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Demência vascular é a segunda causa de demência
sexta-feira, 13 setembro 2013 12:07

artigo 59320 d0955"A manifestação mais frequente da doença vascular cerebral (DVC) é o acidente vascular cerebral (AVC) agudo, em que ocorre subitamente um défice neurológico variável, resultante da oclusão (enfarte) ou rotura (hemorragia) de uma artéria da circulação cerebral", aponta Elsa Azevedo, chefe de serviço de Neurologia do Centro Hospitalar de São João, sublinhando que o AVC é a 1.ª causa de morte e de incapacidade permanente em Portugal.

 


De acordo com a professora de Neurologia da FMUP, manifestações clínicas menos divulgadas, como a demência vascular, podem resultar de pequenos enfartes cerebrais "silenciosos" (que não provocaram défice súbito - AVC), ou de isquemia cerebral lentamente progressiva, por doença dos pequenos vasos cerebrais. Elsa Azevedo adianta que a demência vascular é a 2.ª causa de demência logo a seguir à doença de Alzheimer. A neurologista refere que a DVC é também a 1.ª causa de epilepsia no adulto, além de causa frequente de depressão (no doente e/ou no cuidador).


"A DVC constitui um enorme problema de saúde pública, sendo uma entidade que requer uma abordagem multidisciplinar, para que os resultados sejam significativos", alerta, referindo ser "crucial uma intervenção adequada a nível da prevenção primária, da fase aguda e do pós-AVC".

 

Prevenção primária reduz morbilidade da DVC
Segundo Elsa Azevedo, a prevenção primária assenta no facto de se saber que existem condições que aumentam a probabilidade da ocorrência de determinada doença. "Fazemos prevenção primária do AVC se detetarmos, e tratarmos ou controlarmos o melhor possível, doenças que podem provocar AVC, como as estenoses carotídeas ou a fibrilhação auricular, ou problemas que sabemos serem fatores de risco modificáveis de AVC e que contribuem para a doença dos grandes e dos pequenos vasos cerebrais, como a hipertensão arterial, o tabagismo, a diabetes e a hipercolesterolemia", explica.


"Sabendo que a DVC é a doença neurológica mais suscetível de ser prevenida, podemos ter a certeza de que reduziríamos de forma muito significativa o peso desta morbilidade se fossemos mais eficazes no controlo dos fatores de risco ou causais", afirma a neurologista.


O apoio da MGF na fase aguda do AVC e pós-AVC
Elsa Azevedo sublinha que a Medicina Geral e Familiar pode ter um papel muito relevante na melhoria dos cuidados de fase aguda do AVC. Nesta fase, "sabe-se que o sucesso do tratamento depende da rapidez da abordagem por equipa especializada", indica, desenvolvendo que "para isso existe a chamada via verde do AVC, articulando o INEM com os hospitais que possuem essas equipas".


A neurologista afirma que "é essencial que os utentes saibam reconhecer em si ou nos próximos o início de um AVC e que ligar logo para o 112 é a opção correta". Por outro lado, "o MF e os CSP têm um papel muito importante no ensino dos sinais de alerta de AVC aos seus utentes", indica, sublinhando que, se for notada instalação súbita de desvio da face ('boca ao lado'), falta de força num braço, ou dificuldade em falar, deve ligar-se logo o 112".


Na fase pós-AVC, é também o MF que apoia o seu doente após a alta hospitalar. Para além do controlo ainda mais apertado dos fatores de risco vascular, assim como do cumprimento de restante medicação e medidas não farmacológicas de prevenção secundária de AVC, Elsa Azevedo refere haver a necessidade de garantir um acesso adequado a cuidados de reabilitação e de prevenir/tratar várias das complicações que podem ocorrer nesta fase.


"Trata-se de um trabalho exigente, mas também desafiante e gratificante, pela melhoria de qualidade de vida que um bom apoio pode proporcionar a estes doentes", afirma.

 

Texto original publicado no Jornal Médico, setembro 2013

 

 

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