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Saúde
Angelini promove conversa aberta sobre depressão com Stephen Stahl
sexta-feira, 17 março 2017 12:43
A Angelini trouxe a Portugal um dos nomes mais ilustres no campo da Psicofarmacologia, e em especial na área da depressão: Stephen Stahl, presidente do Neuroscience Education Institute, Califórnia. O especialista liderou a sessão intitulada “Conversas abertas sobre depressão”, que reuniu mais de 200 especialistas no Hotel da Penha Longa, em Sintra, a 18 de fevereiro. Em entrevista, o especialista partilhou com a News Farma algumas das suas perspetivas sobre a abordagem clínica à depressão, bem como fatores externos que podem estar associados à expressão desta doença.

 

Com uma carreira com mais de 30 anos, Stephen Stahl tem assistido a alguns importantes acontecimentos da área da Psiquiatria. Analisando a evolução da abordagem à depressão, o especialista lembra o estado da arte desta doença no início da sua carreira, em meados dos anos 80. “A introdução de novos fármacos, nomeadamente os SSRIs (selective serotonin reuptake inhibitors) e os SNRIs (serotonin-norepinephrine reuptake inhibitors)” foram, segundo o especialista, “os grandes marcos da época”. Quanto aos dias de hoje, Stephen Stahl realça as novas abordagens no campo da depressão que considera serem promissoras, como a estimulação magnética transcraniana (TMS) e a utilização de ketamina parentérica.

 

Recordando as várias visitas a Portugal, a última há cerca de sete anos, o psiquiatra acredita que Portugal tem o privilégio de contar com condições climatéricas agradáveis e muitas horas de sol, considerando que “o estilo de vida e o impacto cultural têm muita influência na expressão da depressão”. E dá um exemplo concreto: “o Japão tem um quarto das pessoas do Estados Unidos e o mesmo número de suicídios associados a depressão”. O especialista refere ainda que “uma cultura que tenha menos obesidade, mais atividade física, mais luz solar, mais otimismo e mais apoio para que as pessoas não cometam suicídio” tem certamente mais condições para que os números da depressão se mantenham baixos.

 

Stephen Stahl afirma que algumas depressões são cognitivas. “Se as pessoas têm uma visão negativa do futuro, uma visão negativa delas mesmas e uma visão negativa do mundo, não têm como não ficar deprimidas”. Nesses casos, o especialista refere que o tratamento não tem necessariamente de passar por fármacos, mas deve ser mais orientado para uma abordagem cognitiva.

 

Por fim, o especialista deixa alguns conselhos aos médicos que lidam com doentes com depressão na sua prática clínica diária, começando por referir a importância de se tratar a doença o mais rapidamente possível: “na depressão, é como se o cérebro estivesse a arder, e se o médico o deixar queimar e só depois o tentar tratar, a destruição será maior”. O especialista recomenda ainda que os médicos não tratem o doente apenas para aliviar parcialmente os seus sintomas, mas sim com vista à resolução total do problema, caso contrário “o fogo estará a arder mais baixo, mas continuará a queimar”.

 

Stephen Stahl é professor adjunto de Psiquiatria na Universidade da Califórnia, San Diego, presidente do Neuroscience Education Institute e ainda professor visitante honorário na Universidade de Cambridge. Autoridade reconhecida internacionalmente em Psiquiatria, publicou mais de 500 artigos científicos, editou 12 livros didáticos e escreveu pessoalmente 35 livros de texto, incluindo os dois livros mais vendidos no campo da Psiquiatria e Psicofarmacologia nos últimos vinte anos. Tem contribuído significativamente para a investigação no campo da Psicofarmacologia, especialmente na área da serotonina, esquizofrenia e depressão.

 

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