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Saúde
Regresso às aulas: 37% dos alunos têm dores nas costas mas não vão ao médico
quarta, 31 agosto 2016 11:36

A Associação Portuguesa Spine Matters acaba de revelar os resultados preliminares de um estudo que se encontra a desenvolver, que mostram que 37% dos alunos entre o 1.º e o 9.º ano sofrem de dores nas costas, mas apenas 3% procuraram um médico a esse propósito. A investigação, que continuará a decorrer pelo país durante os próximos meses, demonstra também que é no 7.º ano que se encontra a maior carga transportada, com uma média de sete livros por aluno.

 

No momento em que se prepara o regresso às aulas, Luís Teixeira, médico ortopedista e fundador da Spine Matters, alerta para as consequências de uma carga desadequada e contínua durante o período escolar, que é também a fase de crescimento das crianças e adolescentes: "Todos sabemos que as nossas crianças continuam a transportar cargas excessivas nos dias de aulas, mas é fundamental percebermos de que é que estamos a falar. Na verdade, os números mostram que há muitos alunos a suportar 15% ou mais do seu peso corporal na carga escolar, uma percentagem já muito elevada e prejudicial para a coluna". O médico explica que as mochilas das crianças não devem exceder esta percentagem, já que tal pode significar uma mudança nos ângulos dos ombros, pescoço, tronco e membros inferiores, afetando a postura de forma global ao provocar uma curvatura anormal das costas.

 

Má postura, cifoses (corcundez) e escolioses decorrentes desta utilização prolongada são alguns dos exemplos dos resultados que podem advir e que aumentam a probabilidade de se sofrer de dores lombares na vida adulta. Para além das consequências posturais, o excesso de peso nas mochilas tem ainda sido apontado como responsável, a longo prazo, por dores de cabeça frequentes e consequente falta de concentração das aulas.

 

A desvalorização das dores nas costas é, segundo o fundador da Associação, um fator que merece preocupação. “Esta é uma situação que, também em adultos, temos tendência a não priorizar, aprendendo a viver com ela, mas é urgente desmistificar esta questão: as dores nas costas, tais como na cabeça, garganta, estômago ou qualquer parte do organismo, não fazem parte da normalidade de um ser humano saudável. Se persistem, algo tem de ser mudado", apela o especialista.

 

Para evitar este problema, o médico deixa três dicas imprescindíveis aos pais:

 

1. Pese as mochilas dos seus filhos antes de saírem de casa. Se a carga exceder 15% do seu próprio peso, então é necessário retirar carga. Esta é uma recomendação que deve ser respeitada de forma rigorosa, gerindo o horário da criança de forma o mais atenta possível. Por exemplo, sempre que não necessários, os livros devem ficar na escola, nos cacifos.

 

2. Procure mochilas de duas alças e com bom suporte, em que o peso possa ser suportado uniformemente. Por outro lado, quando impossível de contornar a medida, a opção pontual deve ser por uma mala com rodas, embora esta não seja uma solução que resolva o problema, mas que apenas o minimiza.

 

3. Corrija os seus filhos se a mochila estiver a ser transportada com as alças muito soltas. Quando se encontra já perto do fim das costas, a pressão causada na coluna é muito elevada. Todas as mochilas devem ter as alças apertadas e justas para que não haja oscilação de peso.
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