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Esclerose múltipla: médico de família deve ser o “gestor” da doença
quarta-feira, 11 setembro 2013 11:26

artigo BXP39632h 0199f"Tratando-se a esclerose múltipla (EM) de uma doença crónica, o médico de família (MF) deveria ser o 'gestor' do doente e da doença, em colaboração com o centro de Neurologia", considera Lívia de Sousa, chefe de serviço de Neurologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC). Porém, afirma, "tradicionalmente, não há essa visão de interdisciplinaridade, mas o doente com EM é uma pessoa que necessita dos mesmos cuidados médicos que os outros utentes, com o acréscimo do tratamento das consequências/complicações da doença".

 

 


Segundo indica, o MF deve encaminhar o doente para o neurologista quando surgirem os primeiros sintomas ou sinais da doença. A especialista menciona que são sinais de alerta a visão dupla, a visão nublada, geralmente mono-ocular, acompanhada de dor retro-orbitária, o défice motor em um ou mais membros e as alterações da coordenação e do equilíbrio.


Lívia de Sousa acrescenta que as alterações sensitivas constituem outro sintoma que está presente em 40% dos doentes e que é frequentemente desvalorizado. "Deverão ser valorizados, se muito intensos e persistentes, e descritos como sensação de 'queimar' ou 'arrancar', ou de 'aperto'", adverte.


Nos casos típicos, a especialista refere que o diagnóstico de EM pode ser "relativamente simples, com recurso a uma ressonância de crânio e habitualmente medula, que têm aspetos relativamente típicos, mas não específicos, e a análises do sangue".


No entanto, salienta, "frequentemente, efetua-se uma punção lombar para diagnóstico diferencial e para pesquisa de bandas oligoclonais, que estão presentes em cerca de 90% dos casos, indicativas de inflamação intratecal, mas não específicas de EM". Adicionalmente, "os potenciais evocados podem também dar suporte ao diagnóstico, particularmente nos casos atípicos".

 

 

O impacto da EM no dia-a-dia

Ainda que a EM possa ser "relativamente benigna", o impacto da doença é "necessariamente pesado", alerta Lívia de Sousa, concretizando que, "apesar do clínico dispor de algumas pistas de prognóstico, a questão é que, no caso individual, só no final é que se sabe concretamente o que se passou".


A neurologista salienta o impacto do diagnóstico de uma doença potencialmente incapacitante num doente em plena idade mais produtiva da vida. "É tremendo o medo de muitos doentes e famílias, para além de todo o custo social e económico da doença. E é preciso não esquecer as questões inerentes aos custos das terapêuticas, ao facto de os fármacos de primeira linha serem injetáveis e os de segunda linha levantarem questões de segurança."


Lívia de Sousa explica que, no início, a maioria dos doentes tem uma doença que evolui por surtos, com razoável recuperação da incapacidade após cada surto. "Ao fim de um tempo, variável entre 10 e 15 anos, até 60% dos doentes estariam condenados a entrar na fase secundária progressiva, em que a progressão da incapacidade é inexorável e independente dos surtos", indica, acrescentando acreditar-se que, com a medicação efetuada de forma adequada e atempada, este prognóstico possa ser melhorado.


"Com a progressão da incapacidade, os doentes vão ficar com várias deficiências e, gradualmente, perdem a autonomia", afirma.

 

Texto original publicado no Jornal Médico, setembro 2013

 

 

 

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