);
  • Ter uma boa higiene de sono; l Se sentir que sozinho não consegue, ter a capacidade de pedir ajuda.
 
Como manter uma boa saúde mental
A saúde mental é a base no nosso bem-estar a um nível global. Sem saúde mental não é possível desenvolver recursos a partir dos quais consigamos obter melhor capacidade de adaptação a novas circunstâncias de vida, superar crises ou desenvolver um processo existencial pleno para a nossa vida. Esta é influenciada por um conjunto de fatores que implicam influências biológicas, mas também ambientais, sendo, por isso, resultante de todo o nosso processo de desenvolvimento. Deste modo, o diagnóstico de uma patologia com as caraterísticas da FPI torna-se um desafio para a saúde mental, uma vez que expõe de uma forma muito intensa sentimentos de incapacidade, limitação, dependência, insegurança, perda de controlo e, consequente, perda da esperança.
 
Como combater a ansiedade
A existência de ansiedade é normal: esta surge quando estamos numa circunstância na qual sentimos que os recursos que temos não são suficientes para eliminar o fator que a desencadeia. A ansiedade é um estado emocional adaptativo, até um determinado nível de intensidade em que pode tornar-se desadaptativa e patológica, quando leva a comportamentos e atitudes prejudiciais para si, ou o limita na sua funcionalidade diária. Cada pessoa, individualmente, pode encontrar estratégias que funcionam melhor no seu caso, mas, de uma forma genérica, lidar com a ansiedade implica:
  • Falar sobre o que se sente;
  • Ter uma ocupação numa área que a pessoa goste;
  • Fazer exercício físico;
  • Aprender exercícios de relaxamento;
  • Conhecer a relação entre ansiedade e falta de ar;
  • Manter a mente no momento presente (no aqui e agora).
Este artigo foi escrito no âmbito do guia “Gestão da FPI: Dicas úteis para o doente”, que pode ser consultado, aqui.

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