FacebookTwitterYoutubeInstagramWhatsapp

Plataforma de Atualização Diária

Imagem Desdobramento
Saúde Pública
“As pessoas tendem a desvalorizar a sua própria deficiência auditiva”
segunda-feira, 27 fevereiro 2017 15:39
Nos últimos anos tem-se avançado na identificação e tratamento de crianças com deficiência auditiva, desde a nascença. No entanto, nos adultos, esse trabalho tarda e, muitas vezes, por culpa dos mesmos. “As pessoas tendem a desvalorizar a sua própria deficiência auditiva”, enquadra a otorrinolaringologista Luísa Monteiro, coordenadora da unidade de otorrinolaringologia do Hospital Lusíadas Lisboa.

 

Jornal de Saúde Pública | O que é saúde auditiva?

 Luísa Monteiro | Saúde auditiva é um conjunto de circunstâncias intrínsecas e ligadas ao ambiente ou a doenças adquiridas e que podem ditar um normal funcionamento do sistema auditivo, da audição.

 

JSP | Existem diferentes tipos de surdez?

 LM | Sim, existem dois grandes tipos de surdez, quanto à origem da perturbação dentro do sistema auditivo. Aquelas que são mais significativas e que nos preocupam mais são as chamadas perturbações sensitivas ou sensorioneurais e que são, normalmente, irreversíveis. Não são, por norma, passageiras e podem ser tratadas com medicamentos ou pequenas correções cirúrgicas. São as que têm um impacto maior no desenvolvimento das capacidades de comunicação e de aprendizagem das crianças ou dos adultos. Há, depois, circunstâncias um pouco menos graves e que são mais facilmente corrigidas, que são a surdez de transmissão, ou de ouvido médio, e que estão associadas a doenças inflamatórias como otites, otites crónicas, colesteatomas e, raramente, a má formações quer do ouvido interno, quer do ouvido externo. Surdez é uma designação abrangente e que pode, realmente, relacionar-se com alguma perda auditiva ou perda total. Na verdade, surdez significa incapacidade de ouvir total ou quase total, mas muitas vezes nós designamos por surdez perdas médias, que podem ser tratadas através de medicamentos ou através de cirurgias de reconstrução ou de reparação de doenças do ouvido médio.

 

JSP | Os aparelhos auditivos são a principal opção?

 LM | Sim. Se não estivermos a falar de uma surdez de grau profundo bilateral, a maior parte das situações de perda auditiva é francamente melhorada através de uma adaptação de próteses auditivas.

 

JSP | Diferentes tipos de surdez requerem diferentes tipos de aparelhos auditivos?

 LM | Claro. É como os óculos, nós não podemos pegar nuns óculos e imaginar que toda a gente que tem dificuldades visuais as vai corrigir com aqueles óculos. Cada prótese auditiva tem de ser adaptada a cada caso em particular e as pessoas têm de ser seguidas com alguma regularidade, de anos a anos, ou o que for, para que o técnico audiologista adapte a prótese à perda auditiva. Mas não há “one fits all”, isso é impossível. As pessoas, antes de comprarem uma prótese auditiva, têm de ter a certeza que é a certa para a sua condição auditiva, porque senão vão desperdiçar dinheiro. As próteses não são equipamentos baratos e, portanto, o seu uso tem de ser muito bem racionalizado e muito bem dirigido para cada pessoa.

 

PUBLICIDADE

© 2020 Vital Health | Todos os direitos reservados | Designed by IPSPOT_ and Developed by Webview