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Estudo: consumo de cafeína na gravidez prejudica feto
terça-feira, 27 agosto 2013 13:07

Rodrigo Cunha d464dO consumo de cafeína durante a gravidez é prejudicial ao desenvolvimento do cérebro do bebé. Esta é uma conclusão de um estudo internacional onde participou uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC), através do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) e das Faculdades de Medicina (FMUC) e de Ciências e Tecnologia (FCTUC) (na foto).

 

 

 

 

 

Em comunicado, a UC informa que a pesquisa, resultante de uma parceria com o Institut National de la Santé et de la Recherche Médicale — INSERM, da Aix Marseille Université, foi publicada na Science Translational Medicine e envolveu cientistas alemães e croatas.

 

Sendo a cafeína a substância psicoativa mais consumida no mundo, inclusive durante a gravidez, a equipa avaliou o seu impacto durante o período de gestação e descreveu, pela primeira vez, os efeitos nocivos do consumo de cafeína (em ratinhos fêmeas) durante a gravidez, sobre o cérebro dos seus filhotes, refere o mesmo comunicado. Este trabalho, apesar de realizado em roedores, sugere que devem ser realizados estudos cuidadosos para avaliar as consequências do consumo de cafeína por mulheres grávidas.

 

De forma a avaliar os efeitos da cafeína, foi reproduzido o consumo regular de café em ratos fêmeas, nomeadamente em doses equivalentes ao consumo humano de três chávenas de café por dia, durante toda a gestação e até ao desmame das crias.

 

Os ratinhos jovens "mostraram maior suscetibilidade de desenvolver epilepsia e, quando atingirem a idade adulta, detetámos problemas de memória espacial", explica Rodrigo Cunha, coordenador da equipa portuguesa, citado no comunicado da UC.

 

Os investigadores conseguiram identificar o mecanismo responsável pelos efeitos nocivos da cafeína no cérebro em construção. Durante o desenvolvimento, "a cafeína altera a migração e inserção de neurónios que libertam GABA - o principal mediador químico inibidor no cérebro; estes neurónios formam-se numa região particular e depois migram para, entre outros lugares, o hipocampo, uma região do cérebro que desempenha um papel fundamental na formação da memória", descreve Rodrigo Cunha.

 

Foi comprovado que a cafeína influencia diretamente a migração destes neurónios, por bloquear a ação de um recetor específico diminuindo a velocidade de migração dos neurónios, os quais chegam mais tarde do que o previsto ao destino.


O comunicado destaca o mesmo investigador referindo que o estudo "é a primeira demonstração dos efeitos nocivos da exposição à cafeína sobre o cérebro em desenvolvimento e, embora questione o consumo de cafeína por mulheres grávidas, é necessário realçar o cuidado em extrapolar os resultados obtidos em modelos animais para a população humana, sem ter em consideração as diferenças no desenvolvimento do cérebro e da maturação entre as espécies".

 

 

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