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Saúde
Personalidades debatem importância da alimentação saudável
quarta-feira, 29 março 2017 12:53
A importância da adoção de uma alimentação e de um estilo de vida saudáveis, nomeadamente para a prevenção de doenças como a diabetes, o colesterol e a obesidade, reuniu várias figuras da política, do desporto, da comunicação social, da investigação, da nutrição e da cozinha, no âmbito da Conferência “Portugal Saudável”, promovida pela Missão Continente e que aconteceu ontem, dia 28 de março, na Fundação Champalimaud, em Lisboa.

 

Entre conferências, debates e palestras, cerca de 20 personalidades partilharam conhecimentos com vista à promoção de uma vida mais saudável.

 

O diretor geral da Saúde, Francisco George, palestrante da Conferência, afirmou que a população portuguesa tem um problema grave relativamente às doenças crónicas não transmissíveis, como o cancro, o enfarte e o acidente vascular cerebral (AVC), que “têm uma relação direta com a alimentação”. Neste sentido, identificou três alimentos cruciais no aparecimento destas doenças: o sal, responsável pela hipertensão arterial e pelos acidentes cardíacos e cerebrais, sendo que, segundo o especialista, “em Portugal a ingestão de sal diária per capita ronda os 10,5g e não deveria ser mais do que 5g”; as gorduras trans, que provocam dislipidemias, como o colesterol elevado; e os açúcares, sobre o qual referiu que “o nosso organismo não está preparado metabolicamente para receber o açúcar que ingerimos diariamente”. Face a estes factos, Francisco George referiu que cerca de 25% das mortes antes dos 70 anos podem ser evitáveis.

 

O especialista destacou ainda a importância das parcerias entre o Estado e as empresas do setor privado e incentivou a que estas iniciativas sejam imitadas por outras. Francisco George partilhou ainda algumas das medidas políticas que têm sido implementadas no sentido da promoção da alimentação saudável, como a redução da gramagem dos pacotes de açúcar, a sobretaxa sobre os refrigerantes, a proibição de produtos com excesso de calorias nas máquinas de venda automática, sobretudo em contexto hospitalar, e o desenvolvimento de programas de incentivo à atividade física e à literacia em Saúde.

 

Comer de forma saudável não é comer só “ervas”

 

O jornalista João Adelino Faria foi moderador de um debate que reuniu caras conhecidas de diferentes quadrantes. Uma alimentação saudável faz parte do dia a dia do futebolista Adrien Silva, que considera que a boa nutrição é fundamental para o desenvolvimento e melhoria dos resultados. O desportista revelou que um bom pequeno-almoço é um dos segredos do seu rendimento, que “por norma inclui sempre ovos e bacon”. Já a nutricionista Andreia Santos revelou que as necessidades energéticas de cada pessoa são diferentes consoante a sua composição corporal e a sua atividade. Assim, no caso do Adrien, não é grave comer bacon, dada a sua composição corporal e o facto de ser um atleta de alta competição. Contudo, a nutricionista alertou para o facto de as pessoas que fazem exercício pensarem que podem comer o que querem porque vão gastar as calorias no treino, esquecendo que certos alimentos têm uma relação direta com certo tipo de doenças, como a diabetes ou o colesterol. A especialista revelou ainda que o mais importante é “sermos felizes com aquilo que comemos” e que “a vida saudável não tem de ser sem graça”.

 

O ultramaratonista Carlos Sá também participou neste debate e revelou que nem sempre teve um corpo são e a mente de atleta que tem hoje. O desportista confessou que, com cerca de 18 anos, começou a adotar comportamentos de risco e, quando deu por si, estava com 96 kg. O nascimento do seu filho e as dificuldades que começou a sentir para lhe pegar ao colo ou brincar foram o alerta que serviu para perceber que era necessário mudar. Assim, o ultramaratonista deixou o conselho de que nunca é tarde para adotar estilos de vida mais saudáveis.

 

Também presente na conferência, Fátima Lopes, apresentadora de televisão, destacou que “a ideia de que comer bem, de forma equilibrada e saudável é uma coisa monótona, chata e onde só vamos comer ervas, tem de mudar de uma vez por todas”. Acrescentou ainda que hoje em dia há uma oferta enorme de alimentos saudáveis, muitas vezes desconhecidos. A apresentadora reforçou também a importância de “ouvir o nosso corpo”, no sentido de perceber quais os alimentos que o organismo aceita e quais os que rejeita. Fátima Lopes sublinhou ainda que a televisão tem uma enorme responsabilidade na sensibilização da população para temas como a alimentação saudável e o exercício físico, visto que é um meio de comunicação que atinge milhões de pessoas de diversas faixas etárias. Assim, é importante que esta sensibilização seja feita de forma “simples, positiva e que comunique que é possível mudar de hábitos com pequenas conquistas no dia a dia”.

 

Para explicar a melhor forma de aliar uma alimentação saudável ao prazer gastronómico, o chef Hélio Loureiro destacou a “importância da biodiversidade, da sazonalidade e de voltarmos à terra”. O chef defendeu que é necessário “deixar aquilo que é de festa para os momentos de festa, e aquilo que é do dia a dia para o dia a dia”. Hélio Loureiro sublinhou que, em Portugal, as crianças até um ano de idade comem muito bem. “O pior é quando começam a comer a comida dos pais”. Neste sentido, o especialista referiu que os profissionais de cozinha devem também estar atentos “à redução de sal, que é um problema de Saúde Pública”.

 

Já o secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, Luís Medeiros Vieira,  revelou que “produzir mais e de forma mais sustentável, desperdiçar menos e aprender a comer melhor, são os desafios que nos propomos superar”. Para tal, o ministério da Agricultura tem vindo a dinamizar a procura de produtos biológicos, estruturando as fileiras, abrindo novos mercados e promovendo a sua notoriedade e disponibilidade; tem promovido os princípios da dieta mediterrânea, o consumo de produtos adicionais de qualidade de forma equilibrada e o combate aos excessos alimentares; e instaurou um regime de distribuição de fruta e de leite nas escolas, para promover o consumo destes alimentos.

 

As crianças ganham os hábitos em casa

 

Helena Abreu é a responsável pela ALGAplus, uma empresa que se dedica à produção de macroalgas e produtos derivados.  Durante a sua apresentação, a responsável revelou que as algas são “umas das tendências alimentares deste ano, porque são um alimento muito versátil, natural, obtido de forma sustentável e que oferece uma alternativa aos ingredientes comuns que conhecemos em termos de proteína, fibras, minerais, vitaminas”. Conceição Calhau, da Ordem dos Nutricionistas, reforçou a importância nutricional das algas, nomeadamente por ser uma importante fonte de iodo, e destacou um estudo recente que revelou que um terço da população tem deficiência de iodo.

 

Alterando o rumo do debate, a nutricionista Conceição Calhau destacou o facto de os estudantes de Medicina em Portugal não escolherem a cadeira de Nutrição como opção curricular, sendo que “sensibilizar e formar os médicos para a Nutrição desde o início é um objetivo das escolas médicas internacionais”. A nutricionista referiu ainda que, posteriormente, já enquanto especialistas, os médicos percebem que a Nutrição é fundamental para a sua formação, até porque os doentes colocam sempre questões sobre a alimentação.

 

Rute Sousa é psicóloga e gestora do projeto Saúde.Come, que se tem dedicado a estudar uma coorte representativa da população portuguesa, desde 2011, relativamente aos seus hábitos alimentares e de exercício físico, bem como o estado geral da Saúde dos portugueses. Entre outras conclusões, este projeto apercebeu-se que a maioria dos idosos vê pelo menos três horas de televisão por dia, sendo que este meio de comunicação é o principal veículo de procura de informação sobre Saúde, Nutrição e estilos de vida. Neste sentido, o Saúde.Come desenvolveu uma aplicação televisiva especificamente para a população idosa, com o objetivo de promover estilos de vida saudáveis, onde são divulgados conteúdos muito simples e apelativos, como lembretes para a importância de beber água ou receitas de baixo custo.

 

Para o chef Nuno Queiroz Ribeiro, o segredo para a mudança de hábitos é a “persistência, e não a insistência”. Defendeu ainda que as crianças ganham os hábitos em casa e que “se os pais são obesos, as crianças vão ser obesas”. O chef revelou dados alarmantes: “as crianças consomem cinco a sete refrigerantes por semana, 90% dessas crianças consome fast food, só 1% consome água diariamente, 2% consome fruta diariamente”. A escola tem também a sua quota-parte de responsabilidade na sensibilização para a adoção de hábitos de vida saudáveis, pelo que a nutricionista Conceição Calhau considera ser “necessário nas escolas a existência de um nutricionista escolar” e uma oferta saudável nos bares e cantinas.

 

O chef Nuno Queiroz Ribeiro defendeu também “que urge a necessidade de haver uma legislação no açúcar, porque uma criança hoje em dia a dia com dois ou três euros no bolso entra em qualquer café ou mercearia e compra açúcar no formato que bem entender, consome o açúcar que quer e ganha um vício”, sendo que não vão conseguir comer sopa e legumes com o mesmo prazer.

 

No final da Conferência “Portugal Saudável”, Nádia Reis, diretora de Relações Públicas, Ativação e Responsabilidade Social do Continente, apresentou os resultados que revelam o impacto da intervenção social do Continente no ano de 2016, em áreas como promoção da Saúde familiar, combate ao desperdício alimentar, luta contra a fome, promoção de uma alimentação saudável, entre outras. Conheça aqui os resultados. 

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