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Opinião
Uma palavra aos doentes com DPOC

Uma palavra aos doentes com DPOC

Por: José Alves

quarta-feira, 17 novembro 2021 10:18
Leia a opinião de José Alves, presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão, relativamente a temas específicos que afetam, sobretudo, pessoas que sofrem com doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC).

 

Por ocasião da efeméride que hoje se comemora convidaram-me a escrever um texto dirigido aos doentes com DPOC, convite que eu aceitei, grato, honrado e com prazer. Assim, por temas, comecemos.
 
Tabaco
Sabemos que 90% dos casos de DPOC são provocados pelo hábito tabágico, o que não sabemos é a percentagem de doentes diagnosticados que continuam a fumar. Temo que seja alta. O meu primeiro apelo é sobre este assunto. A perda de função respiratória que ocorre na vossa doença é, como sabem, irreversível, progressiva, sendo a perda adicional tão maior quanto é a existente previamente. Por outras palavras, quem está pior tem uma perda adicional maior, se não tiver todos os cuidados necessários. Esta é a má notícia, a boa é que se tomarmos as medidas necessárias podemos estabilizar a perda da função respiratória. A primeira medida é parar de fumar, obsessivamente. Deixar de fumar e de frequentar ambientes com fumo. E…, nem uma “passa”!
 
Inaladores
Os fármacos usados na DPOC são na sua maioria administrados usando inaladores. A sua eficiência é tão maior quanto a dificuldade no seu uso. É frequente que a maneira de usar os inaladores não seja a correta. Também é frequente que os doentes estejam convencidos que a sua técnica de inalação está correta. Muitas vezes está, muitas vezes não está. E, no entanto, é absolutamente necessário que esteja sempre bem. Por isso, os doentes com DPOC devem verificar, junto do seu médico, enfermeiro ou farmacêutico, se a técnica ainda está correta. Lembremo-nos que “esquece muito a quem não sabe”, mas também esquece a quem sabe. Devem, pois, verificar regularmente a vossa técnica de inalação.
 
Vacinas
A perda da função respiratória é maior quando há agudizações. Estas devem ser evitadas a todo o custo. A forma mais eficaz é fazer as vacinas da gripe, da pneumonia e agora, claro, da COVID-19. Algumas palavras sobre estas vacinas. São eficazes, seguras e “obrigatórias” para diminuir a frequência das doenças que previnem, bem assim, como a sua gravidade e efeito negativo na função respiratória. Vacinem-se logo que possam.
 
Agudizações
Apesar de todo o cuidado, as agudizações podem ocorrer e ocorrem. Para minimizar os seus efeitos, o seu diagnóstico deve ser o mais precoce possível. Devemos estar alerta para os primeiros sintomas, febre, agravamento da falta de ar, dor de garganta, dor torácica agravada com a respiração. O tratamento deve iniciar-se precocemente, assim, deve existir uma via verde para o seu médico e deve ser usada imediatamente. Neste assunto, é preferível pecar por excesso que por defeito. O seu médico compreenderá.
 
Reabilitação Respiratória
Finalmente a reabilitação respiratória. É fundamental para a manutenção da vossa função pulmonar, seja ela qual for. O local, os cuidados e a frequência variam de acordo com a gravidade da vossa doença e das vossas comorbilidades, mas, devem zelar pelo acesso a esta terapia. Perguntem ao vosso médico, no vosso centro de saúde, no vosso hospital onde e como podem fazer reabilitação respiratória e façam. A vossa qualidade de vida vai agradecer.
 
Uma última palavra para vos pedir ajuda, para vos pedir que nos ajudem a evitar mais DPOCs, assim, transmitam a vossa experiência aos amigos que fumam, e aos, apenas, conhecidos e, mesmo, aos desconhecidos. Digam-lhes para parar de fumar. Obrigado.

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